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Exército da Nigéria tenta atacar Boko Haram, mas acerta campo de refugiados e mata 52 civis

17/01/2017 22:33 -02
STRINGER via Getty Images
The coordinator of Bring Back our Girls, Prof. Obby Ezekwesili (L), cries while trying to console Esther Yakubu, the mother of Dorcas Yakubu (not pictured), the girl that appeared in a video released by Boko Haram, at a press conference in Abuja on August 14, 2016. A spokesman for the Bring Back Our Girls movement, set up to demand the return of 276 schoolgirls kidnapped in April 2014, said he was 'certain' of the identities of 10 other girls seen in the footage released by Boko Haram, showing at least one of the Nigerian schoolgirls kidnapped from Chibok more than two years ago, and called for its detained fighters to be freed. / AFP / STRINGER (Photo credit should read STRINGER/AFP/Getty Images)

Pelo menos 52 pessoas morreram outras 120 ficaram feridas nesta terça-feira (17) durante um bombardeio aéreo do exército da Nigéria em um campo de refugiados na cidade de Rann, no nordeste do país, informou a Organização Médicos sem Fronteiras (MSF). De acordo com o comandante da operação, Lucky Irabor, o piloto do jato que realizou o ataque acreditou que estava atacando membros do grupo terrorista Boko Haram.

O campo em Rann abrigava dezenas de famílias que foram deslocadas de suas casas exatamente por causa dos conflitos entre insurgentes do Boko Haram e as forças militares da Nigéria. Fontes da Cruz Vermelha do país divulgaram que entre os mortos estão seis de seus funcionários, enquanto outros 13 ficaram feridos no bombardeio.

O porta-voz do governo nigeriano, Femi Adesina, expressou em nome do presidente Muhammadu Buhari suas condolências às famílias dos mortos no incidente, que qualificou de “lamentável erro operacional”. Segundo o comandante Irabor, o ataque militar começou nesta manhã, após a informação de que na região se encontravam terroristas de Boko Haram. “Infelizmente, o ataque aconteceu e outros civis que estavam nos arredores da área se viram atingidos”, comentou.

O acampamento de refugiados internos de Rann fica perto da fronteira com Camarões, no Estado Borno, um dos alvos frequentes do grupo jihadista. O Boko Haram matou mais de 20.000 pessoas e obrigou mais de 2,5 milhões a fugir de seus lares desde que começou sua atividade terrorista em 2009.

Os jihadistas sofreram várias derrotas desde que Nigéria, Chade, Camarões e Níger decidiram criar uma força multinacional para coordenar uma ofensiva ao redor do lago Chad, na região fronteiriça dos quatro países. Nas últimas semanas, porém, o grupo voltou a cometer vários ataques no nordeste da Nigéria, onde lutam para instaurar um Estado radical islâmico.

(Com agências internacionais)

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