NOTÍCIAS

Contra estigma da Lava Jato, partidos querem mudar a embalagem

23/12/2016 21:36 -02 | Atualizado 23/12/2016 21:36 -02
Jamil Bittar / Reuters
President of Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) Michel Temer (3rd R) speaks during the national political convention of the Party in Brasilia March 11, 2007. REUTERS/Jamil Bittar (BRAZIL)

Principais alvos da Operação Lava Jato, o PMDB, o PP e o PT procuram uma forma de se desvincular dos danos causados pela investigação na imagem dos partidos. Mudar o nome, a logomarca, se refundar e escrever uma nova cartilha de conduta são as principais estratégias em curso.

O PMDB, por exemplo, estuda voltar a se chamar MDB, de Movimento Democrático Brasileiro, como era na época da ditadura e foi usado entre 1966 e 1979. A logo do partido também perderia a chama de fogo em cima do M.

Oficialmente, a ideia é solidificar como um “movimento”, algo que seria maior que um partido, com regras rígidas de conduta e um plano fixo de futuro para o País.

"Voltar ser MDB resgata uma tradição, uma história, uma origem, que é muito importante para o povo brasileiro. Se o MDB antigo fez a redemocratização do País, o MDB novo pode fazer a reconstrução social e econômica do País”, afirmou o presidente da legenda, senador Romero Jucá (PMDB-RR), em novembro, ao anunciar a ideia.

As mudanças, contudo, são apontadas como uma alternativa para frear a previsão de esvaziamento da legenda. Um deputado da legenda contou ao HuffPost Brasil que, em reunião da bancada, foi apontada uma previsão de eleição de apenas 40 deputados em 2018. A sigla hoje tem o maior bloco da Casa com 66 deputados.

Há ainda um forte movimento de saída de peemedebistas que querem fugir da marca do partido para disputar as próximas eleições. Entre 15 e 20 deputados estão conversando com outras legendas; os principais procurados são o PDT e o PSB. Os caciques dessas legendas também estão com a expectativa de absorver petistas.

Dentro do PT, há uma corrente que defende que o partido seja fundado novamente. “Nosso conteúdo é bom, nossa bandeira progressista é boa, é a pauta da esquerda, mas condutas negativas dentro da legenda levaram a uma criminalização da marca, não do conteúdo”, disse ao HuffPost Brasil o secretário nacional de assuntos institucionais do PT, o deputado federal Reginaldo Lopes (MG).

A mudança do PT incluiria trocar a marca, os símbolos e redigir uma cartilha de conduta com punição rígido a condutas irregulares.

PP

O PP também estuda voltar a se chamar PDS, Partido Democrático Social. A ideia é resgatar a história e se reassociar à legenda que teve os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor de Mello no seu quadro.

Embora tenha quase metade dos deputados investigados na Lava Jato, o PP não associa a mudança à operação e diz que a ideia é defendida por poucos integrantes.

Ao HuffPost Brasil, o deputado Esperidião Amin (PP-SC) explicou que os integrantes do PP envolvidos no esquema não são protagonistas da operação. “São casos isolados de um ou outro que supostamente receberam recursos”, minimizou.

Podemos

Até partidos que não estão diretamente ligados ao esquema traçam estratégias para se reinventar em contraponto à alta rejeição aos partidos políticos.

O PTN passou a adotar o nome Podemos. Embora seja homônimo do partido de esquerda espanhol, o Podemos brasileiro se identifica principalmente com as causas consideradas de direita na economia e no social, com a ampla defesa da família tradicional formada apenas pela união entre homem e mulher.

A ideia, entretanto, é apostar nas redes sociais para se aproximar do eleitor. O público são aqueles que foram aos protestos em 2013 contra a corrupção e a falta de transparência e de representatividade na política.

LEIA TAMBÉM:

- 'Papai está preso': Revista de luxo ensina como lidar com crianças com pais presos na Lava Jato

- Pesadelo dos políticos brasileiros, Delação do Fim do Mundo chega ao STF

- Lula, 5 vezes réu. Estas são as acusações que pesam contra o ex-presidente