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4 fatores que foram responsáveis pela queda do avião da Chapecoense

26/12/2016 19:34 -02 | Atualizado 26/12/2016 19:34 -02
LatinContent/STR via Getty Images
LA UNION, COLOMBIA - NOVEMBER 29: A general view of the airplane crash in the Colombian area of Antioquia where a British-Aerospace BAE- Avro with players of the Brazilian team 'Chapecoense' crashed, on November 29, 2016 in La Union, Colombia. Players of the Brazilian soccer team Chapecoense were flying to Medellin to play next November 30 the final first leg match against Atletico Nacional, as part of the Copa Sudamericana. (Photo by Leon Monsalve/LatinContent/Getty Images)

Erros cometidos pelo piloto, companhia aérea e reguladores da Bolívia foram apontados como causas do acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense, que deixou 71 mortos na Colômbia, afirmaram na segunda-feira (26) autoridades aéreas em Bogotá.

"Neste caso até o momento temos evidência de que nenhum fator técnico incidiu no acidente", disse o secretário de segurança aérea da Aeronáutica Civil da Colômbia, coronel Freddy Bonilla, em uma entrevista a jornalistas. Confira abaixo alguns motivos que levaram à tragédia.

1. Falta de Combustível

O avião operado pela LaMia, uma empresa com sede na Bolívia, se chocou contra uma montanha perto da cidade de Medellín depois de ficar sem combustível, uma vez que o piloto não reabasteceu a aeronave nem relatou a emergência até que fosse tarde demais.

O fato determinante para a tragédia foi a falta de combustível, a chamada "pane seca", segundo o resultado da investigação preliminar.

O secretário de Segurança Aeronáutica da Colômbia, Freddy Bonilla, disse que o plano de voo era inadequado porque deixou de levar em consideração o tempo de viagem e a autonomia de voo para garantir a quantidade necessária de combustível.

Bonnila também afirmou que a gravação da cabine do avião CP-2933 mostrou que o piloto Miguel Quiroga e a copiloto Sysi Arias, que morreram na queda, cogitaram uma escala em Letícia, na Colômbia, ou em Bogotá, em função do combustível estar no limite. No entanto, decidiram não fazer.

Bonilla afirmou que 3:45 minutos antes do acidente os quatro motores do avião deixaram de funcionar por falta de combustível e 2 minutos antes do choque foi reportada falha elétrica total, uma vez que o avião já não contava com nenhuma fonte geradora de energia.

2. Sobrepeso da aeronave

Com base na análise dos registros de gravações da tripulação, também foram detectadas falhas desconhecidas até o momento, como o fato de a aeronave ter sobrepeso de quase 400 quilos.

“A aeronave transportava um peso superior ao permitido por manuais, o que é outra descoberta que fizemos dentro da investigação”, contou o funcionário da Aerocivil. Segundo matéria da Veja, o relatório afirma que “o peso real na decolagem era de 42.148 quilos, acima da capacidade máxima, de 41.800 quilos”.

3. Certificações de Altura

Ainda de acordo com o relatório , a aeronave não estava certificado para voar acima de 29.000 pés, e mesmo assim a companhia aprovou um plano que permitia que o avião chegasse até 30.000 pés de altitude.

4. Plano de voo irregular

Havia falhas no plano de voo da viagem que levaria a equipe para Medellín, na Colômbia, onde o time disputaria a primeira partida da final da Copa Sulamericana contra o Atlético Nacional.

Segundo a Aeronáutica Civil, não havia um aeroporto alternativo para pouso no plano de voo e o combustível disponível era exatamente o necessário para o tempo de voo estimado. No entanto, o tanque do avião deveria ter uma reserva para emergência suficiente para mais uma hora e meia de voo. Tudo isso constava no documento que foi aprovado por autoridades bolivianas.

As autoridades aéreas colombianas atribuíram a culpa à Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea da Bolívia (AASANA) por ter aprovado o plano de voo da LaMia. Elas também disseram que o piloto sabia que o avião não tinha combustível extra para emergência.

Pouco antes do acidente, na última gravação durante o voo, a tripulação que levava a equipe da Chapecoense pediu para alterar a rota, devido condições meteorológicas adversas, segundo o informe preliminar.

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