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04/01/2017 21:24 -02

Ao contrário do que disse o governador, facções eram monitoradas no AM

STRINGER via Getty Images
Sao Paulo, BRAZIL: This TV grab is part of the video exhibited by Globo TV network in last sunday early morning as an imposition to free Brazilian TV reporter Guilherme Portanova, in Sao Paulo, Brazil. Portanova was set free by the Primeiro Comando de la Capital (PCC) gang after his television network on Sunday met the kidnappers' demands by broadcasting a three-and-a-half minute videotape they made. In the videotape, a hooded man representing the much-feared criminal group -- whose name in English means First Capital Command -- criticizes Brazil's penal system and demands better conditions in Sao Paolo's prisons. Portanova, who was freed early Monday from the trunk of a car parked near TV Globo's Sao Paolo offices, said he was treated well by his captors. AFP PHOTO (Photo credit should read -/AFP/Getty Images)

Diferentemente do que afirmou o governador do Amazonas, José Melo (PROS), o estado monitorava as facções criminosas responsáveis pelas três rebeliões, com 60 vítimas, em menos de 24 horas registradas no primeiro dia do ano. Só no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, 56 pessoas morreram.

A revelação foi feita pelo secretário Estadual de Segurança, Sérgio Fontes, de acordo com o jornal O Globo. Segundo ele, “a questão do fato ocorrido não se tratou de apenas uma ameaça de fuga ou rebelião, já que os presos planejavam matar os rivais e assim o fizeram, antes mesmo da polícia chegar ao local”.

As facções estavam sendo monitoradas dentro e fora dos presídios. Por causa das constantes ameaças de fugas e rebeliões, em outubro do ano passado foi criado um comitê para fazer a vigilância e pensar ações de estratégia.

As três rebeliões foram causadas pela rivalidade entre duas organizações criminosas que disputam o controle de atividades ilícitas, como o tráfico de drogas, na Região Amazônica: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Família do Norte (FDN), aliada ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.

A briga entre facções vem de longa data e não é exclusividade da região Norte. Em entrevista ao HuffPost Brasil, o especialista em Segurança Pública Guaracy Mingardi explicou que a tendência da guerra entre as facções é se alastrar por outros estados do País.

"Provavelmente vai ter represália em outro lugar. A rebelião não acabou e não acaba fácil. Não vai ser lá, porque lá o PCC não tem força. Ou vão ficar quietos e esperar alguns meses antes de agir.”

No entendimento dele, as fações querem o controle da cadeia, que significa o tráfico de drogas dentro da cadeia, e querem o controle fora, que significa o tráfico de drogas fora da cadeia.

"Não é uma coisa ideológica, do tipo 'estou brigando porque eles são de fora e aqui é o meu lugar', é uma briga que envolve dinheiro. Não é só mercado, envolve prestígio”, pontuou.

Silêncio do presidente

Calado até o momento, o presidente Michel Temer decidiu chamar uma reunião na quinta-feira (5) para tratar do assunto. Nesta quarta-feira (4), o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, discutiram o tema.

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