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Diretora de organização humanitária e coral do Exército russo: As vítimas da queda do avião russo no Mar Negro

25/12/2016 12:57 -02
Montagem/Reuters

A Rússia está em luto pela morte de 92 pessoas a bordo do Tupolev Tu-154 que caiu no Mar Negro, próximo a Sochi, no sudeste russo, neste domingo (25).

O avião saiu de Moscou rumo a Lataquia, na Síria. Fez uma parada em Sochi para reabastecimento e, assim que decolou, desapareceu dos radares. O acidente ocorreu no início da madrugada, pelo horário de Brasília.

A maioria das vítimas integrava o coral do Exército russo conhecido como Alexandrov Ensemble.

Ao menos 60 passageiros eram cantores e dançarinos do coro oficial das Forças Armadas russas, fundado ainda na era da União Soviética.

Eles foram designados para se apresentar às tropas russas que estão na Síria no combate conjunto ao terrorismo no país. O objetivo era "entreter" aqueles que estão em zona de guerra.

O Alexandrov Ensemble tem esse histórico de levar mundo afora harmonia e serenidade com as vozes e coreografia de seus integrantes.

Em 1948, após a Segunda Guerra Mundial, Berlim recebeu a visita dos músicos do chamado "Coral do Exército Vermelho". O concerto foi organizado na zona controlada pela União Soviética.

Mais de 30 mil pessoas assistiram à apresentação do Alexandrov em uma praça coberta por flores.

Boris Alexandrov, regente da época, classificou a visita à Alemanha como "inesquecível". "Era necessário fazer um novo salto criativo: da música militar dos tempos de guerra para uma harmonia relaxante pós-guerra", explicou.

A ativista Doutora Liza

Autoridades russas confirmaram que também estava no avião militar a diretora do fundo humanitário Fair Aid, Elizaveta Glinka, ativista pela caridade.

Ela estava viajando a Latakia para entregar medicamentos a um hospital, de acordo com o Conselho de Direitos Humanos local .

O presidente do conselho, Michail Fedotov, disse ao Interfax que Elizaveta era "um milagre", "uma mensagem de virtude enviada pelos céus".

Doutora Liza, como era conhecida, devotou a maior parte de sua vida para ajudar nos cuidados paliativos a doentes, alimentar os sem-teto e arrecadar donativos para eles.

"Ela buscou as crianças doentes e feridas de Donbass (na Ucrânia, onde ocorreu uma guerra em 2014), embaixo de tiroteio, para que elas conseguissem ajuda nos melhores hospitais de Moscou e São Petersburgo", contou Fedotov.

No início deste mês, Doutora Liza recebeu uma condecoração do Kremlin por seu trabalho humanitário.

A seguir, trechos do documentário sobre a atuação de Elizaveta Glinka. O áudio é em russo e as legendas, em inglês:

Avião russo cai no Mar Negro

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