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Aeronáutica nega homofobia no ITA: 'Qualquer militar seria punido pelas transgressões de Talles'

22/12/2016 10:56 -02 | Atualizado 22/12/2016 10:56 -02
Reprodução/Youtube

Após as denúncias do estudante Talles de Oliveira Faria sobre homofobia no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a Aeronáutica esclarece que o engenheiro não foi vítima de "retaliação" devido a sua orientação sexual.

Em nota enviada ao HuffPost Brasil, a assessoria da Força Aérea rebateu a lista de 20 provas de Talles de que a Aeronáutica é homofóbica.

"O ITA tem alunos militares e civis, sendo que enquanto o segundo grupo participa estritamente da formação acadêmica, o primeiro cumpre atividades militares e, portanto, subordinado às regras específicas para os militares", explica a Aeronáutica.

Até fevereiro de 2016, Talles pertencia ao primeiro grupo e, portanto, deveria seguir o regulamento do ITA para os militares.

"Cabe ressaltar que as transgressões cometidas pelo então aluno são passíveis de punição e se aplicariam a qualquer militar. Mais importante ainda é salientar que a abertura dos processos de apuração de transgressão disciplinar nada tem a ver com a sua orientação sexual, mas sim com a conduta e atitudes assumidas pelo Engenheiro Talles, as quais sujeitariam qualquer militar à punição."

Entre as trangressões previstas nos regulamentos militares, estão a apresentação do uniforme desalinhado e a utilização indevida dele. É o que Talles se queixava por não poder usar maquiagem ou a roupa que desejava.

Além disso, a Aeronáutica nega perseguição ao aluno pelo uso pessoal das redes sociais:

"A conduta inadequada nas redes sociais, ocasiões nas quais desrespeitou símbolos nacionais e relacionou a Instituição a assuntos político-partidários, sexuais e religiosos, foi também objeto de apuração, no entanto, o engenheiro Talles não sofreu punição por este motivo. (...) Sobre o suposto monitoramento de mídias sociais, não há uma busca ativa pelos perfis dos alunos. Contudo, pelas próprias características dessas mídias, publicações de alta repercussão acabam se tornando de conhecimento da chefia de qualquer organização e podem ser levadas em consideração na apuração de um processo disciplinar, como acontece inclusive em organizações civis."

A nota explica que foi o próprio Talles quem requereu, por vontade própria, o licenciamento da atividade militar no início deste ano. A "decisão uniliateral" visaria a garantir a permanência dele no ITA, "uma vez que as diversas transgressões disciplinares que cometeu levariam a um comprometimento de sua avaliação como militar".

Assim, Talles cumpriu os últimos meses no ITA como aluno civil. Segundo a Aeronáutica, o estudante aprovou as condições de estudo no local, a despeito do protesto em sua formatura:

"Outro aspecto a ser salientado é o fato de o engenheiro Talles ter entrado com requerimento para a realização de mestrado no ITA, o que comprova que ele considera a escola um ambiente satisfatório para suas futuras atividades acadêmicas e desenvolvimento profissional."

Em sua manifestação, Talles trocou a beca por vestido vermelho e salto e usou maquiagem e cabelos descoloridos para receber seu diploma de engenheiro da computação.

Escritas atrás de seu vestido de formatura, as palavras dirigidas ao ITA foram: "Excelência em machismo, falsa meritocracia, elitismo, homofobia".

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