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Prefeitura de São Paulo pede desculpas a vítimas da ditadura: 'Não esqueceremos'

16/12/2016 15:30 -02 | Atualizado 16/12/2016 15:30 -02
fora do eixo

Prestes a deixar a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad publicou um pedido oficial de desculpas nesta sexta-feira (16), em nome da cidade, às vítimas das violações aos direitos humanos cometidas por seus agentes durante a ditadura militar.

O pedido é uma resposta ao relatório da Comissão da Memória e Verdade municipal. Após dois anos e três meses de trabalho, o grupo formado em 2014 listou 36 recomendações para nortear ações de reparação das vítimas do regime militar e a consolidação de instrumentos a fim de evitar que violações parecidas venham a ocorrer.

"Este pedido de desculpas destina-se a todos aqueles e aquelas que deram suas vidas para o restabelecimento da democracia no Brasil. Aos que foram perseguidos, presos, torturados, assassinados por ação direta ou indireta da municipalidade e aos que tiveram seus corpos ocultados em valas clandestinas em cemitérios públicos municipais', diz o texto publicado no Diário Oficial da cidade.

Entre 1969 e 1976, foram sepultados em quatro cemitérios da cidade, como indigentes, 47 opositores do regime assassinados pela repressão. Com a cooperação da Prefeitura, esses corpos foram enterrados sem o conhecimento de suas famílias, sob nome falso e 17 permanecem desaparecidos.

A prefeitura também dirige-se a familiares "cuja luta incansável permitiu que pudéssemos avançar localmente na garantia do direito à memória e à justiça"e a servidores que sofreram coação, constrangimento, demissão por razões políticas ou que tiveram o direito à manifestação suprimido.

"Embora esse ato jamais possa reparar os danos imateriais imensuráveis causados, representa ainda assim um gesto simbólico no sentido de reconhecer as responsabilidades do Estado brasileiro, em todas as esferas, na repressão a seus opositores e de caminhar rumo à uma cidade mais justa e democrática. Não esqueceremos!", diz o documento.

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