MULHERES

Maior expedição só de mulheres zarpa para a Antártida

24/12/2016 18:00 -02 | Atualizado 24/12/2016 18:00 -02

A maior expedição composta apenas por mulheres, que partiu da Argentina rumo à Antártida, com 76 cientistas a bordo, já está de volta.

Elas partiram no último dia 2, com o objetivo de “promover as mulheres na ciência e destacar o impacto da mudança climática no planeta”, o projeto Homeward Bound espera aumentar a representação das mulheres em trabalhos científicos em todo o mundo. Em janeiro, começam as inscrições para a expedição de 2018.


A cofundadora da iniciativa, Fabian Dattner, disse à Reuters que ela e sua parceira, a médica Jessica Melbourne-Thomas, decidiram lançar o projeto depois de ouvir um grupo de cientistas polares fazer piada, dizendo que os candidatos tinham de ter barba para conseguir um papel de liderança nos trabalhos científicos sobre a Antártida.

“A mensagem do Homeward Bound é a de reunir este grupo de mulheres inteligentes e capazes que não são vistas, não são reconhecidas e, em grande parte, de certa forma são colocadas de lado”, Dattner afirmou à Reuters.

Ela acrescentou que muitas cientistas na expedição já enfrentaram assédio sexual, discriminação e misoginia em suas carreiras.


Isto é o que chamamos de selfie com mochilas do Homeward Bound. Elas vieram de todas as partes do mundo, migrando de seus países rumo a #Ushuaia, #Argentina, para partida na sexta-feira. Confira depois as fotos da reunião em Ushuaia! #letsgo #2daystogo #homewardbound16 #countdown #womeninleadership #womeninSTEM #womeninscience #HBoutbounders #backpackselfie

Cada uma das 76 mulheres foram selecionadas de um grupo de mais de mil candidatas, todas com relevante experiência científica, e sua missão foi observar o efeito da mudança climática na Antártida durante a expedição de 20 dias.

Palestras, workshops de liderança e oportunidades de networking também foram realizados enquanto as cientistas estiveram em alto mar.


As expedições que o Homeward Bound planeja realizar devem ter duração de um ano, mas o programa inaugural — que focou na liderança das mulheres e atual condição do planeta — teve início em 2 de dezembro e foi encerrado no dia 21, segundo o site do projeto.

“Estamos perdendo metade da voz na mesa de liderança”, disse a cofundadora Melbourne-Thomas à BBC. “Por várias razões, pode ser difícil para as mulheres conseguirem ir à Antártida ou ao Ártico. O Homeward Bound surgiu a partir de discussões sobre esta questão... e a falta de representação das mulheres na ciência.”

There is a deep and primitive reaction to symbols amongst humans of all nations, great symbols anyway. At some level, they are universal, ancient, enduring. They are versatile, repetitive. They tell a cultural story and they tell us about our connections. Elmwood Brand Design, one of the world’s great brand companies, has donated their time to Homeward Bound because they believe so deeply in our core purpose – 1000 women with a science background supported to take their place at the leadership table, influencing decisions as they inform policy and care for our world. They have created a logo that speaks to the core of what we stand for. This logo is a deconstruction of the old symbols for men and women, it is a kiss and a hug, it is ‘X’ marks the spot. It is unique, hand drawn, an image everyone can recreate and every image is an expression of the person who made it, man or woman. And why ‘mother nature needs her daughters’? Well now, if you need me to explain this, it says it all. Warmest, Fabian #mothernatureneedsherdaughters #homewardbound

A photo posted by Homeward Bound (@homewardboundprojects) on


"Existe uma profunda e primitiva reação aos símbolos entre os seres humanos de todas as nações, grandes símbolos de qualquer maneira. De certa forma, eles são universais, antigos, duradouros. São versáteis, repetitivos. Eles contam uma história cultural e nos contam sobre nossas conexões. Elmwood Brand Design, uma das maiores empresas mundiais de marcas, doou seu tempo para o Homeward Bound porque eles acreditam profundamente em nossa principal proposta— mil mulheres com formação científica recebendo apoio para que ocupem seu espaço na mesa de liderança, influenciando decisões ao divulgar políticas e cuidar de nosso mundo. Eles criaram um logotipo que vai de encontro ao que defendemos. Este logo é uma desconstrução de símbolos antigos para homens e mulheres, é um beijo e um abraço, é um ‘X’ que marca o lugar. É único, desenhado à mão, uma imagem que todos podem recriar, e cada imagem é uma expressão da pessoa que a criou, homem ou mulher. E por que ‘a mãe natureza precisa de suas filhas’? Bem, agora, se você precisar que eu explique isso, ele [o símbolo] diz tudo. Com carinho, Fabian."

Cada participante pagou por sua viagem e acomodação, e a expedição foi financiada com fundos privados. Melbourne-Thomas explicou que a expedição partiu da Argentina porque, para sair a partir do estado australiano da Tasmânia, não seria possível sem financiamento do governo.

A viagem é particularmente importante considerando que as mulheres representam apenas 28% dos pesquisadores mundiais e são especialmente sub-representadas em cargos de alto escalão, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

“A mãe natureza precisa de suas filhas”, disse Dattner.

Não poderia haver uma afirmação mais verdadeira. As inscrições para a expedição de 2018 podem realizadas a partir de 17 de janeiro de 2017 e, de acordo com o site do projeto, centenas de mulheres já estão na lista de espera.

Que tal o projeto para empoderar as mulheres?

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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