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Novo secretário da Juventude de Temer é aliado de Sarney e acusado de enriquecimento ilícito

13/01/2017 16:19 -02 | Atualizado 13/01/2017 16:19 -02

Um semana depois do pedido de exoneração de Bruno Júlio do comando da Secretaria Nacional de Juventude, motivado pela declaração polêmica sobre chacinas ao HuffPost Brasil e ao jornal O Globo, o Palácio do Planalto nomeou o maranhense Assis Filho para o cargo.

Até então superintendente da EBC Norte e Nordeste, com salário líquido de R$ 25.023,13, o novo secretário tem em seu histórico a marca do fisiologismo do PMDB na busca por cargos. Com apenas 30 anos, Francisco Assis Costa Filho já ocupou pelo menos três cargos públicos por indicação do partido.

A indicação para os cargos partiu em sua maioria da forte ligação que tem com o ex-presidente José Sarney e com o senador João Alberto (PMDB-MA). O senador maranhense ficou conhecido nos anos 1990 quando governou o estado e confessou ser um político “90% honesto”.

Assis Filho, que é advogado e começou a carreira política como vereador em Pio XII, da cidade natal, carrega ainda a acusação de enriquecimento ilícito e violação de princípios administrativos.

De acordo com a coluna do Lauro Jardim, a denúncia contra o secretário é do Ministério Público do Maranhão que apura funcionários fantasmas com salários de no mínimo R$ 5 mil na gestão de Paulo Veloso na prefeitura da cidade.

No Maranhão, o advogado foi assessor especial de monitoramento e avaliação de políticas públicas da Casa Civil, no governo da peemedebista Roseana Sarney. Assis Filho também comandou o Conselho Estadual de Juventude do Maranhão, órgão do governo do estado.

Enquanto esteve à frente do monitoramento de políticas públicas do Maranhão e presidia a Juventude do PMDB local, Assis Filho foi acusado de abandonar jovens peemedebistas que cometeram atos de vandalismo contra o prédio da prefeitura de São Luís.

Sua trajetória política também é marcada também pela ligação com movimentos estudantis. Assis Filho presidiu a UMES de São Luís, a Juventude do PMDB local e estava a frente da Juventude Nacional do PMDB, desde julho do ano passado, quando Bruno Júlio deixou o cargo para assumir a Secretária Nacional da Juventude. Na época, Assis Filho era vice-presidente da JPMDB.

No início desta semana, a JPMDB, sob o comando de Assis Filho, divulgou uma nota de agradecimento a Bruno Julio pelo trabalho no comando da SNJ.

“Julio administrou com transparência, focando na formação e profissionalização e garantindo o protagonismo e transversalidade do tema. Isto posto, desejamos ao jovem companheiro muito sucesso na sua nova trajetória”, diz trecho da nota.

Em sua página pessoal no Facebook, Assis Filho comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no comando do Senado Federal.

"Uma chacina por semana"

Bruno Julio pediu demissão após dizer, em entrevista ao HuffPost Brasil e ao jornal O Globo, que "tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana". Antes de pedir demissão, ele tentou desmentir a declaração, disse que a opinião foi “deturpada”.

Ouça a seguir o áudio do secretário:

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