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09/01/2017 18:53 -02

As cinco vezes em que Michel Temer provou que é do século passado

Adriano Machado / Reuters
Brazil's President Michel Temer reacts during a ceremony at Planalto Palace in Brasilia, Brazil December 7, 2016. REUTERS/Adriano Machado

Nascido em 1940, o presidente Michel Temer deu provas mais uma vez nesta segunda-feira (9) que nasceu de fato no século passado.

Em cerimônia de entrega de 61 ambulâncias novas para o Samu, em Porto Alegre (RS), ele confundiu a moeda corrente no Brasil.

"Em pouquíssimo tempo [de governo], ele anunciou a economia de 800 milhões de cruzeiros, que significam novas UPAS, novas UBSs e também novas ambulâncias", afirmou em referência a ações do ministro Ricardo Barros (Saúde).

O cruzeiro deixou de ser usado no País em 1993, quando foi substituído pelo cruzeiro real. No ano seguinte, o real foi adotado.

Não é a primeira vez que Temer evidencia o gosto pelo passado. Relembre outros episódios:

A carta

Em dezembro de 2015, dia após o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) dar início ao processo de impeachemnt de Dilma Rousseff, Temer achou que uma carta seria a melhor forma de falar com a petista sobre seu descontentamento com a relação.

"Verba volant, scripta manent", justificou o peemedebista no início da correspondência. A frase em latim significa "as palavras voam, os escritos permanecem".

'Manda um telegrama...'

Ao assumir o Palácio do Planalto, Temer ouviu um pedido dos parlamentares: que adotasse o WhatsApp em vez de telegramas.

Temer também usou esse meio de comunicação para parabenizer Donald Trump pela vitória nas eleições.

O uso de sistemas antigos de comunicação também é característica dos ministros escolhidos pelo peemedebista. Quando assumiu a pasta do Meio Ambiente, Sarney Filho mandou reinstalar aparelhos de fax.

Consertá-lo-ei

O uso da mesóclise já virou marca registrada do presidente. Apesar de as colocações pronominais no meio dos verbos não serem comuns no dia a dia dos brasileiros, Temer é fã da construção gramatical.

Em maio, ao apresentar medidas econômicas no Congresso, o peemedebista chegou a fazer piada com a construção.

"Eu sei o que fazer no governo e saberei como conduzir. Se perceber que houve equívoco na condução do governo reverei essa posição, consertá-lo-ei", disse, seguido de uma risadinha. "Vocês gostaram do 'ei', né? Pois consertá-lo-ei."

O presidente também ameaçou deixar de usar a mesóclise. "Ontem li um artigo de um cidadão me criticando pelo fato de eu falar bem o português. Não uso mais mesóclise", afirmou em evento organizado pela revista Exame, em setembro.

Científico

Ao anunciar a reforma do Ensino Médio, Temer voltou ao seu tempo de escola e contou como era o "científico".

"No meu tempo de interior no estado de São Paulo havia no colégio, no Ensino Médio o curso Científico e o curso Clássico. Quem ia para ciências humanas fazia o curso Clássico, quem ia para ciências exatas, ia para o Científico", contou em cerimônia em setembro, no Palácio do Planalto.

Ele também relembrou a "segunda época", conhecida como "recuperação" atualmente e explicou porque preferiu ser de humanas.

"E eu me recordo que não havendo o curso Clássico, eu ingressei no primeiro do Científico, mas logo no final do ano, aquele tempo tinha segunda época, eu fiquei para a segunda época em física e em química. E daí, eu percebi que eu tinha que ir para o curso Clássico e daí, vim para São Paulo para fazer o Clássico."

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