ENTRETENIMENTO

David Shurmann diz que ausência na lista do Oscar não desmerece 'Pequeno Segredo'

16/12/2016 12:04 -02 | Atualizado 16/12/2016 12:04 -02
Divulgação

Novamente o Brasil ficou fora da disputa por melhor filme estrangeiro no Oscar.

Pequeno Segredo, de David Shurmann, ficou fora da lista de nove produções estrangeiras que a Academia de Hollywood divulgou na noite de ontem, quinta-feira (15).

David Shurmann, diretor do longa, se manifestou nas redes sociais e disse estar "feliz e orgulhoso" com a trajetória que o filme construiu até agora, independente de ser indicado à premiação ou não.

Ele disse:

"Isso não desmerece o Pequeno Segredo, tampouco as demais obras que não conseguiram ficar na relação dos pré-indicados da categoria este ano, entre eles, sucessos de crítica e público, como Neruda (Chile) e Elle (França), ou, em edições anteriores."

E completou:

"A vida segue em frente com Pequeno Segredo emocionando e conquistando milhares de brasileiros com sua história de amor incondicional. Por fim, agradeço imensamente o carinho e a torcida do público e dos colegas que apoiaram a campanha de Pequeno Segredo!"

Em sua publicação no Facebook, Shurmann ainda exaltou produções nacionais que também almejaram chegar ao Oscar nos últimos anos.

Entre eles, Som Ao Redor, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e Que Horas Ela Volta.

A última vez que o Brasil teve um filme na disputa foi em 1999, com Central do Brasil.

Na lista de filmes estrangeiros pré-selecionados que podem entrar na disputa pelo Oscar 2017 estão:

Tanna de Bentley Dean e Martin Butler (Austrália), It’s Only the End of the World de Xavier Dolan (Canadá), Land of Mine de Martin Zandvliet (Dinamarca), e Toni Erdmann de Maren Ade (Alemanha).

Completaram a seleção The Salesman de Asghar Farhadi (Irã), The King’s Choice de Erik Poppe (Noruega), Paradise de Andrei Konchalovsky (Rússia), A Man Called Ove de Hannes Holm (Suécia), e My Life as a Zucchini de Claude Barras (Suíça).

Destes filmes, cinco longas-metragens serão indicados e anunciados junto com os demais candidatos às diferentes categorias do Oscar em 24 de janeiro.

Assim como Pequeno Segredo, os elogiadíssimos Elle, de Paul Verhoeven, escolhido pela França, e o chileno Neruda, de Pablo Larraín, ficaram de fora. Nenhum filme da América Latina passou para a fase final.

A polêmica

O drama Pequeno Segredo foi indicado pelo Brasil para tentar uma vaga na disputa pelo Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro. O anúncio foi feito por uma comissão do Ministério da Cultura (MinC).

O longa desbancou outros 15 inscritos, incluindo o favorito à vaga, Aquarius, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Na época, a derrota de Aquarius para Pequeno Segredo foi recebida com críticas nas redes sociais. Especula-se que essa teria sido uma represália da equipe do governo de Michel Temer (PMDB) ao filme.

Após a notícia de que Pequeno Segredo está fora da competição, a polêmica voltou à tona e críticas ao Ministério da Cultura pela indicação do filme no lugar de Aquarius voltaram a ser feitas:





Sucesso de crítica e com distribuição vendida para mais de 50 países, o Aquarius vem enfrentando percalços no Brasil desde sua exibição no Festival de Cannes, em maio.

Kleber Mendonça Filho e parte do elenco fizeram um protesto contra o impeachment da hoje ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Eles se referiram ao processo como um “golpe” - mostrando placas à imprensa, gerando repercussão internacional.

Assista ao vídeo abaixo:


Em entrevista ao jornal O Globo, na manhã desta sexta-feira (16), David Shurmann rebateu as críticas e disse que a questão que se criou em torno da escolha de Pequeno Segredo e não de Aquarius nada tem a ver com o fato de o filme ter ficado de fora da lista:

"Os americanos, nesta fase da votação na Academia, nunca ouviram falar da "polêmica". Então, não, não afetou. É muita arrogância pensar que o mundo estaria de olho nessa polêmica, isso foi algo local. Como sempre, o Oscar é uma caixa de surpresas"

Pequeno Segredo narra a história de uma órfã e três mulheres que compartilham um segredo. A trama é inspirada na irmã adotiva do cineasta, Kat Schurmann, portadora do vírus HIV e morta em 2006. No elenco estão Julia Lemmertz, Maria Flor, Fionnula Flanagan, Marcello Antony, Erroll Shand e Mariana Goulart.

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