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Ex-ministro de Temer envolvido em escândalo por apartamento é alvo da Polícia Federal

13/01/2017 10:41 -02 | Atualizado 13/01/2017 10:41 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Minister of Government Secretariat Geddel Vieira Lima speaks at a press conference to explain the government's economic measures aimed at curbing public spending and reviving growth, in the Planalto Palace, the seat of government, in Brasilia on May 24, 2016. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Conhecido pelo escândalo envolvendo um apartamento de luxo, Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Michel Temer, é alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (13). A Operação Cui Bono investiga esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal na época em que Geddel comandou o banco.

Estão sendo cumpridos 7 mandados de busca e apreensão, em endereços residenciais e comerciais, no Distrito Federal, Bahia, Paraná e São Paulo.

O esquema seria composto pelo então vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, pelo vice-presidente de Gestão de Ativos, além de um servidor da CEF, empresários e dirigentes de empresas dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de administração de rodovias, de empreendimentos imobiliários e de um operador do mercado financeiro, pelo menos entre 2011 e 2013.

A investigação da Operação Cui Bono é um desdobramento da Operação Catilinárias, realizada em 15 de Dezembro de 2015. No dia, foram feitas buscas na residência oficial da Câmara dos Deputados, ocupada pelo então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Um celular do peemedebista levou os investigadores até o ex-minsitro.

"Submetido a perícia e mediante autorização judicial de acesso aos dados do dispositivo, a Polícia Federal extraiu uma intensa troca de mensagens eletrônicas entre o Presidente da Câmara à época e o Vice-Presidente da Caixa Econômica Federal de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013", afirmou a Polícia Federal, em nota.

De acodo com a PF, "as mensagens indicavam a possível obtenção de vantagens indevidas pelos investigados em troca da liberação para grandes empresas de créditos junto à Caixa Econômica Federal, o que pode indicar a prática dos crimes de corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro."

Apartamento

Em novembro, o então titular da Cultura, Marcelo Calero, acusou Geddel, que ocupava a Secretaria de Governo, de pressioná-lo para liberar a construção do La Vue Ladeira da Barra, empreendimento de luxo em Salvador (BA), onde Geddel tinha um apartamento. A obra havia sido embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O caso levou Calero e Geddel a deixarem o governo Temer e envolveu também o presidente. Em depoimento à Polícia Federal, Calero afirmou que Temer o “enquadrou” para encontrar uma solução para o pedido de Geddel.

O presidente admitiu ter recomendado que Calero procurasse a Advocacia-Geral da União (AGU) para tratar do caso, mas nega que isso seja crime.

O escândalo levou a oposição a protocolar na Câmara dos Deputados dois pedidos de impeachment contra Temer alegando crime de responsabilidade, advocacia administrativa e ter infringido a Lei 12.813 de 2013, que trata de conflito de interesses.

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