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'Situação está tão precária que não tem dinheiro para absolutamente nada', diz professor da UERJ

11/01/2017 16:24 BRST | Atualizado 11/01/2017 16:24 BRST
Tânia Rêgo / Agência Brasil

Com graves dificuldades financeiras desde 2015, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) está cada vez mais próxima de parar de vez. Nesta terça-feira (10), os técnicos aprovaram uma paralisação. Já os professores irão decidir no próximo dia 18 se entram em greve.

"A situação de fato é tão precária que não tem dinheiro para absolutamente nada (…) A falta de repasses colocou a gente numa situação de falta de papel, tinta para impressora, imagina os laboratórios de pesquisa. Os professores mantêm suas pesquisas por agências de fomento ou até iniciativa privada", afirmou ao HuffPost Brasil o professor Luiz Claudio Santa Maria, da diretoria da associação dos docentes da universidade.

Um exemplo aconteceu em um experimento com aceleradores de partículas, mantido em um convênio com a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern). O nobreak, equipamento que protege o supercomputador que processa os dados de oscilações de energia, quebrou em novembro e paralisou parte dos estudos.

O equipamento custa cerca de R$ 450 mil e aguarda uma doação do comitê dos jogos olímpicos do Rio para voltar a funcionar. Isso porque a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) não tem previsão para receber os repasses do estado.

Na última sexta-feira (6), a reitora em exercício, Maria Georgina Muniz Washington, enviou uma carta ao governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) em que alerta sobre o risco de a UERJ fechar as portas.

"O Conselho Universitário da UERJ reafirma a necessidade do pagamento integral de seus servidores e a liberação dos recursos orçamentários necessários ao funcionamento imediato e permanente. Caso tal condição não seja satisfeita, a Reitoria comunica ao governo e à população que suas atividades ficarão impossibilitadas nas diversas unidades acadêmico-formativas e administrativas", diz o documento.

O alerta inclui o Hospital Universitário Pedro Ernesto e a Policlínica Américdo Piquet Carneiro. O governo estadual ainda não apresentou uma resposta à carta.

"Sem condição de limpar banheiros e dar segurança, ela não vê possibilidade de abrir as portas", afirma o professor Santa Maria. A universidade tem cerca de 32 mil alunos, 2.800 professores e 6.500 técnicos.

Desde agosto de 2015, a UERJ tem sofrido com a descontinuidade nos pagamentos. No final daquele ano, as terceirizadas chegaram a demitir seus funcionários sem pagar direitos trabalhistas.

As novas empresas contratadas foram obrigadas a pagar os salários de setembro a novembro, mas ainda há indefinição sobre dezembro, o que coloca em risco o funcionamento das instalações.

Em março do ano passado foi iniciada uma greve dos professores, encerrada em julho. Mas o estado de greve foi mantido, o que significa que novas paralisações podem ocorrer.

De acordo com Santa Maria, os pagamentos de novembro foram regularizados apenas na semana passada. A previsão é que o salário de dezembro seja pago ainda neste mês, mas não há uma definição oficial ainda. "Do 13º ninguém fala. O de 2015 recebemos em 5 vezes por meio de um empréstimo do governo com o Bradesco, mas o de 2016 nem isso é falado como uma possibilidade", afirmou.

Nesta quinta-feira (12), o secretário Gabriel Neves (Ciência, Tecnologia e Inovação) vai se reunir com entidades sindicais de diversos órgãos de educação e pesquisa do Rio. Na última sexta-feira, um fórum chamado FORFECP formado por essas organizações fez uma série de demandas, como os pagamentos.

Um dos pedidos é que o governo consiga uma moratória com os bancos para pagamento de crédito consignado, que é descontado em folha, uma vez que alguns funcionários estão pagando juros por não terem recebido os salários.

Em nota, a Secretaria de Fazenda do Rio informou que "em meio à gravíssima situação financeira" foram repassados 65% do orçamento total da UERJ em 2016. Os recursos de custeio somam R$ 186,1 milhões e os gastos com pessoal foram de R$ 542,3 milhões.

"Como o salário de dezembro e o 13º salário ainda não foram pagos para a maioria do funcionalismo público do estado do Rio de Janeiro, encontram-se pendentes de pagamento R$ 212,4 milhões em pessoal, que representam 18,9% do orçamento total da Uerj. Em custeio e investimento, ficaram pendentes de pagamento R$ 83,9 milhões, que representam apenas 7,5% do orçamento total da universidade", disse a pasta.

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