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18/12/2016 13:55 -02

Ônibus que socorreriam sírios em Aleppo são incendiados durante resgate

Reuters

Horas depois de diversos ônibus serem enviados para retirar doentes e feridos das vilas de al-Foua e Kefraya, - bloqueadas pelos rebeldes sírios - os veículos foram atacados e incendiados pelos insurgentes. Mesmo com o ataque, alguns dos ônibus, assim como veículos da organização humanitária Crescente Vermelho, conseguiram chegar à entrada dos lugarejos.

A retirada dos moradores das vilas faz parte do acordo fechado neste sábado que permitiu a retomada do processo de evacuação de milhares de civis e combatentes das últimas áreas no Leste da cidade síria de Aleppo dominadas pelos rebeldes, que foi interrompido na última sexta-feira.

A mídia estatal da síria informou neste domingo que “terroristas armados” - termo usado para se referir aos rebeldes rivais ao presidente Bashar Al Assad - atacaram e incendiaram cinco dos ônibus, destruindo os veículos. Em contraponto, os oficiais rebeldes disseram que uma multidão, apoiada por forças pró-governamentais, são responsáveis pelo ataque.

Um morador da área, por sua vez, informou à agência de notícias Reuters que o ataque não foi feito pelo grupo anteriormente conhecido como Frente Nusra, que anteriormente havia afirmado não concordar com a evacuação das duas vilas, cujos habitantes são xiitas.

O ataque aos ônibus que seguiam para al-Foua e Kefraya coloca em risco o reinício da retirada dos moradores do Leste de Aleppo, último reduto rebelde na cidade síria onde vários ônibus começaram a entrar neste domingo para a evacuação.

Milhares de civis com fome e em meio ao frio aguardaram durante a noite por uma saída que havia sido adiada por novas divergências entre o regime sírio e os rebeldes. No último reduto insurgente, cercado pelo exército sírio, a espera era insuportável para dezenas de feridos que sobreviviam em condições extremamente precárias.

Enfermos e feridos que estão em hospitais da região estavam encostados no chão, sem água ou comida. O edifício contava com um aquecimento mínimo, apesar da temperatura de seis graus abaixo de zero durante a noite.

Na última sexta, o principal obstáculo para a saída dos civis de Aleppo era uma divergência sobre o número exato de pessoas que deveriam deixar Fua e Kafraya, duas localidades xiitas controladas pelo regime e cercadas pelos rebeldes na província vizinha de Idlib, Noroeste da Síria.

egundo o acordo alcançado entre Turquia, que apoia os rebeldes, e Rússia e Irã, aliados do regime, esta retirada deveria coincidir com a de Aleppo. Mas os rebeldes aceitaram permitir a saída de 1.500 pessoas de Fua e Kafraya, enquanto Teerã reclama a saída de 4.000.

Nesta tarde de domingo, o Conselho de Segurança da ONU votará uma a proposta do governo da França que pretende enviar observadores a Aleppo para supervisionar a retirada de civis e informar sobre sua proteção. O Conselho se reunirá às 11h locais (14h de Brasília) para examinar o rascunho de resolução apresentado pela França, apesar da oposição da Rússia, aliada do governo sírio e que tem poder de veto no organismo.

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