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O que prefeitos dessas cinco capitais precisam fazer em 2017

01/01/2017 17:06 -02 | Atualizado 01/01/2017 17:06 -02
Montagem / AGPT / Facebook / Agência Senado

Eleitos em 2016 para comandar grandes capitais, os prefeitos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre começam um mandato em meio a grave crise financeira e desafios nas áreas de mobilidade, saúde, educação e moradia.

Marcelo Crivella (PRB), no Rio, Alexandre Kalil (PHS), na capital mineira e Nelson Marchezan (PSDB) em Porto Alegre têm o desafio extra de comandarem cidades em estados em situação de calamidade pública.

As três unidades da Federação enfrentam dificuldades até mesmo para pagar os salários do funcionalismo público. As dívidas somam, respectivamente, R$ 70,664 bilhões, R$ 79,875 bilhões e R$ 52,329 bilhões, de acordo com o Tesouro Nacional.

Com o veto do presidente Michel Temer à permissão para que governos em situação de calamidade passassem 36 meses sem pagar as dívidas, os estados esperam uma nova solução do Planalto, a ser apresentada até fevereiro.

Construção de novas obras e busca por apoio nos legislativos municipais também são desafios dos novos prefeitos. Conheça o cenário de cada uma dessas capitais.

São Paulo

Eleito em primeiro turno, o empresário João Doria (PSDB) começa o ano colocando em prática uma das mais de 100 promessas feitas na campanha. A partir de 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, será aumentada a velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros.

Os limites havia sido reduzidos pelo prefeito anterior, Fernando Haddad, em julho de 2015. Também no âmbito da mobilidade, Doria prometeu renovar a frota de ônibus.

Na educação, o prefeito quer zerar a fila de vagas por creches até o fim do ano. Hoje o déficit é de 133 mil crianças. Ele também pretende acabar com as pendências de exames por meio de convênios entre hospitais e clínica particulares. Atualmente são 417 mil pessoas à espera.

O tucano conta com o apoio de 38 dos 55 vereadores. A base no legislativo será crucial para aprovar as privatizações do Pacaembu e do autódromo de Interlagos, além de alterações no Plano Diretor da Cidade, que orienta o modelo urbanístico de São Paulo. Doria quer tirar do papel também parceiras público-privadas para administração de parques.

Após chamar a capital de "lixo vivo", Doria lançou o programa Cidade Linda, com a tora de lixeiras de plástico, retirada de camelôs ilegais e instalação de câmeras para coibir pichações.

Rio de Janeiro

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella começou o mandato com 80 decretos publicados no Diário Oficial com medidas de austeridade. O novo prefeito propôs reduzir à metade gastos com cargos comissionados a fim de economizar R$ 300 milhões por ano.

Crivella determinou também a fusão de secretarias e fixou uma meta global de redução de 25% dos contratos e convênios da prefeitura. As despesas contraídas desde abril do ano passado serão reavaliadas por uma comissão da Controladoria Geral, com a Procuradoria Geral e a Secretaria de Fazenda municipais.

O novo prefeito já demonstrou também a intenção de municipalizar o estádio do Maracanã, por meio de uma parceira público-privada com o Flamengo. Crivella também almeja o controle do Porto do Rio, hoje sob responsabilidade da Companha das Docas do Rio de janeiro.

Protagonista de uma das disputas eleitorais com maior visibilidade, o bispo licenciado irá enfrentar a oposição do PSOL, partido de seu oponente, Marcelo Freixo, no legilativo. A legenda conquistou seis cadeiras e se tornou a segunda maior bancada, atrás do PMDB, que conta com 18 representantes. O prefeito tem 22 dos 51 vereadores na base.

Belo Horizonte

Eleito sem uma coligação forte e por um partido nanico, Alexandre Kalil tem como um dos principais desafios do mandato garantir o apoio no Legislativo. Neste domingo, ele perdeu a disputa para eleger o presidente da Câmara de vereadores. O candidato que apoiava, Dr. Nilton (Pros) foi vencido por Henrique Braga (PSDB).

O ex-presidente do Atlético Mineiro compos sua equipe com nomes do esporte. O atual presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, ficou com a pasta de Desenvolvimento. Também com atuação no clube, Adriana Branco comandará a Secretaria de Assuntos Institucionais.

Outra polêmica já no início da gestão é o aumento salarial do primeiro escalão. Kalil irá receber receber R$ 31,11 mil de salário. O prefeito anterior, Márcio Lacerda (PSB) ganhava R$ 24,72 mil. Já os salários dos vereadores subiram de R$ 13,59 mil para R$ 17,11 mil. O reajuste contemplará ainda 501 servidores do alto escalão da prefeitura e o impacto mensal é de R$ 2,21 milhões sobre as contas municipais.

Salvador

Um dos prefeitos reeleitos com um dos melhores resultados nas urnas, ACM Neto (DEM) tem como uma das prioridades terminar obras anunciadas no primeiro mandato, de olho em uma possível disputa pelo governo da Bahia em 2018.

Uma é a construção do primeiro hospital municipal de Salvador e a outra um sistema de pistas exclusivas para ônibus, com custo previsto de R$ 408 milhões.

Em meio à dificuldade de captação de recursos, o democrata aposta no apoio do Palácio do Planalto para viabilizar as obras. Aliado de Temer, ACM Neto chegou a participar da cerimônia de lançamento do Cartão Reforma, no Palácio do Planalto, em novembro. O prefeito também busca recursos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial.

ACM disse não temer ver seu nome na lista de possíveis delações da Odebrecht, decorrente da investigação da Operação Lava Jato.

Porto Alegre

O prefeito eleito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior (PSDB), irá iniciar a gestão congelando gasto. Ele irá suspender o pagamento das dívidas herdadas pelo prefeito anterior, José Fortunati (PDT) e buscar negociação com fornecedores. O prefeito anterior deixou uma dívida de R$ 139 milhões e R$ 46,5 milhões em caixa.

As obras de duplicação da avenida Vicente Monteggia, na zona sul da capital gaúcha, foram prejudicadas e os servidores municipais correram risco de parcelamento dos salários.

Marchezan também vai diminuir a estrutura atual de 37 para 15 secretarias. O projeto precisa de ser aprovado pela Câmara de Vereadores. Lá, o tucano conta com maioria, com apoio anunciado do DEM e do PSB.

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