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Com a fronteira fechada, cerca de 100 brasileiros tentam sair da Venezuela por Roraima

18/12/2016 16:10 -02
Anadolu Agency via Getty Images
LA FRIA, VENEZUELA - DECEMBER 17 : People carry cans of food and bottles of drinks as they loot a food warehouse during a protest in La Fria, Tachira, Venezuela, on Saturday, Dec. 17, 2016. (Photo by Carlos Becerra/Anadolu Agency/Getty Images)

Cerca de 100 brasileiros estão tentando sair da Venezuela pela fronteira com Roraima, segundo o vice-consulado do Brasil em Santa Elena de Uairén, cidade de divisa entre o estado brasileiro e o País.

Ao G1, o vice-cônsul do Brasil em Santa Elena, Claudio Bezerra, disse que o número de pessoas que procuram ajuda é impreciso, mas há notícias de 100 brasileiros.

"Eles estão preocupados pois estão sem dinheiro, não tem moeda circulando e não há comida”, afirmou.

Segundo ele, o Itamaraty tenta articular uma solução com as autoridades venezuelanas para que esses brasileiros retornem.

A fronteira da Venezuela com o Brasil e a Colômbia está fechada desde terça-feira (13) até 2 de janeiro por determinação do presidente Nicolás Maduro.

A intenção de Maduro é combater “máfias” que entram no país para desestabilizar a economia local.

Protestos

Após protestos no sábado (17), o governo venezuelano também decidiu suspender a retirada da nota de 100 bolívares.

O fechamento das fronteiras também tem intenção de evitar que notas de 100 que haviam sido tiradas do país por grupos ilegais voltassem ao mercado.

Essas notas, oficialmente desativadas desde quinta-feira e que valem apenas 4 centavos de dólar à taxa de câmbio do mercado negro, podem agora ser usadas até 2 de janeiro, disse Maduro.

Muitos venezuelanos estavam sem meios para pagar alimentos, gasolina ou preparativos de Natal em um país que tenta se recuperar de uma profunda crise econômica.

Cerca de 40 por cento dos venezuelanos não têm contas bancárias e, portanto, não podem usar transações eletrônicas como alternativa ao dinheiro.

Somando-se ao caos, a Venezuela tem a maior inflação do mundo, o que significa que grandes sacos de dinheiro devem ser usados para pagar por itens básicos.

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