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Ministério Público Federal e Polícia Federal investigam morte de relator da Lava Jato

20/01/2017 11:31 -02 | Atualizado 20/01/2017 11:31 -02
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Brazil's Federal Supreme Court (STF) Minister Teori Zavascki, during a session in Brasilia on April 20, 2016. Brazil's Supreme Court on Wednesday postponed a decision on whether to authorize the controversial appointment of former leader Luiz Inacio Lula da Silva to the embattled government of his protegee, President Dilma Rousseff. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

A morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki nesta quinta-feira (19) deixou a incerteza sobre o futuro da Lava Jato no País e motivou desconfiança entre os brasileiros.

O magistrado era relator no STF dos processos referentes ao maior esquema de corrupção já investigado no Brasil e vivia um momento crucial. A delação da Odebrecht, envolvendo mais de 200 políticos, incluindo o presidente Michel Temer, estava prevista para ser homologada por Teori em fevereiro.

O substituto é indicado pelo presidente e sabatinado pelo Senado Federal. Já o próximo relator da Lava Jato poderá ser o novo integrante da Corte ou escolhido entre os atuais ministros pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) comunicaram na noite de ontem que abriram inquéritos para apurar as causas do acidente. O ministro estava em um avião que caiu no mar próximo a Paraty (RS).

O acidente será investigado também pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica.

Uma equipe especializada está analisando os destroços, indícios de falhas e as condições da aeronave nos momentos finais de voo. Não é possível estabelecer prazo para o término das investigações.

Em entrevista à Rádio Estadão, o filho de Teori, Francisco Prehn Zavascki, cobrou uma investigação da morte do pai.

"Ainda não parei para pensar, não deu tempo para pensar com mais calma nisso, mas não podemos descartar qualquer possibilidade. No meu íntimo, eu torço para que tenha sido um acidente, seria muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado", disse.

Francisco contou que o ministro teria recebido ameaças de grupos contrários às investigações de casos de corrupção no País.

Região de acidentes

A região já foi cenário de outros acidentes. O caso de maior repercussão no litoral sul do Estado do Rio foi em 1992, quando o helicóptero que transportava o deputado Ulysses Guimarães caiu no mar próximo a Angra dos Reis.

Em 2001, próximo a Maresias, no litoral norte paulista, caiu o helicóptero que transportava o empresário João Paulo Diniz, do grupo Pão de Açúcar. No mesmo ano, o cantor e compositor Herbert Vianna também foi vítima de um acidente próxima a Angra dos Reis.

Já em 2014, o candidato do PSB à presidência da República, Eduardo Campos, morreu quando o avião em que viajava caiu em Santos, no litoral de São Paulo.

A região de Paraty foi atingida por uma forte tempestade na noite de quarta (18). O bimotor King Air C-90, de fabricação americana com prefixo PR-SOM, saiu do Campo de Marte, em São Paulo, às 13h01.

Velório

As equipes de resgate retiraram na madrugada desta sexta-feira (20) o corpo do ministro, do empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono do hotel Emiliano, e de uma mulher que também estava a bordo.

Os corpos foram levados ao Instituto Médico Legal de Angra dos Reis, onde devem ser reconhecidos por parentes. Eles devem ser liberados ainda hoje.

O velório de Teori será na sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, mas a data e o horário ainda não foram definidos.

As buscas às vitimas do acidente aéreo foram encerradas por volta das 2h e retomadas na manhã de hoje. Falta retirar os corpos do piloto Osmar Rodrigues e de outra mulher, ainda não identificada, que viajava com o grupo. Ambos estão presos nas ferragens da aeronave, a uma profundidade de aproximadamente 4 metros.

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