COMPORTAMENTO

Você vai aprender que assédio nada tem a ver com elogio ao assistir este vídeo (VÍDEO)

23/12/2016 16:37 -02 | Atualizado 23/12/2016 16:37 -02
Reprodução/YouTube

Já te interromperam para falar da sua beleza?

Você já ouviu algo a seu respeito que te deixou constrangida?

Já tocaram em você sem a sua autorização ou consentimento?

Certamente se você é mulher talvez já tenha passado por alguma das situações descritas acima.

Relatar um assédio sexual não é fácil. Não importa qual a natureza dele: seja verbal ou físico, ainda há dificuldade em apontar, problematizá-lo e, principalmente, diferenciar o assédio de um elogio.

A atriz e cantora Lua Blanco, recentemente, em seu Canal do Youtube, fez um vídeo em que separa o joio do trigo: quando é um assédio e quando é um elogio?

Assédio x Elogio

Ela exemplifica:

"Em algum momento a gente separou o assédio como algo muito grave e muito explícito e todas as outras coisas entram no lugar do elogio. E agora a gente está falando mais sobre isso e começando a abrir esse leque, descobrir o que é um elogio e separar um pouco o joio do trigo."

A dominação masculina na sociedade e as diferenças banalizam comportamentos e normas entre os sexos. No machismo, é "natural" que a mulher assediada corresponda ou se cale diante da abordagem. Afinal, o pensamento dominante e que atinge muitas vezes também as mulheres é de que ela vive em função do homem e foi feita para ser "cortejada".

Lua segue o raciocínio:

"Quando eu era adolescente, eu andava na rua, em Vargem Grande, e passavam os carros e buzinavam. E eu me sentia tipo... super me achando. Eu pensava: 'Caraca, eu tô muito gatinha hoje!'. [...] Desde aquela época eu reflito sobre isso e sobre como isso se separa drasticamente de um elogio genuíno à beleza ou a alguma qualidade de qualquer mulher."

Por definição, assédio sexual é:

Todo comportamento indesejado de caráter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.

Segundo a pesquisa da campanha Chega de Fiu Fiu, da ONG Think Olga, realizada em 2013, 99,6% das entrevistadas afirmaram que já foram assediadas -- e mais de 80% não acharam legal. O sentimento em situações assim? Medo.

Pela lógica da sociedade patriarcal, se você é mulher, esse "falso direito" existe e se manifesta. É "normal", "aceitável" e "invisível" cantar uma mulher na rua, assediá-la pelas redes sociais ou até forçá-la a determinada situação.

Quando um homem se refere à voz, ao corpo, ou a alguma outra característica de uma mulher como um objeto de apreciação sexual, na verdade, ele está dizendo que ele pode usufruir disso.

A Hollaback!, ONG americana que luta contra o assédio em locais públicos pelo mundo e a Universidade de Cornell, realizou uma pesquisa que pode ser considerada como o maior estudo sobre este tipo de violência já realizado.

Segundo a pesquisa, mulheres de países como a Argentina, a Índia, o Nepal e os EUA afirmaram já ter sido agarradas, apalpadas e mudaram o percurso para casa por causa do assédio. 71% das entrevistadas afirmaram que já foram perseguidas pelas ruas. Você pode ler a pesquisa na íntegra, em inglês, aqui.

Por causa do medo que sentem de serem agredidas ou abordadas, as mulheres vivem uma rotina de medo e limitações. Elas se sentem intimidadas e, para se preservar de julgamentos, escolhem o silêncio.

Mas Lua Blanco é categórica e dá o recado:

"A cultura do estupro começa no assédio e o assédio começa no minuto em que você, mulher, se sente desconfortável. Você não está errada no seu desconforto. Se você está desconfortável é porque alguma coisa não está certa. E você tem o direito de falar sobre."

Assista ao vídeo completo:

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