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Crise carcerária: O que as Forças Armadas poderão fazer dentro dos presídios

18/01/2017 12:45 -02
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
The leaders of the riot are transferred after a negotiation with the police at the Alcacuz Penitentiary, near Natal, Rio Grande do Norte, on January 16, 2017. Authorities thought inmates at the Alcacuz jail near the northeastern city of Natal were under control following the quelling of a deadly riot that broke out Saturday, until some climbed to the roof on Monday. On Sunday, police had stormed the prison and ended a night-long riot. They found 26 prisoners dead, most of them beheaded, officials said. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

Um dia após o governo federal anunciar que as Forças Armadas poderão atuar dentro dos presídios, como uma resposta à crise carcerária, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que os militares não terão contato direto com os detentos.

O objetivo é fazer varreduras nas celas. O ministro ressaltou que os militares não enfrentarão as facções que atuam nas cadeias, tarefa cabe às polícias.

"As Forças Armadas não vão operar e controlar presídios e penitenciárias, não vão manejar os presos durante a varredura e não vão substituir policiais e agentes penitenciários estaduais. As Forças Armadas não atuarão sozinhas", destacou Jungmann em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18).

De acordo com o ministro, a estimativa é de que mil militares, divididos em 30 equipes, sejam mobilizados. Eles estarão disponíveis dentro de oito a dez dias.

"O que nós estamos contribuindo é para que se reduza a possibilidade [de novas rebeliões] e também reduzir a letalidade, essa tragédia que nós estamos observando. Mas é preciso o concurso das polícias, do Ministério Público, da Justiça, enfim, para que a gente possa superar esse tipo de situação", afirmou Jungmann.

O Ministério da Defesa vai disponibilizar inicialmente R$ 10 milhões, mas o custo poder variar porque as varreduras acontecerão a partir de demanda dos estados.

Desde o início do ano foram registrados três massacres em penitenciárias. São 134 mortos, o equivalente a 36% do total de vítimas no sistema carcerário no ano passado, quando 372 foram assassinados.

As vítimas estavam em unidades no Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, São Paulo e Paraná.

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