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Os 18 melhores livros de ficção de 2016

30/12/2016 17:29 -02
CLAIRE FALLON / FULL COVER CREDITS BELOW

Todo ano, quando as listas de melhores do ano começam a aparecer no início de dezembro, parece cedo demais. Será que realmente já estamos dizendo adeus ao ano?

Mas muita gente não vê a hora de 2016 terminar. O ano levou consigo Prince, David Bowie, Gene Wilder, Alan Rickman e o sonho da primeira mulher a presidir os Estados Unidos (no futuro próximo, pelo menos).

Mas vamos nos concentrar no que aconteceu de bom no ano – no que foi transcendental. Pode não ter sido o melhor ano de todos os tempos, mas livros excelentes foram publicados desde a lista de 2015. Contos curtos e brilhantes; longas sagas familiares; retratos cortantes de traumas sociais: teve de tudo em 2016.

Apesar de já termos recomendado vários livros maravilhosos de ficção este ano, estes 18 romances e coletâneas merecem destaque particular:

  • 'The Vegetarian', de Han Kang

    Hogarth

    Um romance em três partes contado do ponto de vista de um marido obcecado com status, um cunhado libidinoso e uma irmã desesperada.

    A personagem central, Yeong-hye, repentinamente decide abandonar carne e produtos animais. Essa escolha aparentemente trivial causa enorme celeuma em sua vida familiar e social – mas Yeong-hye se mantém firme em sua renúncia à carne.

    The Vegetarian (a vegetariana, em tradução livre) é o primeiro romance de Han Kang a ser traduzido para o inglês.

    O livro está repleto de imagens violentas e lida com questões importantes sobre a sobrevivência humana, sociedades patriarcais, a consequência do abuso e, é claro, comer carne.
    Uma obra de realismo mágico de terror, ficção psicológica doméstica e uma exploração nuançada da ética, The Vegetaria é um dos melhores livros de ficção do ano. – Claire Fallon
  • 'Another Brooklyn', de Jacqueline Woodson

    Amistad

    Não há dúvida de que Jacqueline Woodson – cujo romance jovem adulto Brown Girl Dreaming venceu o prêmio National Book Award – é uma escritora com estilo.

    O espaço negativo em seu primeiro romance adulto, Another Brooklyn (outro Brooklyn, em tradução livre), comunica tanto quanto as palavras na página.

    A história de uma menina cuja família se muda para o Brooklyn depois de uma grande perda está salpicada com visões antropológicas sobre morte, sexo, música e gentrificação.

    A heroína, August, era definida pela relação com as outras meninas do bairro e agora trabalha como cientista social.

    Suas reflexões sobre a entrada na vida adulta é uma história grande em um pacote pequeno e melódico. – Maddie Crum
  • 'The Seed Collectors', de Scarlett Thomas

    Soft Skull Press

    A herança deixada por uma tia excêntrica causa perturbações em uma família de irmãos de meia idade e primos, em um romance de humor negro e gênero fluido.

    Com pitadas de fantasia e subversão, Thomas cria um mundo rico de casamentos problemáticos, casos ainda mais problemáticos, retiros holísticos de ioga, pais que desapareceram e explorações botânicas.

    É ao mesmo tempo muito inteligente, muito humano e muito fantástico para ser esquecido. – CF
  • “Ninety-Nine Stories of God”, de Joy Williams

    Tin House Books

    Uma coleção de reflexões e vinhetas, a coleção de histórias curtas de Williams se concentra nas várias maneiras que Deus toma nas mãos de mortais e crentes.

    Deus pode ser o convidado que nunca chega para jantar; Deus pode ser um conto de fadas contado na hora de dormir.

    Lidas juntas, as histórias de Joy Williams são um manifesto humanista, uma celebração de nossos valores, desejos e preconceitos mais misteriosos.- MC
  • 'Zero K', de Don DeLillo

    Scribner

    Com o mesmo humor cerebral que ele trouxe para nuvens tecnológicas e executivos de TV hiper capitalistas, Don DeLillo volta seu olhar crítico para os últimos avanços tecnológicos que ameaçam o tecido da humanidade: a criogenia.

    Jeff está inquieto com o envolvimento de seu pai ausente em uma empresa que congela as pessoas à beira da morte até que a medicina avance para salvá-las. The Convergence – construída no meio do isolado Quirguistão – é parte instituição de pesquisa, parte centro espiritual.

    Sua mensagem é perpetuada por homens que falam jargões e não estariam fora do lugar no Vale do Silício.

    Quando o pai de Jeff revela que não está apenas tentando salvar a vida de Artis, sua nova e jovem mulher – mas também está querendo se congelar – Jeff tenta entender o que está acontecendo. – MC
  • 'The Association of Small Bombs', de Karan Mahajan

    Viking

    O segundo romance de Karan Mahajan ilustra como pequenas incidências de terror vêm a acontecer e como seus efeitos arrasam as vidas das vítimas e das comunidades.

    Passado em sua maior parte em Nova Déli, Índia, onde a explosão de uma pequena bomba muda para sempre a vida dos personagens principais, The Association of Small Bombs (a associação das pequenas bombas, em tradução livre) traz o leitor para as vidas de quem monta as bombas, jihadistas, pacifistas, vítimas e parentes das vítimas.

    A narrativa trêmula e às vezes desorientadora de Mahajan é uma leitura propulsiva, mas também parece imitar os efeitos do trauma imputado às vítimas enquanto elas vivem em um mundo cheio de incertezas.

    O excelente romance mostra um retrato completo e humano muitas vezes caricaturado ou ignorado pela mídia americana. – CF
  • 'Goodnight, Beautiful Women', de Anna Noyes

    Grove Atlantic

    Em um mundo de livros com “menina” no título, Anna Noyes escreve sobre a vida carregada das jovens mulheres. Em sua estreia, uma coletânea de pequenas histórias interligadas, ela nunca romantiza o perigo e a tensão sexual que colore a vida de suas heroínas.

    Em vez disso, ela estuda essas experiências como fatos da vida. Muitas das histórias se passam no Maine, no nordeste dos Estados Unidos; várias têm como foco uma pedreira misteriosa de uma cidade onde as jovens nadam apesar dos perigos inescrutáveis; todas são cheias de emoção e têm personagens tocantes e memoráveis. – MC
  • 'The Underground Railroad', de Colson Whitehead

    Doubleday

    Se você não der ouvidos à National Book Foundation, que recentemente premiou The Underground Railroad (a ferrovia subterrânea, em tradução livre), preste atenção no que vamos dizer: leia este livro.

    Colson Whitehead costura uma história sórdida de violência de brancos americanos contra negros americanos, antes e depois da escravidão, em uma aventura steampunk de uma mulher chamada cora.

    O estilo é eletrizante. As cenas são horripilantes. O livro é imperdível. – CF
  • 'Private Citizens', de Tony Tulathimutte

    William Morrow

    Não seria difícil escrever uma paródia da vida dos millennials. Tantas das tragédias da nossa geração – conectadas ao mundo virtual – parecem desconectadas de consequências reais. Seria fácil ser niilista e escrever uma sátira cortante.

    Mas, em Private Citizens (cidadãos privados, em tradução livre),

    Tony Tulathimutte critica a turma jovem da Costa Oeste americana e ao mesmo tempo mostra amor pelos seus personagens, até mesmo pelos obcecados pela fama, pelos viciados em pornografia e pelos líderes de startups que acham que vão transformar o mundo.

    Cada um deles é apresentado com humor, inteligência e afeição.
  • 'The Past', de Tessa Hadley

    Harper

    Uma família de irmãos de meia idade se reúne para um último verão na antiga casa da família para discutir a venda da propriedade.

    Velhas dinâmicas ressurgem. Crianças experimentam. É um tema antigo – mas, nas mãos seguras de Hadley, o resultado é uma leitura rica, inquietante e memorável, cheia de viradas luminosas e imagens marcantes.

    Suas observações sobre o ambiente natural da narrativa são especialmente belas, fazendo a casa, o bosque ou o riacho parecerem ao tangíveis e cheios de significado. – CF
  • 'The Red Car', de Marcy Dermansky

    Liveright

    Esparso, estranho e “Murakamês” – Dermansky faz referência ao autor em seu romance mais recente --, The Red Car (o carro vermelho, em tradução livre) segue uma jovem mulher casada em uma viagem da Costa Leste para a Costa Oeste dos Estados Unidos, onde ela trabalhava no departamento de RH como protegida de Judy, uma artista nas horas vagas.

    Recém-saída da universidade, Leah não se conforma com o prazer que Judy tem com as coisas materiais – especificamente um carro esportivo vermelho.
    Quando Judy morre e deixa o carro para Leah, ela tem de revisitar a vida que deixou para trás, reavaliando a vida que escolheu. Uma meditação sobre classe, arte e as várias vidas que vivemos enquanto estamos crescendo. – MC
  • 'Problems', de Jade Sharma

    Coffee House Press

    Protagonistas autodestrutivos, que se odeiam e são odiosos são comuns na ficção literária, mas costumam ser homens brancos – ou pelo menos brancos.

    Jade Sharma disse à Publisher’s Weekly sobre sua heroína, Maya: “Meninas indianas também podem ser vadias loucas”. Problems

    Conta a história de abuso de heroína de Maya, sua vida confusa e sua recuperação com uma prosa afiada, pintando um retrato cru e profundo do vício. – CF
  • “Imagine Me Gone”, de Adam Hanslett

    Little Brown and Company

    Hanslett escreve de forma lírica e afetuosa sobre saúde mental, especificamente sobre o transtorno de ansiedade generalizada.

    Dois personagens desse drama familiar – John e Michael, pai e filho – lutam contra a mesma fera, em capítulos contundentes e inquietantes nos quais se desenrolam suas neuroses.

    Ambos dependem de pessoas queridas para sobreviver e tanto presença como a ausência de ambos influencia aqueles que os cercam. Celia, mulher de John, faz o que pode para manter as tradições; sua filha, Celia, se entrega à monogamia; seu segundo filho, Alec, persegue o sonho de ser jornalista, explorando sua sexualidade no caminho.

    A história é um olhar cheio de camadas sobre música, história e como amor e doença podem transcender gerações. – MC
  • Pond, de Claire-Louise Bennett

    Little Brown and Company

    Pond é o tipo de livro que pede para ser lido lenta e deliberadamente. O romance de estreiade Bennett parece um livro nada convencional, mas já foi descrito como uma coleção de histórias interligadas que dá voz às reflexões cotidianas de uma jovem que vive sozinha em uma casa perto de um vilarejo na Irlanda.

    Acadêmica fracassada e meio à deriva, ela nada em uma rica vida interior que sufoca as amizades e romances que ela cultiva.

    A protagonista lê um livro de ficção distópica e tira conclusões drásticas sobre o fogão quebrado; fica obcecada em fazer um jantar porque espera que um conhecido venha à sua casa e sente-se num móvel de sua sala; ela analisa a mecânica segundo a qual gotas de chuva caem nas folhas, e depois como as folhas caem após a chuva.

    Bennett tem o dom de escolher as palavras certas, esculpindo frases para seu deleite. O livro é curto e tem pouca narrativa, mas os leitores vão querer passar o maior tempo possível com Pond. – CF
  • “The Bed Moved”, de Rebecca Schiff

    Knopf

    Rebecca Schiff traz o humor e os insights da comédia stand-up para seus contos, a maioria dos quais se concentra nas aventuras sexuais de mulheres jovens.

    Ela também usa o meio como oportunidade para romper normas sociais. Seus personagens questionam a maneira adequada de expressar luto e como se comportar no casamento de uma amiga que vai se casar com um homem que elas não respeitam.

    Não se trata de lições, mas sim observações honestas sobre a distância entre o comportamento que esperam de nós e como nos sentimos forçados a nos comportar. – MC
  • 'The Nix', de Nathan Hill

    Knopf

    Enquanto Donald Trump se lançava à Presidência, o livro de estreia de Nathan Hill chegava às livrarias mostrando um Estados Unidos familiar demais.

    Costurando a obsessão com jogos online e vício em apps com uma saga que envolve um homem, sua mãe há muito desaparecida e um candidato presidencial demagogo que ela atacou, The Nix é um comentário sobre impulsos mais monótonos das indústrias políticas, da mídia e do entretenimento.

    O tempo todo, Hill encontra calor e humanidade em seu elenco de personagens. – CF
  • “The Girls”, de Emma Cline

    Random House

    A estreia de Emma Cline prende a atenção, mas vai além da maioria dos thrillers.

    Leitores que se entregarem ao livro saberão quem são os culpados, pois os crimes que aparecem na história são em parte baseados nos assassinatos cometidos por Charles Manson.

    A tensão, portanto, está em saber se a heroína fictícia do livro, Evie Boyd, será sugada pelo mundo sedutor de drogas, sexo, rebeldia e amor compartilhado entre mulheres.

    Isolada da família e dos amigos, Evie entra facilmente na comunidade de Russell – ou Manson.

    Na situação dela, nós provavelmente faríamos o mesmo, como parece sugerir The Girls.

    Mas até onde ela vai chegar antes de se perder completamente? Guiado pela prosa divertida de Cline, acompanhamos Evie em um teste dos limites de sua moral. – MC
  • 'Swing Time', de Zadie Smith

    Penguin Press

    Poucos podem competir com Zadie Smith quando ela está em forma, e Swing Time é um bom exemplo disso.

    Passado no lugar em que ela cresceu, no noroeste de Londres, o romance acompanha duas jovens negras que se aproximam por causa de sua pele clara, suas famílias birraciais e sua paixão pela dança – e que depois se separam por causa da diferença entre seus talentos e das situações de suas famílias.

    O humor seco de Smith e a riqueza de temas estão todos ali, em uma história comovente de duas crianças negras que estão crescendo. – CF

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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