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Suspeitos de matar ambulante em SP 'agiram em legítima defesa', diz advogado

28/12/2016 11:35 -02

agressores metrô

Os agressores do ambulante registrados pelas câmeras foram identificados como Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Martins do Nascimento

O advogado da dupla de suspeitos de espancar até a morte o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, 54 anos, na estação Pedro 2º do Metrô, em São Paulo, afirmou que os homens agiram em legítima defesa por uma tentativa de assalto fora da estação e não tiveram intenção de matar, segundo reportagem da Globo veiculada nesta quarta-feira (28).

Em entrevista à reportagem, o advogado Marcolino Nunes Pinho diz:

"A intenção deles era se defender de um roubo que ele supostamente sofreu."

Pinho se refere ao cliente Ricardo Martins do Nascimento, 21 anos, preso na noite da última terça-feira (27), na cidade de Itupeva, na região de Campinas.

A jornalistas, durante a prisão, Nascimento disse estar "arrependido" e que estava "alterado de cachaça". Ele foi levado ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e depois deverá ser transferido a uma delegacia para ser reconhecido pelas testemunhas - entre elas, duas travestis defendidas por Ruas.

A polícia busca ainda o outro suspeito do crime, Alípio Rogério Belo dos Santos. Na manhã desta quarta-feira (28), as autoridades o procuram na Baixada Santista.

Tanto Nascimento quanto Santos, que são primos, foram identificados agredindo Ruas pelas câmeras de vifilância da estação.

O assassinato cruel chocou o País.

Ruas, conhecido como "Índio", foi espancado e morto, segundo a polícia, às 22h25 de domingo, noite de Natal. Segundo testemunhas, o ambulante, que vendia salgados e refrigerantes do lado de fora da estação, foi defender duas travestis das agressões dos dois suspeitos, que então passaram a espancá-lo.

O vendedor tentou correr até a bilheteria da estação na Estação Pedro II do metrô, mas foi atingido por vários golpes e caiu no local. Ele foi socorrido e levado a um hospital por agentes de segurança do Metrô, mas não resistiu aos ferimentos.

Desde esta quarta-feira, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo oferece uma recompensa R$ 50 mil para quem der informações que levem à prisão dos autores da morte do ambulante.

As denúncias devem ser feitas pela internet ao Disque-Denúncia, segundo a secretaria. Não é preciso se identificar.

luis

O vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, que defendeu duas amigas da agressão e foi espancado até a morte

Ao Jornal Nacional, a ex-mulher de Santos afirmou que o ex-companheiro tem temperamento explosivo. Ela não quis ter o rosto nem o nome divulgado. "Ele tinha esses acessos de loucura, às vezes, chutava as coisas. Ele batia nas coisas, gritava, xingava, chamava atenção dos vizinhos nessas brigas", disse à reportagem.

Na terça-feira, mais de cem pessoas se reuniram no saguão da Estação Dom Pedro 2º para lembrar a morte do vendedor ambulante. O ato protestou contra a falta de segurança e a violência no metrô da capital paulista.

Com informações da Agência Brasil

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