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O desabafo de Merkel: 'Será difícil suportar se imigrante foi autor de ataque terrorista'

20/12/2016 09:59 -02
REUTERS/Hannibal Hanschke

Prestes a concorrer a seu quarto mandato, a chanceler alemã Angela Merkel se depara com um ataque terrorista, reconhecido assim por ela nesta terça-feira (20), cujo responsável pode ser um imigrante. O atentado pode colocar em xeque a política de braços abertos para refugiados na Alemanha defendida por ela.

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas após um caminhão invadir uma feira de Natal em Berlim.

Merkel é uma das principais lideranças europeias que defendem o acolhimento de perseguidos políticos e fugitivos de guerra. Ao abrir as portas para receber até 500 mil refugiados por ano, tornou-se alvo de críticas ferrenhas dos opositores e da extrema-direita alemã.

"Sei que seria especialmente difícil para nós suportarmos caso seja confirmado que a pessoa que cometeu este ato [terrorista] era alguém que buscou proteção e asilo [aqui]", disse Merkel nesta manhã. Só no ano passado a Alemanha recebeu solicitação de asilo de 1,1 milhão de migrantes.

O suspeito do ataque é um jovem paquistanês que seria refugiado pela rota dos Balcãs. A imprensa alemã informa que ele chegou ao país no início deste ano e teria morado em um alojamento de refugiados em Berlim.

O jovem de 23 anos negou ser autor do ataque, de acordo com o canal de TV alemão N-TV.

Este não foi o primeiro atentado deste ano na Alemanha.

Em julho, um homem-bomba sírio que seria deportado para Bulgária detonou bomba próximo a um festival de música em Ansbach, na Bavária, no sudeste da Alemanha.

Nesse mesmo mês, um adolescente abriu fogo em Munique, matando 9 pessoas, e um rapaz ligado ao Estado Islâmico atacou passageiros de um trem com faca e machado, em Würzburg, na Bavária.

Na época, Merkel não relutou em abrir mão de suas convicções e políticas para refugiados.

"O medo não pode ser guia para as ações políticas", disse.

Nesta terça, a chanceler afirmou que o responsável pelas mortes na feira de Natal será punido "com o rigor da lei" e todos os detalhes do caso serão esclarecidos.

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