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Sem sinais de rebeldia: Donald Trump é ratificado presidente pelo Colégio Eleitoral dos EUA

19/12/2016 21:04 -02 | Atualizado 19/12/2016 21:04 -02

donald trump

Donald Trump tomará posse no dia 20 de janeiro de 2017 e será o 45° presidente dos Estados Unidos.

A informação, no entanto, ainda que não é oficial. É que o Congresso americano precisa fazer a contagem dos votos do Colégio Eleitoral, apontados nesta segunda-feira (19). Mas são formalidades apenas, que ficam, inclusive, para o próximo ano.

Segundo o The New York Times, o bilionário do setor hoteleiro - e tantos outros ramos - teve os votos necessários ratificados. Com alguns Estados ainda contando votos, Trump tinha obtido 304 votos no colégio eleitoral e Hillary, 169. Eram necessários 270.

Havia, desde a eleição de 8 de novembro, a expectativa por conta de democratas e demais americanos contrários a Trump, de que o colégio eleitoral "se revoltasse" contra o republicano. O que não saiu dos ensaios.

A votação no Colégio Eleitoral americana é vista normalmente como uma formalidade. Mas na eleição mais polarizada em décadas, o evento tornou-se mais uma extensão da imensa queda de braço entre democratas e republicanos.

Isso também porque a distância entre Hillary Clinton - a derrotada no sistema de Colégio Eleitoral - e Trump foi enorme nos votos populares. A ex-secretária de Estado teve vantagem de 2,8 milhões entre os eleitores americanos.

O Colégio Eleitoral

Um candidato precisa assegurar 270 votos para ganhar no Colégio Eleitoral. Trump levou 306 na eleição de 8 de novembro.

O número de eleitores do Colégio Eleitoral é igual ao número de deputados e senadores do Congresso, e cada Estado tem uma cota aproximadamente proporcional ao tamanho de sua população.

Quando os eleitores vão depositar seus votos para presidente, eles na verdade estão escolhendo uma lista preferencial de um candidato presidencial para seu Estado.

Ao todo 24 Estados têm leis que buscam impedir os integrantes do colégio de mudar de voto, mas, de forma ocasional, eles podem mudar de opção. O mais recente episódio do tipo se deu em 2004. Desde 1900, houve somente oito mudanças no Colégio Eleitoral, cada uma numa eleição diferente.

O resultado da votação do colégio eleitoral será conhecida no dia 6 de janeiro, quando os votos serão contados pelo Congresso dos Estados Unidos. Em uma hipótese de o colégio eleitoral decidir por não aprovar a eleição de Trump, a decisão caberia aos parlamentares.

Sem surpresas

“Eu não acho que você deve esperar uma surpresa em 6 de janeiro”, afirmou Robert Erikson, cientista político da Universidade de Columbia, dizendo que seria improvável que integrantes republicanos, muitos deles com laços firmes com o partido, se rebelassem. “Se isso está sendo trabalhado, está sendo uma conspiração secreta”, afirmou Erikson.

A controvérsia em torno da votação do colégio eleitoral advém do fato de Trump não ter vencido com maioria dos votos populares e também pelas escolhas que já fez para o seu gabinete, que desagradam até mesmo os republicanos.

Um delegado do Texas manisfestou-se publicamente dizendo que votaria contra a orientação (Trump venceu no estado) e "em favor de sua consciência".

Protestos contra o 'amigo' russo

donald trump

Eleitora protesta com o sinal com o total de votos Hillary Clinton, a vencedora no voto popular

No Texas, na Pensilvânia e na Carolina do Norte manifestantes pediram que os delegados impeçam a vitória de Trump, deixando a decisão para o Congresso do país. Geralmente os delegados seguem a orientação do partido que venceu no estado e somente referendam o resultado.

Nestas eleições, parte da opinião pública protesta e pressiona os delegados com petições eletrônicas em favor da mudança de voto do colégio eleitoral. Em uma delas, mais de 4 milhões de norte-americanos pediram que o colégio eleitoral mude o voto e decida não eleger Trump.

Mas a conclusão de agências de inteligência dos EUA de que a Rússia invadiu os emails do Comitê Nacional Democrata na tentativa de fazer a eleição pender para Trump levou os democratas a exortarem alguns membros do Colégio Eleitoral a não votarem de acordo com a escolha popular de seus Estados.

Os emails vazados revelaram detalhes de alguns dos discursos pagos de Hillary a Wall Street, desavenças dentro do partido e críticas internas sobre o uso que a candidata fez de um servidor de emails privado quando era secretária de Estado. As revelações provocaram reportagens constrangedoras e levaram algumas autoridades do partido a renunciar.

Trump e sua equipe rejeitam as alegações de inteligência sobre uma interferência russa, acusando os democratas e seus aliados de tentarem minar a legitimidade de sua vitória eleitoral.

As autoridades russas têm negado as acusações de interferência no pleito.

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Com informações da Reuters