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Guerras, espionagem e racismo: O legado não tão positivo de Obama

11/01/2017 19:31 -02
Jonathan Ernst / Reuters
U.S. President Barack Obama staves off tears as he delivers his farewell address in Chicago, Illinois, U.S. January 10, 2017. REUTERS/Jonathan Ernst TPX IMAGES OF THE DAY

Ovacionado por boa parte da comunidade internacional, enaltecido por ter sido o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e elogiado pela oratória, Barack Obama chega ao fim do mandato com um legado questionável.

A principal queixa quanto a gestão Obama está relacionada ao tratamento que foi dado às guerras. Foi justamente sob o comando dele, de quem sustentou a campanha contra guerras, que a batalha contra o terrorismo cresceu.

Guerras

Números do Conselho de Relações Exteriores, com base em dados do Pentágono, mostram que só no ano passado 26.171 bombas foram lançadas, três vezes mais que no ano anterior. O número de países monitorados pelos Estados Unidos também cresceu e chega a sete.

Estatísticas do TownHall mostram também que o comércio de armas cresceu na administração Obama. De 2009 a 2015, teve um faturamento de U$ 278 bilhões. O valor é o dobro de tudo que já havia sido comercializado em armas desde a Segunda Guerra Mundial.

Segundo organizações não-governamentais, Obama autorizou seis vezes mais ataques de drones no Yemen, Paquistão e Somália que o ex-presidente George W Bush.

Ele atropelou o Congresso para criar um programa de vigilância militar, para permitir a intervenção na Líbia contra o ditador Muammar Gaddafi, em 2011, e para ordenar ataques ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Vale lembrar o Estado Islâmico nasceu na gestão Obama.

Espionagem

Além das guerras, em 2013, veio a primeira grande denúncia contra Obama com o Wikileaks. Documentos vazados pelo ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA) Edward Snowden mostraram que os EUA usavam espionagem como técnica de contraterrorismo. Obama se defendeu e destacou que o programa foi criado pelo seu antecessor.

“É importante reconhecer que você não pode ter 100% de segurança, 100% de privacidade e zero inconveniência”, disse em junho de 2013. “Avaliando esses programas, eles fazem a diferença na nossa capacidade de antecipar e prevenir possíveis ataques terroristas.”

No caso do Brasil, que também foi alvo da espionagem, foram grampeados a comunicação da então presidente Dilma Rousseff, além de 29 números de telefone relacionados ao governo, incluindo o do então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e do então secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Na época, Dilma enfatizou que "jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país".

Questão racial

Embora o simbolismo de ser um presidente negro seja incontestável, a postura de Obama com a questão racial gera dúvidas.

Um exemplo é a declaração dele em julho, na qual ele focou mais no que a população negra pode fazer para evitar violência policial do que em mudar a cultura policial.

Na mesma conversa, ele também deixou claro que o movimento Black Lives Matters, de valorização da população negra, não dizia que apenas as vidas negras eram importantes.

A relação com Guantánamo também é alvo de duras críticas. Embora tenha se esforçado para transferir os prisioneiros da prisão nos seus últimos dias de governo, os movimentos de direitos humanos reclamam que ele não agiu mais decisivamente nem fechou a prisão nos seus primeiros anos de governo.

A administração Obama é ainda comumente acusada de ter criado uma onda migratória clandestina e ter prejudicado o sistema americano de saúde.

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