ENTRETENIMENTO

7 fatos que ajudam a entender por que Basquiat é um ícone do grafite

20/01/2017 12:02 -02
Lee Jaffe via Getty Images
ST. MORITZ, SWITZERLAND - 1983: Artist Jean-Michel paints in 1983 in St. Moritz, Switzerland. (Photo by Lee Jaffe/Getty Images)

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) anunciou nesta semana que receberá em 2018 uma exposição de Jean-Michel Basquiat.

Serão expostas 40 obras do artista nova-iorquino, entre pinturas e desenhos, focados em personagens e histórias africanas.

Um dos grafiteiros mais famosos do mundo, Basquiat teve sua obra iniciada em prédios abandonados de Manhattan e encerrada nos maiores museus e galerias de arte.

A mostra em será realizada 30 anos após a sua morte, em 1988, quando tinha apenas 27 anos.

A seguir, você acompanha 7 fatos da vida do artista que ajudam a entender por que Basquiat é hoje uma referência no mundo das artes.

1. Incentivo materno

Com aptidão para as artes desde pequeno, Basquiat teve na mãe, Mathilde Andrada, a primeira grande influência. De origem porto-riquenha, ela era interessada em moda e desenhava ao lado do filho enquanto ele rabiscava os primeiros papéis – reproduzindo sempre figuras de desenhos animados. Mathilde também fazia questão de frequentar grandes museus com o filho, incluindo o Metropolitan, o Museu do Brooklin e o Museu de Arte Moderna (MoMA).


2. Gray’s Anatomy

Aos oito anos, Basquiat sofreu um grave atropelamento. O acidente lhe custou um braço quebrado e um baço removido. Enquanto se recuperava, ganhou de sua mãe uma edição da revista científica Gray’s Anatomy. Nasceu aí o interesse de dele pela representação da anatomia humana – que seria visto mais tarde fortemente em suas obras.


3. Al Diaz

No final da adolescência, Basquiat estudou na City-as-School, uma escola alternativa de Nova York. Lá conheceu seu grande parceiro de grafite, Al Diaz. Na companhia do artista gráfico, passou a desenhar em prédios abandonados. A dupla tinha uma assinatura particular formada pela sigla "SAMO" ou "SAMO shit" ("same old shit", ou "a mesma merda de sempre").


4. As ruas do Bronx

Em 1978, um ano antes de sua terminar o curso secundário, Basquiat abandou a escola. Nesta época dividiu apartamento com amigos e, para se sustentar, trabalhou como ambulante vendendo camisetas com pinturas autorais e postais. Na cena efervescente do Bronx, com o rap, o break e o grafite, se formava a cultura hip hop.


5. The Times Square Show

A partir de 1980, a obra de Basquiat passou a ganhar mais visibilidade. As participações frequentes numa exposição de arte chamada The Times Square Show chamaram a atenção de críticos e profissionais do mercado. Basquiat passou a fazer diversas exposições nos EUA e no exterior, além de colaborações com outros artistas.


6. Andy Warhol e Madonna

Depois de se tornar ícone no grafite, Basquiat alcançou também a alcunha de referência do neo-expressionismo. O artista passou a conviver com grandes curadores e colecionadores de arte, além de personalidades como o pintor e diretor de cinema Julian Schnabel e o desenhista David Salle. Nesta época, engatou um breve romance com Madonna – ainda uma cantora desconhecida – e conheceu Andy Warhol, gênio da pop art com quem desenvolveu diversos projetos e um grande amizade.


7. New York Times Magazine

Já conhecido como um grande artista, Basquiat entrou definitivamente para a história da arte em fevereiro de 1985, quando foi capa da The New York Times Magazine. Devido à repercussão da reportagem New Art, New Money (Arte nova, Dinheiro Novo), ele fez uma longa turnê de exposições pela Europa. Nessa época, o artista já sofria com o vício em heroína – que causou sua morte em 1988.


A arte de Basquiat é chamada de primitivismo intelectualizado. Rostos solitários, personagens esqueléticos, retratos da vida urbana, ícones negros da música e do boxe – além de muitos rabiscos e colagens – compõem os trabalhos do artista. Além das artes plásticas, ele também deixou sua marca na música e no cinema.

A curta e prolífica vida do primeiro artista negro a integrar a restrita cena nova-iorquina de artes pláticas foi retratada em Basquiat (1996), dirigido por Julian Schnabel, com Jeffrey Wright no papel do grafiteiro e David Bowie como Andy Wahrol.

Assista ao trailer:

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