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'É intolerável que o machismo encontre eco no pensamento conservador e justifique o feminicídio', diz Dilma Rousseff

03/01/2017 17:35 -02
Andres Stapff / Reuters
Former Brazilian President Dilma Rousseff speaks during a media conference at Uruguay's Frente Amplio party's headquarters in Montevideo, November 4, 2016. REUTERS/Andres Stapff

"A misoginia mata todos os dias.”

O alerta foi dado pela ex-presidente Dilma Rousseff em referência à chacina de Campinas que deixou 13 mortes e teve principalmente mulheres como vítimas.

O crime, premeditado com registro em duas cartas, mostra que o autor dos disparos Sidnei Ramis de Araújo tinha ódio de mulheres. No total, nove foram mortas, incluindo a ex-mulher, a quem ele chama de “vádia” nos textos.

Em uma das cartas, Araújo diz não ser machista e não ter raiva daquelas mulheres que são "de boa índole”, além de insultar a Lei Maria da Penha.

"Tenho raiva das vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneficiando da lei vadia da penha! Não posso dizer que todas as mulheres são vadias! Mas todas as mulheres sabem do que as vadias são capazes de fazer!”

Ele também insulta a Justiça, os direitos humanos e diz que comete o crime "por justiça, dignidade, honra e direito de ser pai”. Ele foi a 13ª vítima da chacina.

Mais um caso

No último dia 2, o feminicídio fez mais uma vítima. Na madrugada do ano novo, Jéferson Diego Caetano da Costa, de 26 anos, procurou Renata Rodrigues Aureliano, de 29 anos, em Varginha (MG). Ele teria ateado fogo nela com um galão de gasolina comprado em um posto de combustível. A vítima chegou a correr para casa em busca de socorro e um dos dois filhos do casal, de 9 anos, assistiu à cena. Renata foi levada para o hospital por familiares, mas não resistiu.

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