NOTÍCIAS

Em velório de Teori, Temer diz que não indicará novo relator da Lava Jato

21/01/2017 14:53 -02 | Atualizado 21/01/2017 14:53 -02
JEFFERSON BERNARDES via Getty Images
Brazilian President Michel Temer (C) attends the funeral of Supreme Court Justice Teori Zavascki at the Federal Regional Court of the 4th Region, where the wake is being held in Porto Alegre, southern Brazil, on January 21, 2017. Relatives and allies of Zavascki, who was involved in probing a corruption scandal potentially implicating Brazil's president, demanded on January 20, 2017 a full investigation into the magistrate's death in an air crash that killed all five people on board the light plane. / AFP / JEFFERSON BERNARDES (Photo credit should read JEFFERSON BERNARDES/AFP/Getty Images)

O presidente Michel Temer afirmou neste sábado (21) que só indicará um novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) após a Corte decidir quem será o novo relator da Lava Jato.

A declaração foi feita em Porto Alegre (RS), no velório do ministro do STF Teori Zavascki, antigo relator dos processos relativos à Operação e morto em um acidente aéreo na última quinta-feira (19). Ao ser questionado sobre a nomeação, o presidente respondeu que "só depois que houver a indicação do relator".

Temer foi citado 43 vezes na delação da Odebrecht. O documento, que envolve mais de 200 políticos, estava previsto para ser homologado pelo magistrado em fevereiro.

O futuro da maior investigação de corrupção no País, fica então, a cargo da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo.

O regimento interno da suprema Corte prevê que o sucessor de um ministro herde os processos. Porém, o documento também abre a possibilidade de o presidente do tribunal fazer a substituição da relatoria, em casos excepcionais.

Temer disse ainda que Teori é "um exemplo a ser seguido" e desejou "que Deus o conserve na nossa memória e na memória dos brasileiros."

"É um homem de bem. O que o Brasil precisa cada vez mais é de homens com a tempera, exação, competência pessoal, moral e profissional do ministro", disse Temer à imprensa.

O presidente estava acompanhado dos ministros Alexandre de Moraes (Justiça), José Serra (Relações Exteriores), Eliseu Padilha (Casa Civil), Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário), do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Lava Jato

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, voltou a elogiar Teori, mas se recusou a comentar sobre o futuro das investigações.

"Pela relevância, importância dos serviços que ele prestava, pela situação difícil desses processos, ele foi um verdadeiro herói. Há uma grande desolação da magistratura."

O ministro do Supremo Dias Toffoli também disse que não era hora de falar sobre o sucessor de Teori.

"A simplicidade dele, a humildade, marcarão para sempre a Justiça brasileira e nós tivemos a oportunidade de desfrutar sua amizade. É uma perda que nos abala e estamos sofrendo muito. Não poderia deixar de vir aqui dar um beijo em um grande amigo”, lamentou.

O presidente do TRF-4, Luiz Fernando Penteado, por sua vez, afirmou que a Lava Jato não será prejudicada.

“As investigações correm por impulso do Ministério Público e sob controle da Polícia Federal. Certamente há juízes no país com condições de assumir as funções. Teori deixa uma lacuna, mas há juízes capacitados, com condição de levar adiante e com êxito as investigações e processos.

LEIA TAMBÉM

- Teori morreu de traumas com queda do avião e não afogado, diz laudo

- Uma ducha de água fria na política brasileira

- A morte de Teori Zavascki ou um acaso conveniente para o status quo