LGBT
18/01/2017 13:48 -02

Esta rapper lançou uma versão lésbica do funk 'Deu Onda'. E as minas estão adorando

Priscilla Bertucci

Um dos hits mais controversos deste verão, o funk Deu Onda ganhou uma versão LGBT. Na letra, que também combina declaração de amor e uma boa dose de obscenidade, a abordagem agora é do ponto de vista da relação entre duas mulheres.

O famoso refrão “meu pau te ama” foi trocado por outras três afirmações: “minha xota te ama”, “minha língua te ama” e também “meu grelo te ama”.

Quem assina a nova versão é a rapper e DJ paulistana Luana Hansen.

Entusiasta do funk de MC G15, ela começou a brincar com a possibilidade de uma letra que representasse as mulheres lésbicas nas festas em que discoteca em São Paulo. “Eu baixava o som e cantava o novo refrão no microfone e a galera comemorava”, conta em entrevista ao HuffPost Brasil.

Incentivada pelos amigos, Luana resolveu fazer uma versão caseira da música. Na mesma base usada por MC G15, inseriu a nova letra e, na última segunda-feira (16), divulgou o resultado em sua conta no Soundcloud.

Até a publicação desta reportagem, Deu Onda Versão Lesbian tinha mais de 21 mil audições contabilizadas. “Desde o dia em que divulguei a música, tenho recebido mensagens de mulheres do Brasil inteiro”, comemora.

A identificação com a música não tem ocorrido apenas com o público lésbico. “Tenho visto mulheres marcando os namorados e muitas têm me falado que esta é finalmente a versão que elas podem cantar”, conta.

A MC acredita que é urgente que as mulheres falem sem tabu sobre sua sexualidade.

“Precisamos quebrar com essa velha história de mulher recatada e do lar. Qualquer mulher gosta de ser chupada. A gente quer ser livre com o nosso corpo. Precisamos nos conhecer e falar sem pudor sobre o que a gente gosta.”

Apesar da adesão positiva para além do meio LGBT, Luana afirma que a letra tem compromisso em dar visibilidade à comunidade lésbica.

“Na sigla LGBT, o L é sempre esquecido. Tenho mais de quinze anos de carreira e demorei para cantar na Parada Gay de SP, por exemplo. E já vi artistas héteros se apresentando na festa. As lésbicas estão invisibilizadas."

A carreira da rapper é repleta de trabalhos focados no empoderamento feminino, negro e LGBT.

Em Negras em Marcha, que tem participação da sambista Leci Brandão, ela aborda a questão do racismo institucionalizado no Brasil. Assista ao clipe abaixo:

Na música Lei Maria da Penha, parceria com Drika Ferreira, a MC faz fala sobre o problema da violência contra mulher. Em 2016, a canção foi vencedora do Concurso de Músicas sobre a Lei Maria da Penha, promovido pelo Congresso Nacional e o Banco Mundial.

Já em Ventre Livre de Fato, ela faz uma defesa contundente da legalização do aborto.

No perfil de Luana Hansen no YouTube e no Soundcloud é possível acompanhar mais do seu ativismo na música.

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