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'Acidente pavoroso': Twitter não perdoa frase de Temer sobre massacre em Manaus

05/01/2017 11:32 -02
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Brazilian President Michel Temer speaks during a breakfast with the media at Alvorada Palace in Brasilia, on December 22, 2016. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

Quatro dias após o segundo maior massacre em um presídio no País, o presidente Michel Temer quebrou o silêncio e anunciou medidas com o objetivo de aumentar a segurança no sistema carcerário.

"Eu quero numa primeira fala, solidarizar-me com as famílias que tiveram seus presos vitimados naquele acidente pavoroso que ocorreu no presídio de Manaus. Nossa solidariedade é governamental e tenho certeza de que apadrinhada por aqueles que aqui se acham", afirmou em reunião no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (5).

No início da semana, rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM) deixou 56 vítimas. Foi a maior tragédia em uma prisão desde o massacre do Carandiru, em 1992, quando morreram 111 pessoas.

A internet não perdoou Temer ter usado a expressão "acidente pavoroso" para se referir ao episódio.

Plano de segurança

O governo federal anunciou três medidas em resposta às mortes em Manaus durante uma reunião ministerial. Participaram do encontro para discutir o Plano de Segurança Nacional os ministros José Serra (Relações Exteriores), Alexandre de Moraes (Justiça), Raul Jungmann (Defesa), Sérgio Etchegoyen (Segurança Institucional) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Foram liberados pouco mais de R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para os estados, sendo R$ 800 milhões para construção de pelo menos um novo presídio por unidade da Federação.

De acordo com Temer, as novas unidades terão prédios separados para detentos que praticaram delitos de maior potencial e menor potencial ofensivo.

O plano anunciando pelo Planalto prevê também a construção de cinco unidades prisionais para presos de alta periculosidade.

Foram liberados ainda R$ 150 milhões para a compra de bloqueadores de celular a serem instalados em pelo menos 30% dos presídios.

O peemedebista destacou presídio em Manaus era administrado pela iniciativa privada e que "não houve uma responsabilidade clara ou definida dos agentes estatais". Ele lembrou que o controle penitenciário cabe às unidades estaduais da federação, mas ressaltou que a questão da segurança pública tornou-se uma preocupação nacional.

A rebelião foi motivada por uma briga entre as facções Família do Norte e PCC. O presídio é administrado pela empresa Umanizzare, em um sistema de cogestão, desde 2014.

O local abrigava 1.147, sendo que a capacidade era de 450 detentos, uma superlotação de 254%, de acordo com o documento enviado PELA SDH ao Ministério Público Federal em janeiro de 2016. O relatório também alertava para o risco de episódios de violência

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