COMPORTAMENTO

As mulheres norte-americanas vão marchar contra Donald Trump e a favor de seus direitos

18/01/2017 17:30 -02
Drew Angerer via Getty Images
NEW YORK, NY - NOVEMBER 3: A group of protestors, comprised mostly of women, rally against Republican presidential candidate Donald Trump outside of Trump Tower, November 3, 2016 in New York City. Election Day is less than a week away in the United States, where citizens will choose between Donald Trump and Hillary Clinton to become the next president. (Photo by Drew Angerer/Getty Images)

21 de janeiro: guarde esta data.

Um dia após a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, as mulheres norte-americanas planejam fazer uma marcha de oposição a ele e pedindo que seus direitos sejam assegurados.

E promete ser um grande momento para as mulheres. Pelas redes sociais, a Women’s March on Washington (Marcha das Mulheres em Washington) está à frente da organização da passeata e convida as mulheres a participar – "pertença ela à comunidade que for".


O objetivo é mostrar que os direitos das mulheres "são direitos humanos", segundo a organizadora da marcha, Teresa Shook. Em entrevista ao Washington Post, ela disse que a ideia partiu de uma pergunta que ela fez em seu Facebook. "E se as mulheres marchassem em massa em Washington no dia da posse de Donald Trump?", disse.

Segundo Teresa, na mesma hora, 40 mulheres responderam que participariam. No dia seguinte, quando acordou, havia resposta positiva de 10 mil mulheres em sua página. Até o momento de publicação desta reportagem, na página do movimento no Facebook, mais de 400 mil pessoas demonstraram interesse.

"A Marcha das Mulheres em Washington enviará uma mensagem ousada ao nosso novo governo no seu primeiro dia de trabalho e ao mundo: que os direitos das mulheres são direitos humanos. Estamos juntos, reconhecendo que defender os mais marginalizados entre nós é defender a todos nós”, diz o texto do evento.

A marcha é um dos muitos protestos planejados para Washington antes e após a posse de Donald Trump. Não foi autorizado nenhum evento para o dia da cerimônia. De acordo com as autoridades, nenhum protesto pode ser permitido sem que haja ainda uma programação do cerimonial de posse.

A marcha sairá do Lincoln Memorial, monumento próximo ao Capitólio, prédio que abriga o Congresso norte-americano, e terminará na Casa Branca.

Mais de 150 organizações independentes têm marchas marcadas em todos os estados do país e 20 países ao redor do mundo, também no dia 21.

As mulheres que preferem não ir

A marcha promete ser histórica, mas nem todas as mulheres pretendem participar. Segundo uma reportagem a New York Magazine, algumas acreditam que não participar da marcha é também uma forma de protestar.

Jeanine Stewart, de 52 anos, é professora de estudos sobre mulheres e apoiadora de um grupo à favor da diversidade na indústria, disse à reportagem que "sem uma plataforma mais clara, o evento em Washington pode ser facilmente descartado". Em vez de participar, Stewart prefere fazer outras ações voluntárias para ajudar as mulheres.

Outras mulheres como a cineasta Shanon Lee, de 40 anos, prefere praticar seu ativismo boicotando alguns produtos que são vendidos pelas empresas de Trump do que ir ao protesto. "Se nós boicotarmos as lojas que transportam os produtos da Trump, ou chegar aos legisladores e ensinar nossos filhos a respeitar os outros, podemos realmente fazer algo que o afete", disse à NY Mag.

Donald Trump contra as mulheres

Durante a campanha presidencial no ano passado, Donald Trump em vários de seus discursos, polemizou com falas preconceituosas sobre contra homossexuais, imigrantes e chegou até a dizer que iria construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

No ponto crucial da campanha, ele apareceu em um vídeo fazendo comentários machistas e obscenos sobre mulheres. As imagens foram divulgadas pelo jornal The Washington Post, geraram uma série de reações e abriram um nova crise na campanha do magnata, a um mês das eleições.

No vídeo, gravado em 2005, Trump diz que se pode "fazer qualquer coisa com as mulheres quando se é famoso". O áudio foi obtido durante uma conversa com o apresentador Billy Bush sobre uma tentativa falida de Trump seduzir uma mulher casada. "Tratei-a como uma vadia, tentei fod*-la, mas não consegui chegar lá. Ela era casada", disse.

Após a polêmica, o magnata pediu desculpas. "Eu errei e peço desculpas".

Celebridades engajadas


As cantoras Madonna, Katy Perry e Cher, além das atrizes Scartlett Johansson, Olivia Wide, Uzo Aduba, Julianne Moore, Debra Messing, Patricia Arquette, Chelsea Handler, Amy Schumer, Danielle Brooks, e Frances McDormand estão confirmadas na passeata, que estima contar com mais de 100 mil mulheres.

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