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09/01/2017 22:01 -02

A disputa à presidência da Câmara mostra que na hora de correr atrás de voto não tem ideologia

Montagem/Agência Brasil

A corrida pela presidência da Câmara dos Deputados evidencia que não tem partido nem ideologia na hora de fazer acordo para conquistar votos.

O reflexo mais evidente é o aceno que o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem feito ao PT e ao PCdoB para se reeleger. Os demais caniddatos Rogério Rosso (PSD-RJ), Jovair Arantes (PTB-GO) e André Figueiredo (PDT-CE) também flertam com parlamentares de correntes ideológicas opostas.

Embora seja natural que o candidato busque votos fora de reduto ideológico para compor maioria e unidade para o comando da Casa, os conchavos e acordos não são bem vistos pela base.

Simpatizantes do DEM, por exemplo, têm reclamado que, para costurar sua reeleição, Maia “está aniquilando” o partido. Maia tem boa relação com o PCdoB e teve apoio do partido em julho, quando foi eleito para suceder Cunha.

O fato de a CPI da UNE ter sido enterrada é encarado como uma sinalização do presidente da Casa ao PCdoB que comanda o movimento estudantil. A suspensão da CPI também foi interpretada como aceno ao PT.

Líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM) tem se esforçado para espantar o fantasma da aliança com a esquerda. Pediu a confiança dos eleitores. “Fazer composições é da política”, reforça.

Tanto o PCdoB quanto o PT teriam se aliado a Maia para afastar a possibilidade do ex-presidente da Casa, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continuar dando as cartas. Havia o temor de que isso ocorresse, caso um de seus aliados fosse eleito.

Embora nos bastidores Maia seja tido como o favorito, ele enfrenta um impasse jurídico. O regimento da Casa diz que um deputado não pode concorrer a reeleição na mesma legislatura.

O problema é que Maia foi eleito em julho para mandato-tampão. E é justamente do PCdoB uma das cartadas do deputado para se manter no cargo.

O deputado Rubens Pereira (PCdoB-MA) concedeu na Comissão de Constituição e Justiça um relatório favorável a candidatura de Maia. Ele alegou que não há redação expressa que proíba Maia de concorrer.

Adversários de Maia, Rogério Rosso e Jovair Arantes também buscam interlocução com deputados de outros partidos para conseguir voto. Os dois são vistos como figuras próximas a Cunha.

Publicamente, Rosso, que lançou candidatura nesta segunda-feira (9), tem falado em propostas mais abrangentes que não envolvem acordos que poderiam comprometer a ideologia do partido.

No vídeo publicado no Facebook, ele promete planejamento. Com o slogan “Câmara forte, unida e respeitada”, o deputado do PSD apostou em pautas do seu partido, como a reforma trabalhista.

Jovair Arantes que lança candidatura nesta terça-feira (10). Na sua estratégia para conseguir votos está viagens aos estados para encontrar parlamentares e fazer campanha. Ele está prometendo aos deputados dar prioridades aos projetos de autoria dos parlamentares.

Único candidato da oposição, André Figueiredo aposta em acordos com os deputados insatisfeitos com o atual comando da Casa.

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