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As 6 vezes em que o governo Temer mostrou que não sabe o que quer

05/01/2017 16:59 -02 | Atualizado 05/01/2017 16:59 -02
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Brazilian President Michel Temer (L) during a meeting to discuss a National Security Plan with other ministers at Planalto Palace in Brasília, on January 5, 2017. Brazil's justice minister said Wednesday that local authorities in the Amazon region knew about the risk of a mass escape from two prisons where 184 inmates fled amid a deadly riot. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

O Ministério dos Transportes voltou atrás e retirou das redes sociais a campanha "Gente boa também mata", que tinha como objetivo reduzir acidentes de trânsito. As peças sofreram duras críticas da população.

Um dos vídeos mostra pessoas praticando boas ações com a frase "quem planta árvores pela cidade, quem faz trabalho voluntário, quem espalha amor pelas ruas, também pode matar". Em seguida, uma das personagens provoca um acidente ao usar o celular dirigindo.

De acordo com o Ministério dos Transportes, a campanha tinha como objetivo acabar com outras condutas irregulares, como beber e dirigir, excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e não usar o cinto de segurança.

Não é a primeira vez que o governo de Michel Temer recua após tomar uma decisão. Relembre outros casos:

Corte nos ministérios

Após o afastamento provisório da então presidente Dilma Rousseff em abril, Temer afirmou que cortaria 10 dos 32 ministérios da Esplanada e que formaria uma equipe de "notáveis", com nomes técnicos.

Com a pressão de aliados, admitiu que poderia cortar apenas três pastas e no final a redução foi de sete, deixando 24 ministérios, no primeiro momento. Em vez de especialistas, os cargos foram distribuídos entre partidos aliados.

Ministério da Cultura

Dos ministérios extintos, Cultura com Educação se juntou com Educação, o que promoveu uma forte reação da classe artística.

Associação Procure Saber , composta por nomes como Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque e o Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música (GAP), que conta com Frejat e Fernanda Abreu, dentre outros, chegou a escrever uma carta aberta ao presidente contra a iniciativa.

Temer recuou e nomeou como ministro da Cultura Marcelo Calero, anunciado anteriormente como secretário nacional da Cultura.

Redução do SUS

Assim que assumiu o ministério da Saúde, Ricardo Barros defendeu que o tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS) deveria ser revisto porque o País não conseguiria mais sustentá-lo em função da escassez financeira.

Sete entidades ligadas ao SUS divulgaram uma nota de repúdio, defendendo o direito universal à saúde e Barros recuou.

Por outro lado, o ministro defendeu a criação de uma espécie de plano de saúde popular, com acesso a menos serviços do que a cobertura mínima obrigatória determinada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A entidade analisa a viabilidade da medida.

Reforma trabalhista

Em setembro, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, defendeu que convenções coletivas tenha força de lei a fim de diminuir a enxurrada de ações trabalhistas. O modelo flexibiliza as rotinas, permitindo, por exemplo, um turno de 12 horas para algumas categorias.

A repercussão negativa fez Temer dizer que 12 horas de trabalho "seria voltar à escravidão" e decidir adiar a reforma trabalhista para 2017, mas no fim de 2016 ele optou pelo que chamou de "presente de Natal" para os brasileiros.

O Planalto enviou ao Congresso uma medida provisória que valida o acordado sobre o legislado. O texto também torna permanente o Programa de Proteção ao Emprego, criado por Dilma. A iniciativa permite, por exemplo, a redução da jornada de trabalho em até 30%, com diminuição proporcional no salário.

Mudanças na EBC

Em 17 de maio, Temer exonerou Ricardo Melo do argo de diretor-presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), para o qual havia sido nomeado por Dilma. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu uma liminar para que Melo voltasse ao cargo.

Em setembro, o presidente editou a Medida Provisória 744/2016, que muda as regras de nomeação da estatal e permitiu novamente a saída de Melo.

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