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19/01/2017 12:30 -02

Caos sem fim: detentos fazem nova rebelião em Alcaçuz, em Natal

ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Women relatives of inmates set makeshift barricades on fire in protest for the transfer of some 200 prisoners from the Alcacuz Penitentiary Center to other prisons in Rio Grande do Norte, Brazil on January 18, 2017. Brazilian authorities said Wednesday they are deploying 1,000 troops to 'clean out' arms and cellphones from restive prisons while police moved to end a deadly gang face-off in one northern penitentiary. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE / (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

Cenário de um dos massacres do sistema carcerário neste ano, o presídio de Alcaçuz, região metropolitana de Natal (RN) teve uma nova rebelião no final da manhã desta quinta-feira (19).

A Polícia Militar ainda não conseguiu controlar o conflito entre detentos das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Sindicato do Crime do RN e usa armas e bombas de gás. As barricadas foram rompidas e os presos continuam ocupando telhados.

Pedras, barras de ferro e vigas de madeira são arremessadas de um lado a outro e ainda não se sabe o número de feridos.

Na tentativa de evitar fugas, a Força Nacional realiza rondas em volta de Alcaçuz, presídio construído sobre dunas, o que facilita escavar túneis. Helicópteros sobrevoam o local.

Nessa quarta (18), o governo do estado transferiu da unidade 220 detentos de Alcaçuz ligados ao Sindicato do Crime, facção predominante nas penitenciárias da região.

A Vara de Execuções Penais de Nísia Floresta, cidade onde está situado o presídio, contudo, determinou que a operação fosse desfeita, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.

Em nota, o Tribunal de Justiça potiguar informou que "neste momento de desconfiança entre os presos, não há possibilidade de saber quem são os presos do Sindicato do Crime" e que "só os do PCC estão se declarando como integrantes desta facção".

No fim de semana, 26 detentos do Sindicato do Crime foram mortos por membros do PCC.

Na noite desta quarta-feira, foi registrada a 135º morte no sistema carcerário brasileiro no ano, na penitenciária estadual do Seridó (RN). São 135 óbitos em 2017, o equivalente a 36% do total de vítimas no sistema carcerário no ano passado, quando 372 foram assassinados.

Foram 67 no Amazonas, 33 em Roraima, 27 no Rio Grande do Norte, duas na Paraíba, duas em Alagoas, duas em São Paulo e duas no Paraná.

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