COMPORTAMENTO

Li 52 livros este ano. Confira o que aprendi

31/12/2016 10:39 -02 | Atualizado 31/12/2016 10:39 -02
yulkapopkova via Getty Images
'Young woman sitting on the books and typing, toned image'

Sou realmente péssima em manter minhas resoluções de Ano Novo. Meus objetivos para o novo ano de fazer dieta e me exercitar, normalmente, caem por água abaixo em cerca de um mês. Minha promessa do ano passado de limitar a ingestão de açúcar durou apenas três dias.

Por isso, este ano, resolvi adotar uma postura diferente em relação à minha resolução de Ano Novo: em vez de fazer vagas promessas para comer adequadamente ou me exercitar, me foquei nos livros como método de autoperfeiçoamento.

Nas palavras da fracassada jornalista Rory Gilmore: “Vivo em dois mundos. Um é um mundo de livros”.

Embora eu reconheça a ironia de citar uma personagem de TV aqui, o argumento ainda é o mesmo. Desde menina, tenho vivido cercada por livros. Não, eu não estava lendo Proust aos 16, como Rory Gilmore. Mas escrevi o ensaio de admissão para a faculdade sobre Neville Longbottom, então isso deve valer para algo.

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Como vocês podem ver claramente, eu tinha muitos amigos.

Como muitos homens e mulheres instruídos de minha geração, fui para a faculdade e imediatamente me esqueci como se lia. Claro, estava lidando com livros constantemente — como meu bacharelado era em inglês, muitas de minhas matérias davam como tarefas centenas de páginas de leitura por semana.

O enorme volume de tarefas lançadas em meu caminho me tornou uma especialista em peneirar. Escolhia minhas batalhas. Sabia quais passagens aperfeiçoar, destacar e analisar para a aula. Quando me formei, havia “lido” centenas de livros e artigos. Mas apenas me lembrava de alguns em detalhes.

Então, ao me sentar em um bar chinfrim em Atlanta na véspera de Ano Novo, com uma cerveja na mão e gordura de pizza escorrendo pelo queixo, decidi voltar às minhas raízes em 2016. Eu me desafiei a ler 52 livros apenas por prazer ao longo do ano — um livro por semana.

Pela primeira vez na vida, cumpri uma resolução de Ano Novo. Em 9 de dezembro de 2016, havia lido 52 livros este ano. Confira o que aprendi:

1. Os livros são um espelho.

Os livros irão apenas refletir o que você é capaz de ver, mas o ato de ler ainda tem um verdadeiro valor transformador. Os melhores livros que li este ano mostraram um espelho para ver minhas falhas. Mostraram que sou imperfeita, egoísta, com traços frágeis e que me conectava com muitos deles.

Esta autoconsciência se refletiu tanto no nível pessoal quanto no profissional — e, de fato, pesquisas mostram que funcionários com maior autoconsciência levam a um melhor desempenho da equipe, desde qualidade de decisões até a administração de conflitos.

2. A leitura me tornou mais empática.

Estudos mostram que a leitura de ficção literária na idade adulta está ligada a uma melhora da Teoria da Mente, ou seja, inteligência emocional e empatia. Vi que leituras complicadas e narrativas humanas complexas me tornaram mais sensíveis às experiências e sentimentos de outras pessoas. Em um ano no qual a tensão e o ódio atingiram tantas vidas, esta lição de empatia foi essencial.

3. Não critique antes de experimentar.

Isto pode surpreender a muita gente, mas não gosto de esportes. Não posso assistir a um jogo de futebol [americano], mas, depois de ler The Blind Side [livro no qual foi baseado o filme Um Sonho Possível], posso explicar a evolução da posição da esquerda na linha defensiva.

Comemorei com o resto do país quando o Chicago Cubs venceu a World Series, mas sua vitória significou muito mais porque Moneyball — O Homem que Mudou o Jogo me ensinou a jogada de Theo Epstein. A título de observação, li outros autores além de Michael Lewis.

4. Ler não deve ser sempre uma fuga.

Acho que todos podemos concordar que 2016 foi um ano para se jogar na lixeira. Muitas pessoas recorreram à leitura como fuga, mas ler não me afastou do ódio, da raiva ou do desgosto que se espalharam ao longo deste ano.

Mas os livros de fato me forneceram um método para lidar com as coisas. Mostraram personagens em crise que modelaram a graça e a força que eu podia levar comigo para o mundo real.

5. Minha resolução de ler foi mais fácil de cumprir do que qualquer outra que tentei.

Focar em algo como a leitura é uma clara vitória. Primeiro, transforma seu objetivo em algo tangível, em vez de noções vagas como “comer mais saudavelmente”.

Segundo, você pode facilmente rastrear seu progresso — eu usei ferramentas como planilhas de Excel para anotar meu ritmo e me cobrar. E exige que você encontre tempo para trabalhar em sua resolução. Eu usei meu trajeto de uma hora de metrô e o transformei na minha hora diária de leitura.

Quebrar uma meta aparentemente intransponível em vários pedaços pequenos é essencial — de fato, pesquisas indicam que planejar quando e como conquistar seu objetivo é eficaz para ajudá-lo a cumpri-lo.

Dito isso, o volume não é tudo quando se trata da leitura. A profundidade do entendimento é, muitas vezes, mais importante do que a amplitude do conhecimento. Se você passar um ano inteiro lendo e analisando Os Irmãos Karamazov, por exemplo, é uma pessoa mais corajosa do que eu e deve considerar que seu ano foi bem vivido.

Se estiver interessado em ler mais em 2017, sinta-se à vontade para se inspirar em minha lista de 2016 abaixo. Preparei a seleção a partir de outras listas de recomendações de livros, best-sellers do New York Times, estantes de amigos e sugestões da minha mãe e avó — ambas leram bem mais do que eu em 2016.

Não fraqueje diante das resoluções para 2017 — você é capaz.

Li 52 livros este ano

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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