MULHERES

18 momentos feministas positivos na paisagem infernal de 2016

26/12/2016 14:59 -02 | Atualizado 26/12/2016 14:59 -02

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Comecemos pelo óbvio. Para muitas mulheres, 2016 foi um pesadelo de proporções épicas.

Foi realmente um ano singular em matérias de acontecimentos deploráveis. Uma das histórias que mais fizeram manchetes foi um vídeo de dez anos atrás que veio à tona, mostrando Donald Trump gabando-se de que gosta de pegar mulheres pela vulva – e depois disso ele foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos. A desigualdade de direitos entre homens e mulheres permanece. Os direitos reprodutivos estão sendo atacados. Não é bom, para dizer o mínimo.

Porém... O ano passado também teve alguns momentos sólidos para as mulheres nos campos dos esportes, entretenimento e, sim, da política e dos direitos reprodutivos. Juramos que sim.

No espírito de deslanchar 2017 em um tom mais positivo, juntamos 18 dos melhores momentos para as mulheres que ocorreram no ano passado. E vamos seguir adiante! E, esperemos, para cima.

1. Quando Hillary Clinton foi nomeada a candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos.

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Sim, sabemos como isso terminou. Mas em julho de 2016, Hillary tornou-se a primeira mulher na história desse país a ser escolhida a candidata presidencial de um dos principais partidos políticos. E isso foi um fato histórico.

Hillary Clinton acabou perdendo o voto no colégio eleitoral, mas ganhou o voto popular por uma maioria de mais de 2 milhões de votos – outra coisa inédita para uma mulher no país--, e essa vantagem continua a crescer.

2. Quando a Suprema Corte declarou uma vitória enorme do direito ao aborto.

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No final de junho a Suprema Corte derrubou uma lei do aborto promulgada no Texas que exigia que os provedores de aborto tivessem privilégios de internação em hospitais locais e que as clínicas de aborto satisfizessem os critérios de centros cirúrgicos ambulatórios. Essas exigências tinham levado ao fechamento de metade das clínicas de aborto no Estado.

Mas, em decisão tomada por 5 a 3 votos, a Suprema Corte concluiu que a lei dificultava indevidamente a capacidade das mulheres de acessar o atendimento médico necessário. Com isso, o Supremo deu ao direito de aborto sua vitória jurídica mais importante em décadas nos Estados Unidos. O veredicto cria um precedente legal que vai fazer com que seja muito mais difícil para os parlamentares contrários ao direito ao aborto limitar os direitos reprodutivos das mulheres (apesar de seus esforços constantes nesse sentido).

3. Quando Simone Biles foi a perfeição total e absoluta.

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Simone Biles chegou à Olimpíada de 2016 sob pressão tremenda para ser, basicamente, perfeita – e ela foi. Conquistou quatro medalhas de ouro (foi a primeira ginasta americana da história a fazê-lo) e uma de bronze.

Outra coisa que Biles fez foi calar com perfeição as tentativas de descrever suas conquistas notáveis, comparando-a com astros masculinos dos esportes. “Não sou a próxima Usain Bolt ou Michael Phelps”, ela disse ao Sporting News. “Sou a primeira Simone Biles.”

4. Quando Simone Manuel tornou-se a primeira afro-americana a ganhar uma medalha de ouro individual na natação.

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Com 20 anos de idade, Simone Manuel entrou para a história olímpica ao tornar-se a primeira atleta negra a ganhar uma medalha de ouro individual na prova de natação de 100 metros, estilo livre. E ela abraçou esse marco.

“A medalha de ouro não foi apenas para mim”, ela disse durante os Jogos. “Foi para as pessoas que me precederam e me inspiraram a permanecer neste esporte. Foi para as pessoas que pensam que não vão conseguir.”

Simone Manuel saiu da Olimpíada 2016 com nada menos que quatro medalhas de ouro e foi saudada como o futuro da natação.

5. Quando o número de mulheres de origens diferentes no Senado quadruplicou.

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A noite da eleição americana foi uma derrota acabrunhante para as mulheres de uma maneira bastante óbvia, mas houve pelo menos um ponto positivo: o número de mulheres de origens diferentes no Senado americano quadruplicou, como relatou a Vox, passando de uma para quatro. A japonesa-americana Mazie Hirono, do Havaí, era a única mulher asiática no Senado, mas agora juntaram-se a ela Kamala Harris, da Califórnia (de origem africana e indiana), Catherine Cortez Masto, do Nevada (latina) e Tammy Duckworth, do Illinois (asiático-americana).

Quatro mulheres não é um número grande, mas já é alguma coisa.

6. Quando uma sobrevivente de agressão sexual expressou os sentimentos de milhões de mulheres.

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“Você roubou meu valor próprio, minha privacidade, minha energia, meu tempo, minha segurança, minha intimidade, minha confiança, minha própria voz, até hoje.”

Em junho o BuzzFeed foi o primeiro site a publicar a declaração contundente de uma jovem de 23 anos estuprada pelo ex-aluno da Universidade Stanford Brock Turner. Seu texto viralizou imediatamente.

A carta, de 7.000 palavras – que pode ser descrita como uma das declarações mais fortes já feitas sobre agressão sexual – proporcionou aos leitores uma visão franca das muitas maneiras em que um ataque sexual pode colocar a vida de quem o sofre de cabeça para baixo e de como a justiça pode deixar tremendamente a desejar.

Como Emily Doe escreveu a outras vítimas de violência sexual: “Estou com você. Nas noites em que você se sente sozinha, estou com você. Quando as pessoas duvidam ou fazem pouco caso de suas palavras, estou com você. Eu lutei por você a cada dia. Por isso, nunca pare de lutar. Eu acredito em você.”

7. Quando as mulheres tomaram de volta a palavra “desagradável”.

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No momento que possivelmente foi o mais memorável dos debates presidenciais, Donald Trump interrompeu Hillary Clinton – que estava respondendo uma pergunta sobre a previdência social – para chamá-la de “nasty woman”, que pode ser traduzido como mulher desagradável, nojenta, sórdida ou maldosa.

Quase imediatamente a hashtag #NastyWoman começou a pipocar no Twitter. Cartazes e produtos com a hashtag apareceram por toda parte, sendo abraçados pelos fãs de Hillary como a palavra de ordem feminista pela qual tinham estado esperando.

8. Quando milhares de pessoas fizeram doações à entidade Planned Parenthood – em nome do vice-presidente eleito Mike Pence.

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Depois da eleição, mais de 315 mil doações foram feitas à entidade Planned Parenthood, muitas em homenagem a Trump e Pence. (A New York Magazine divulgou em novembro que mais de 80 mil doações tinham sido feitas em homenagem a Pence, conhecido adversário da Planned Parenthood e legislador que combate o direito ao aborto.)

As doações também fizeram parte de um aumento pós-eleitoral ainda maior em doações a organizações que defendem políticas de justiça social que contrariam a pauta da chapa Trump/Pence. Por exemplo, a ACLU (União Americana de Liberdades Civis) recebeu milhões de dólares em doações. Imediatamente após a eleição, o tráfego por seu site subiu 7.000%.

9. Quando o programa de Samantha Bee estreou – e salvou todas nós.

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O programa “Full Frontal” estreou em fevereiro, fazendo de Samantha Bee a única mulher a apresentar um programa de entrevistas noturno. O humor ácido de Bee foi essencial durante a brutal campanha eleitoral – e em outubro ela se tornou a primeira apresentadora mulher de talk show noturno a entrevistar um presidente americano.

10. Quando Ibtihaj Muhammad tornou-se a primeira atleta olímpica americana a competir de hijab.

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Em um ano cheio de discursos antimuçulmanos e antimulheres, foi importante e comovente ver uma mulher muçulmana americana forte competir na Olimpíada usando hijab e uma bandeira americana em sua máscara de esgrimista. E, quando a equipe de esgrima feminina ganhou a medalha de bronze, Ibtihaj Muhammad tornou-se a primeira atleta americana a ganhar uma medalha usando hijab.

11. Quando a nadadora Fu Yuanhui admitiu que às vezes as mulheres menstruam, sim.

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Falar de menstruação ainda é um tabu, mas isso não impediu a atleta olímpica chinesa Yuanhui de comentar com franqueza sobre como é ser uma atleta de elite que também menstrua (que horror!). “Minha menstruação começou ontem à noite e estou supercansada”, disse Fu a um repórter. “Mas isso não é desculpa. Eu não nadei tão bem quanto deveria.” O comentário gerou muitas manchetes na mídia simplesmente por ser uma constatação tão direta de uma das realidades das muitas mulheres que competem nos níveis mais altos dos esportes.

12. Quando Beyoncé lançou “Lemonade”, poderosa ode às mulheres negras.

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Em abril Beyoncé lançou “Lemonade”, álbum visual de 12 faixas que colocou o feminismo negro no centro das atenções. O álbum inclui palavras de Malcolm X (“A mulher mais desrespeitada da América é a mulher negra. A pessoa mais desprotegida da América é a mulher negra.”) e gerou muita discussão entre acadêmicas e escritoras feministas. Para o The Hollywood Reporter, o álbum é “uma obra-prima de uma mulher negra para mulheres negras”. E, em dezembro, Beyoncé recebeu nove indicações ao Grammy.

13. Quando estreou a série “Insecure”, de Issa Rae.

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Em outubro houve a estreia da comédia “Insecure”, de Issa Rae, na HBO, colocando no centro das atenções a vida da mulher negra, com os altos e baixos de namoros, amizade e trabalho.

Sob muitos aspectos, a série chamou a atenção simplesmente por não chamar a atenção. “Digo que as pessoas negras não têm a chance de simplesmente serem normais, entediantes e passarem pelas coisas do dia a dia, e esta série mostra um instantâneo da vida como ela é”, disse Rae em um bate-papo ao vivo com o Huffington Post.

14. Quando Jennifer Aniston se posicionou contra a atenção implacável voltada sobre as mulheres em Hollywood (e fora dela).

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Durante o verão americano Jennifer Aniston escreveu uma carta aberta no Huffington Post criticando as especulações aparentemente intermináveis de que ela estaria grávida (“Que fique registrado: não estou grávida. O que estou é farta”, ela escreveu) e a obsessão da mídia em criticar a aparência das mulheres. Aniston não estava necessariamente escrevendo nada de novo, mas a posição que assumiu foi clara e assertiva – e encontrou eco entre muita gente.

“Somos completas com ou sem companheiro, com ou sem um filho”, escreveu a atriz. “Somos nós quem decidimos por nós mesmas o que é belo quando se trata de nosso corpo. Essa decisão cabe a nós e apenas a nós.”

15. Quando os emojis finalmente passaram a incluir hijab, amamentação e médicas mulheres.

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Durante o verão americano a Apple atualizou sua biblioteca de emojis para incluir mulheres em profissões que antes eram ilustradas apenas em emojis de homens (como medicina e trabalho na construção). E em novembro o Consórcio Unicode aprovou 56 emojis novos, incluindo uma pessoa usando hijab e uma mulher dando de mamar.

16. Quando Ilhan Omar tornou-se a primeira mulher muçulmana, americana de origem somali, a ocupar um cargo público nos Estados Unidos.

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A ex-refugiada, de 33 anos, conquistou uma vitória decisiva no Minnesota, onde foi eleita para a Câmara de Deputados estadual. Ilhan Omar nasceu na Somália e viveu em um campo de refugiados no Quênia por vários anos até imigrar aos Estados Unidos quando tinha 12 anos.

“Frequentemente nos mandam ser tudo menos corajosas, mas acho que a coragem foi importante para mim para ser candidata como pessoa jovem, muçulmana, refugiada e imigrante”, ela disse ao Huffington Post em entrevista no outono americano.

17. Quando mulheres na Polônia reivindicaram o controle sobre o próprio corpo – e ganharam.

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No outono europeu, legisladores poloneses tentaram impor uma proibição total do aborto no país – mas milhares de mulheres foram às ruas para resistir. Em protestos de grandes proporções, mulheres de 60 países participaram de uma greve nacional – e no início de outubro o partido governista rejeitou a proposta de proibição do aborto.

18. Quando o presidente Obama nos lembrou que todos os homens precisam ser feministas.

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Em um ensaio publicado em agosto pela revista Glamour, Obama apresentou as razões por que é feminista e implorou a outros homens que se unam à causa.

“É totalmente responsabilidade dos homens, também, combater o machismo”, ele escreveu. “E, como maridos, companheiros e namorados, precisamos trabalhar duro e ser incisivos na criação de relacionamentos em que homens e mulheres estejam em verdadeiro pé de igualdade.” Ao que dizemos: “Falou e disse!”.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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