MUNDO
23/12/2016 19:43 -02

'Que haja uma corrida armamentista'. O pouco que sabemos sobre os pensamentos de Trump para segurança e armas

donald trump

"Que haja uma corrida armamentista".

Esta foi a resposta de Donald Trump quando perguntado o que queria dizer sobre sua fala em sobre "reforçar e expandir" a capacidade nuclear americana, declaração feita ontem pelo Twitter.

Nesta sexta-feira (23), a rede MSNBC conversou com Trump por telefone e o indagou se ele poderia dar mais detalhes de sua mensagem no Twitter. De acordo com a emissora, a resposta foi: "Deixe que haja uma corrida armamentista. Iremos ser superiores em cada passagem e superá-los todos".

Não estava claro, até mais cedo, o que presidente eleito queria dizer. Se ele falava em modernizar o envelhecido o arsenal nuclear dos EUA ou passar a estocar mais armas nucleares.

A fala causou estranheza por surgir poucas horas depois Vladimir Putin pediu um reforço semelhante das forças nucleares russas.

O porta-voz de Trump Sean Spicer disse em entrevistas a várias emissoras de TV nesta sexta que não haverá uma corrida armamentista, pois o presidente eleito garantirá que outros países que avaliem impulsionar suas capacidades nucleares, como China e Rússia, decidam não fazer isso.

"Ele vai garantir que outros países entendam a mensagem de que ele não ficará sentado e permitirá isso", disse Spicer, nomeado nesta semana como porta-voz da Casa Branca para o presidente eleito. "E o que vai acontecer é que eles vão cair em si e ficaremos bem."

Em fala ao New York Times, Vipin Narang, cientista político do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, afirmou que frase de Trump "coloca o ônus no mundo". E estabelece a política nuclear de. Trump como destinada a coagir outros estados a tomarem medidas, mas deixa espaço suficiente para que ele possa continuar esta política "até que os porcos voem".

Panos quentes

Em entrevista coletiva de fim de ano nesta sexta, Putin disse que os comentários de Trump não foram fora de linha e que não considera os Estados Unidos como um agressor em potencial.

Em carta, Putin pediu cooperação bilateral e um "novo nível" nas relações EUA-Rússia, segundo cópia da carta divulgada pela equipe de Trump nesta sexta-feira.

"Espero que... sejamos capazes --ao agirmos de maneira pragmática e construtiva-- de dar passos reais para restaurar a estrutura da cooperação bilateral em diferentes áreas, assim como levar nosso patamar de colaboração no cenário internacional qualitativamente para um novo nível", escreveu Putin na carta datada de 15 de dezembro, segundo a equipe de transição de Trump.

Michael Flynn, o conselheiro linha dura

michael flynn

O El País classifica Michael Flynn, o escolhido por Trump para ser seu conselheiro na Segurança Nacional, como um general "islamófobo" e pró-Rússia:

Entre as muitas ideias similares que Michael Flynn e Donald Trump compartilham, três se destacam: retórica islamófoba, afinidade com a Rússia e repúdio visceral a Hillary Clinton. Flynn, um general da reserva de três estrelas e 57 anos, será o braço direito na área da segurança do novo presidente dos Estados Unidos

A Forbes, não muito conhecida por fazer um perfil mais progressista, também pareceu preocupada com a indicação de Trump:

[Antes da eleição], Flynn tweetou um link para uma história que falsamente alegava que os e-mails Clinton continham provas de lavagem de dinheiro e crimes sexuais com crianças, entre outras atividades ilegais. O novo conselheiro de segurança nacional chamou o artigo com notícias falstas de "leitura obrigatória" e instruiu seus seguidores: "Você decide".

"Se o conselheiro de segurança nacional vai ser o canal direto entre o presidente e o mundo da segurança nacional, é claro que é uma preocupação que esse conselheiro esteja sendo levado por teorias de conspiração e notícias falsas", disse Tom Nichols, da US Naval War College, em Newport, Rhode Island, onde Flynn obteve um mestrado em segurança nacional e estudos estratégicos em 2001.

A Vox, assim como o El País, também fala em proximidade com Putin. E ressalta um trecho do livro, Field of Fight, escrito pelo militar e lançado recentemente:

Esta administração [Obama] nos proibiu de descrever nossos inimigos de forma adequada e clara: eles são radicais islâmicos. Eles não estão sozinhos e estão aliados com países e grupos que, embora não sejam fanáticos religiosos, compartilham seu ódio pelo Ocidente, particularmente pelos Estados Unidos e Israel. Esses aliados incluem a Coréia do Norte, Rússia, China, Cuba e Venezuela.

'Sou esperto'

Nos últimos dias, Trump também questionou a credibilidade do serviço de inteligência dos EUA, após a CIA concluir que a Rússia interferiu no processo eleitoral do último dia 8 de novembro.

Trump também afirmou que vai dispensar encontros diários com agentes de segurança, e que deve delegar essa tarefa para o vice-presidente ou outro membro de sua equipe. Segundo o milionário, a frequência dos relatórios é muito alta e o seu conteúdo repetitivo.

"Sou esperto", explicou o presidente.

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