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29/12/2016 12:31 -02

Após ficar desempregada, psicóloga ajuda jovens a conseguir o 1º emprego

luciana fonseca

Luciana (esq.) com a equipe do Argilando

Quando 2016 se tornar 2017, um desejo comum vai ocupar as mentes de milhares de brasileiros: Conseguir um emprego.

A situação é alarmante: O desemprego chegou a 11,9% no trimestre encerrado em novembro, segundo a pesquisa Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

São 12,1 milhões de pessoas aptas para trabalhar, mas que estão desocupadas. A taxa de desemprego é a mais alta desde 2012, quando teve início a série histórica.

Neste contexto, a solidariedade dá um novo tom ao que seria puramente desesperança. Luciana Fonseca, psicóloga especialista em Recursos Humanos (RH), é voluntária em um projeto do Instituto Aliança, no Rio de Janeiro (RJ), que ajuda jovens a conseguirem o primeiro emprego. Ela conheceu a iniciativa por meio da ONG Argilando, que realiza dezenas de ações sociais em áreas distintas.

Ela faz simulações de uma entrevista de emprego com os candidatos, trabalhando, com eles, as melhores maneiras de eles divulgarem o próprio potencial.

"Na primeira entrevista de emprego, a maioria dos jovens não sabe como se comportar e o que dizer", ela explica ao HuffPost Brasil.

Segundo Fonseca, os jovens atendidos, de 17 a 24 anos, encaram a simulação com seriedade:

"Eles vão todos arrumadinhos, com o currículo em dia, e chegam a ficar nervosos."

Para ela, chamou a atenção o fato de que muitos deles falavam coisas negativas sobre si na entrevista, além de destacarem o que não gostam de fazer.

"Percebi que as pessoas não acreditavam muito em si mesmas, e chegavam com baixa autoestima. A gente orienta sobre as qualidades de cada um, fortalece a autoestima e eles se descobrem como pessoas capazes. Saem mais confiantes da simulação."

luciana fonseca

O voluntariado teve efeito também na autoestima de Fonseca, que andava em dúvida quanto a ser psicóloga especialista em RH. Aos 33 anos, ela convive com o desemprego há mais de um ano. "Também faço parte desta estatística brasileira", afirma.

"Entrei em um processo de questionar meu investimento na profissão que escolhi. Eu estava em um momento muito ruim, mandando currículos e não tendo resposta. Com esse projeto voluntário, descobri um propósito e redescobri minha vocação."

Para a voluntária, a ajuda aos jovens com uma situação que ela também vivencia é de coração. Ela continua em busca de um emprego - afinal, as contas não param de chegar -, mas a procura agora ganhou mais energia.

"Essa experiência está sendo muito mais rica pra mim. Foi muito gratificante, nossa."

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