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Estes são os filmes que mereciam ser indicados a Melhor Filme no Oscar 2017

24/01/2017 10:58 BRST | Atualizado 24/01/2017 10:58 BRST

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Os votos do Oscar deveriam ser entregues até a semana passada, de modo que a corrida já está oficialmente encerrada, pelo menos no que diz respeito às indicações. Na atual temporada de premiações, alguns filmes improváveis viraram candidatos de peso, mas será que qualquer coisa vai conseguir superar o grande favorito original, “La La Land”? Como diz Heidi Klum em “Project Runway”, “um dia você está dentro, no outro está fora”. Então quem está dentro? E quais são os estúdios cujas campanhas de divulgação não alcançaram os objetivos?

Pela minha estimativa modesta, temos nove candidatos ao Oscar de melhor filme (lembre-se que a categoria pode reconhecer entre cinco e dez títulos -- é tudo uma questão de matemática). Baseado em suas trajetórias até aqui, podemos prever que serão indicados “La La Land”, “Moonlight – Sob a luz do luar”, “Manchester à beira-mar”, “Estrelas além do tempo”, “A Chegada”, “Fences”, “Lion – Uma jornada para casa”, “A qualquer custo” e “Até o último homem”.

É claro que nada estará decidido enquanto as indicações não forem anunciadas, nesta terça-feira (24 de janeiro), e alguns outros trabalhos têm esperanças de passar adiante desses favoritos. Segue um ranking dos candidatos possíveis.

18. “O.J.: Made in America”

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É cinema? É televisão? Na verdade, é as duas coisas: a minissérie de 7,5 horas dirigida por Ezra Edelman para a ESPN foi lançada nos cinemas em tempo de qualificar-se para o Oscar. Como a Academia tradicionalmente favorece longas de ficção, é difícil prever se o interesse gerado por “O.J.: Made in America” pode levar a uma indicação a melhor filme. Nunca antes um documentário foi candidato a melhor filme, mas “O.J.” não é um documentário como outro qualquer. Sem falar que seus criadores organizaram eventos de mídia em grande número para promover seu trabalho. O tema – a intersecção entre raça e cultura de celebridades – parece pontual, especialmente em um ano que já rendeu documentários como “A 13ªa Emenda” e “I Am Not Your Negro”.

17. “20th Century Women”

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Ah, “20th Century Women”! Sua possibilidade de Oscar parecia tão boa em outubro, quando o filme ainda estava emergindo no Festival de Cinema de Nova York. Mas o timing estava errado; a escolha de fazer um lançamento comercial em poucos cinemas no Natal enterrou o filme feminista de Mike Mills, misto de comédia e drama, sob uma montanha de candidatos mais robustos. Agora até Annette Benning vai ter dificuldade em conseguir a indicação a melhor atriz que antes lhe parecia destinada com certeza. Para conseguir uma indicação a melhor filme é preciso que grande número de eleitores do Oscar coloquem um filme em primeiro lugar em suas cédulas, e “20th Century Women” pode parecer modesto e simpático demais para passar à frente de trabalhos como “Moonlight” e “La La Land”.

16. “Sully – o herói do rio Hudson”

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É claro que “Sully” é candidato ao Oscar. É um filme biográfico com uma atuação confiável de Tom Hanks e direção competente de Clint Eastwood. Depois de ser incluído nas listas de melhores filmes do American Film Institute e do National Board of Review (a entidade responsável pela classificação de filmes nos EUA), “Sully” parecia destinado a trilhar a rota dos candidatos ao Oscar de melhor filme. Ou talvez não, já que não foi citado por nenhuma das grandes organizações de críticos, diretores ou outras.

15. “Jackie”

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“Jackie” é um filme biográfico absolutamente anticonvencional, cujo lançamento demorado nos cinemas não o favoreceu. Os elogios precursores maiores se limitaram à performance de Natalie Portman no papel-título, mas desconfio que a atração do filme para alguns dos setores votantes menores da Academia – especificamente, os ligados a figurino e composição musical – possa lhe fornecer o incentivo necessário. Se isso não acontecer, repita dez vezes bem devagar: muitos dos melhores filmes do mundo não são indicados ao Oscar. Muitos dos melhores filmes do mundo não são indicados ao Oscar. Muitos dos melhores filmes do mundo...

14. “Loving”

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“Loving” não conseguiu a repercussão à qual faz jus. Os críticos o apreciaram nos festivais de Cannes e Toronto, mas seu entusiasmo foi morno, levando os fãs mais ardentes a desejar que mais pessoas falassem do filme. A maior preocupação dos fãs é que esse filme biográfico sobre um casal interracial seja destituído do sentimentalismo que se poderia esperar, sendo demasiado reservado para o gosto dos eleitores do Oscar. Os sindicatos de atores e de produtores o deixaram passar em branco.

13. “Silêncio”

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Os trabalhos de Martin Scorsese geralmente geram especulação instantânea de Oscars à vista, mas “Silêncio” não é um filme típico de Scorsese. Como indica seu título, o épico sobre padres jesuítas no século 17 é quieto e meditativo – o oposto do sucesso anterior de Scorsese no Oscar, “O lobo de Wall Street”. Às vezes um filme pode passar ao largo dos festivais de cinema e ainda assim gerar repercussão, mas “Silence”, lançado tarde na temporada de premiações, teve dificuldade em erguer sua voz. A Paramount não sabe como promover o filme junto ao público comercial e o de filmes de arte, ao mesmo tempo. Tendo tido performance decepcionante em lançamento comercial amplo, parece provável que “Silêncio” acabe esquecido pelos prêmios. Por outro lado, é um trabalho de Martin Scorsese...

12. “Nocturnal Animals”

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Lembra que Aaron Taylor-Johnson recebeu um Globo de Ouro por este filme? Isso foi divertido. “Animais Noturnos” dá a impressão de ser perfeito para os Oscar, antes de você ver o filme; depois de vê-lo, ele parece apenas um melodrama excessivo. O filme anterior de Tom Ford, “Direito de Amar”, só conseguiu uma indicação ao Oscar para seu ator principal, e “A Chegada” vai superar quaisquer chances de Oscar que Amy Adams pudesse ter por “Animais Noturnos”. Ou seja, Tom Ford vai ter que encarar esta batalha sozinho. Sabemos que os eleitores do Sindicato de Roteiristas são seus fãs, então, com o incentivo representado pelo Globo de Ouro ganho por Taylor-Johnson, “Animais Noturnos” pode acabar sendo um azarão vencedor.

11. “Deadpool”

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Algumas semanas atrás não teria passado por minha cabeça levar este filme em conta em qualquer especulação sobre Oscar. É uma comédia lançada em fevereiro de 2016 e destituída de qualquer característica tradicional dos filmes reconhecidos pela Academia. Porém, surpresa, parece que os eleitores da Academia o adoraram. A Fox fez um ótimo trabalho de divulgação do filme, e quem teria imaginado que Ryan Reynolds ganharia uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação? “Deadpool” foi aclamado pelo Sindicato de Produtores, o Sindicato de Roteiristas e o Sindicato de Diretores; logo, há uma possibilidade muito real de aparecer entre os indicados ao Oscar de melhor filme.

10. “Capitão Fantástico”

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Qualquer coisa que receba uma indicação ao troféu de melhor elenco do Sindicato de Atores SAG) precisa ser levada a sério. O maior contingente de eleitores do Oscar é composto por atores, de modo que o reconhecimento pelo SAG confere a “Capitão Fantástico” uma chance viável de uma indicação ao Oscar de melhor filme. O potencial de Viggo Mortensen como melhor ator foi reconhecido no festival Sundance do ano passado, e a elogiada comédia dramática sobre um pai que cria os filhos longe da civilização possui ousadia e faz jus a votos movidos pela emoção.

9. “Até o Último Homem”

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Quando chegou aos cinemas, em novembro, “Até o Último Homem” lançou uma granada na temporada de premiações. A Lionsgate o promoveu com grande campanha, e a mídia levou isso adiante com reportagens sobre a suposta volta por cima do diretor Mel Gibson. Considerando que passou completamente ao largo dos festivais do outono americano, o ímpeto deste filme sangrento sobre a Segunda Guerra Mundial é surpreendente – até você levar em conta que se trata de um épico de guerra relativamente convencional e grandioso. Agora que chegou à lista de finalistas do Sindicato de Produtores, sua indicação ao Oscar parece garantida.

8. “A Qualquer Custo”

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“A Qualquer Custo”, um dos sucessos de 2016 que demorou a se revelar como tal, é um neo-western para a era de Trump. O drama sobre um assalto no Texas, ambientado no período pós-crise financeira de 2008, foi elogiado inicialmente no Festival de Cinema de Cannes. No final do verão americano a CBS Films o lançou em cinemas de arte inicialmente, depois em cinemas de toda a América, e “A Qualquer Custo” acabou sendo um dos filmes independentes mais lucrativos do ano. Muitos jornalistas especializados nas premiações de cinema observaram que os eleitores do Oscar estão extasiados com o trabalho, e desconfio que seu roteiro inteligente agrade a intelectuais de viés machista e que curtem esse gênero. Não esqueça que a Academia ainda é formada majoritariamente por homens.

7. “Lion – uma jornada para casa”

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O termo “isca de Oscar” é usado excessivamente, tanto que já virou um descritivo pejorativo injusto. Antes de sua estreia no Festival de Cinema de Toronto, em setembro, muitos observadores descartavam “Lion” como algo criado simplesmente para arrancar prêmios. Mas então começou uma enxurrada de tuites emocionados, manchados de lágrimas, e Harvey Weinstein montou uma campanha de divulgação baseada no apelo emocional do filme. História de um menino indiano adotado que tenta reencontrar sua família biológica, “Lion” já comoveu gente suficiente para lhe valer as indicações mais importantes dos sindicatos de profissionais do cinema.

6. “Fences”

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Em 2010, “Fences”, na Broadway, recebeu três prêmios Tony, de modo que a adaptação para o cinema da peça de August Wilson premiada com o Pulitzer foi vista imediatamente como tendo possibilidades de Oscar. A direção de Denzel Washington é tão fiel ao material original que algumas pessoas sentem que se parece excessivamente com uma peça de teatro. Mas não há como questionar o poder do texto de Wilson, especialmente nas mãos de grandes atores como Denzel Washington e Viola Davis, que quase certamente deve ser reconhecida como melhor atriz coadjuvante. Depois de ser premiada pelo Sindicato de Atores, o Sindicato de Produtores e nos Globos de Ouro, considere “Fences” como indicação certeira ao Oscar.

5. “A Chegada”

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“A Chegada” tem tudo para se sair bem. Ficção científica inteligente que agrada ao público e arrecadou impressionantes US$100 milhões nas bilheterias americanas, a parábola de empatia de Denis Villeneuve satisfaz ao gosto tanto popular quanto artístico. Além disso já recebeu um pouco de necessário reconhecimento anterior, incluindo a tão importante indicação do Sindicato de Produtores. O fato de ter sido lançado no início de novembro pode prejudicar sua longevidade, mas “A Chegada” deve aparecer com bom destaque entre os indicados deste ano.

4. “Estrelas além do tempo”

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A Fox sabia o que estava fazendo com sua estratégia de lançamento de “Estrelas além do tempo”. Depois de se fazer notar em lançamento restrito, no mês passado, no dia 6 de janeiro o estúdio levou o filme a cinemas de todo o país. “Além do tempo” superou as expectativas e chegou ao primeiro lugar nas bilheterias exatamente quando a votação dos indicados ao Oscar estava acontecendo. É impossível subestimar o impacto que isso pode ter sobre suas chances de prêmios. Além disso, “Além do tempo” funde a importância social de um candidato como “Moonlight” com a atração de “La La Land”. Os eleitores divididos entre um e outro podem acabar escolhendo “Estrelas além do tempo” como um misto feliz dos dois. Vale lembrar que o filme foi o primeiro indicado pelo Sindicato de Roteiristas, altamente representado na Academia de Artes e Ciências do Cinema.

3. “Manchester à beira-mar”

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Filmes premiados em Sundance frequentemente recebem indicações ao Oscar de melhor filme, mas raramente ganham. É difícil sustentar essa animação de janeiro de um ano até janeiro do ano seguinte. Mas “Manchester à beira-mar” possui poder real de se conservar na atenção das pessoas; Casey Affleck recebeu quase todos os prêmios de melhor ator distribuídos até agora, e Kenneth Lonnergan permanece como a melhor aposta para melhor roteiro original. Existe a possibilidade de este filme sobre tristeza chegar até o topo na noite do Oscar, especialmente agora que se aproxima de impressionantes US$40 milhões nas bilheterias.

2. “Moonlight – sob a luz do luar”

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A política social americana está em choque com a ascensão de Donald Trump, o que pode empurrar os eleitores do Oscar na direção de “Moonlight”, uma narrativa poética sobre um adolescente negro e gay de um conjunto habitacional popular de Miami. Mas a Academia tem histórico irregular em matéria de filmes sobre homossexuais e negros, e “Moonlight” é essas duas coisas. É possível, entretanto, que o esforço recente para promover a diversidade nas escolhas de Oscar ajude a levar votos adicionais para “Moonlight”. A obra-prima de Barry Jenkins, um dos filmes mais universalmente adorados de 2016, pode sair vencedor. Seria lindo, não?

1. “La La Land – Cantando Estações”

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Os principais candidatos ao Oscar de melhor filme emergem todos os anos no circuito de festivais de cinema do outono, e “La La Land” gerou um consenso imediato. Em meio à eleição presidencial americana desanimadora, o filme parecia um antídoto à confusão política do país. Essa narrativa se mantém filme, conforme foi evidenciado por sua vitória enorme nos Globos de Ouro.

Pode ser tão simples quanto o fato de os eleitores do Oscar terem vontade de assistir a algo agradável; pode ser sintoma do caso de amor de Hollywood com ela mesma. Afinal, “La La Land” é a história de dois candidatos a artistas em Los Angeles, e a Academia tem afinidade com filmes sobre Hollywood (pense em “Birdman”, “O Artista”, “A Malvada”). “La La Land” enfrentou certa reação contrária, algo inevitável hoje em dia para um trabalho tão apreciado, mas isso parece ter envolvido mais os usuários do Twitter que os eleitores do Oscar. A não ser que a Academia aposte em algo com mais ressonância social, o dia da entrega dos Oscar será mais um dia ensolarado para “La La Land”.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.