ENTRETENIMENTO

Aqui está a declaração de amor que Viola Davis fez para Meryl Streep no Globo de Ouro

09/01/2017 12:02 -02 | Atualizado 09/01/2017 12:02 -02
AFP via Getty Images
Actresses Meryl Streep (L) and Viola Davis arrive at Women in Film Presents The 2012 Crystal + Lucy Awards in Los Angeles, California, on June 12, 2012. AFP PHOTO/VALERIE MACON (Photo credit should read VALERIE MACON/AFP/GettyImages)

"Ela observa. Essa é a primeira coisa que você nota sobre ela: Ela inclina a cabeça para trás com aquele sorriso malicioso suspeito e realmente te observa"

A frase acima é de Viola Davis sobre Meryl Streep.

A noite do Globo de Ouro 2017, que aconteceu na noite deste domingo (8), foi uma noite de momentos especiais e inspiradores - especialmente quando destacamos as mulheres. A força do discurso de Meryl Streep, o prêmio de Viola Davis, a fala de Tracee Ellis Ross marcaram a premiação.

Mas o que talvez tenha passado batido foi o que Viola Davis fez ao falar sobre Meryl Streep quando chegou a hora de homenageá-la com o prêmio Cecile B. DeMille, pelo conjunto da obra.

Davis, em seu discurso, além de declarar seu amor e admiração por Meryl Streep falou sobre o poder que um ator adquire ao dar vida a um personagem.

Ela observa. Essa é a primeira coisa que você nota sobre ela: Ela inclina a cabeça para trás com aquele sorriso malicioso suspeito e realmente te observa. E você pensa, 'Eu tenho algo nos meus dentes? Ou ela quer chutar minha bunda?' O que realmente não vai acontecer.

Enquanto Meryl a observava da plateia, Viola revelou um diálogo entre as duas sobre tortas de maçãs e couves:

E então ela te faz perguntas: "O que você fez ontem à noite Viola?", "Oh, eu cozinhei uma torta de maçã", "Você usou maçãs pippin?", "Não, eu não usei maçãs pippin, o que diabos são maçãs pippin? Eu usei maçãs granny smith", "Você fez sua própria massa?", "Não, eu usei uma massa pronta, foi isso o que eu fiz", "Então você não fez uma torta de maçã, Viola".

E continuou:

"Bem, isso é porque eu passei todo o meu tempo fazendo minha couve refogada. Eu faço as melhores couves. Eu uso peru defumado, caldo de galinha, e meu molho de churrasco especial". Silêncio. Eu acabei com ela [risos]. "Bem, eles não sabem direito a menos que você use ossobuco. Se você não usar ossobuco não tem o mesmo sabor. Então, como está a família?"

Após a brincadeira gastronômica, Viola voltou a emocionar:

E enquanto ela continua a olhar, você percebe que ela vê você e, que, como uma máquina alta potência, ela está gravando você. Ela é uma observadora e uma ladra. Ela revela o que roubou naquele lugar sagrado que é a tela. Ela torna os personagens mais heróicos vulneráveis, o familiar mais conhecido, no mais desprezível

E ainda não acabou:

Sua arte nos lembra o impacto do que significa realmente ser um artista: que é para nos sentirmos menos solitários. Eu só posso imaginar para onde você vai, Meryl, quando desaparece em um personagem. Eu imagino que você está neles, esperando pacientemente, usando-se como um canal, incentivando-os a liberar toda a sua confusão, confessar, expor, para viver. Você é uma musa. Seu impacto me incentivou a ficar na linha, Streep. Eu te vejo. Eu te vejo.

Para finalizar:

Você me faz ter orgulho de ser atriz. Você me faz sentir que o que eu tenho em mim - meu corpo, meu rosto, minha idade - e é suficiente. Você encapsula aquela grande citação de Emile Zola que se você me perguntar como artista o que eu vim para este mundo para fazer, eu como um artista diria, eu vim viver em voz alta.

Você pode assistir ao discurso de Viola aqui:

Após a introdução de Viola, Meryl Streep, emocionada, subiu ao palco e fez um discurso que o presidente eleito Donald Trump parece não ter gostado muito. Ao receber o prêmio Cecile B. DeMille, ela disse:

O único trabalho de um ator é entrar na vida outras pessoas e fazer com que elas sintam como isso é. E há várias performances neste ano que fizeram exatamente isso, mas há uma performance que me chocou.

A performance, segundo Meryl, foi a fala de Trump sobre um jornalista com uma doença congênita:

Eu ainda não consigo tirar isso da cabeça porque não aconteceu num filme, e sim na vida real. Esse instinto de humilhar, quando feito por alguém numa plataforma pública, afeta a vida de todo mundo, porque dá permissão para outros fazerem o mesmo. Desrespeito convida desrespeito. Violência incita violência. Quando os poderosos usam sua posição para intimidar outros, todos nós perdemos.

Ela ainda lembrou ainda que o Globo de Ouro é entregue pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla original), e falou que é dever da imprensa continuar cobrando responsabilidade dos poderosos, convidando seus colegas a proteger os jornalistas:

Precisamos que a imprensa mostre todos esses atos. Peço que a nossa comunidade ajude a proteger os jornalistas, porque precisamos deles mais do que nunca.

Ao encerrar seu discurso, Meryl citou Carrie Fisher, que morreu no último dia 27 de dezembro de 2016.

É como minha amiga querida, princesa Leia, disse uma vez: Pegue seu coração partido, e faça dele arte.

Trump, classificou Meryl Streep como "amante de Hillary [Clinton]", ao reagir ao discurso da atriz no Globo de Ouro, que aconteceu neste domingo (8).

Em entrevista ao The New York Times na manhã desta segunda (9), Trump disse que não assistiu à fala de Streep, mas que não ficou surpreso com o ataque do que chamou de uma das "pessoas liberais do cinema" e disse que ela é "superestimada".

A hora e a vez delas

2017 começou muito bem para Viola Davis. Além do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Globo de Ouro por Cercas, Davis ganhou também a sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

A atriz, hoje também um ícone da discussão sobre visibilidade negra na mídia, recebeu a honraria das mãos de ninguém menos que Meryl Streep:


Este é o ponto alto da carreira da atriz que começou a se tornar conhecida em peças de teatro como Everybody's Ruby e King Headley II – esta esta segunda lhe rendeu o Tony de melhor atriz coadjuvante.

Já queremos Oscar para Viola! 2017 já é dela!

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