COMPORTAMENTO
16/12/2016 13:25 -02

4 idosos que se empoderaram com a tecnologia

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Moradores do Lar dos Velhinhos, José Pires e José Herculano da Silva provaram as delícias da tecnologia

“Se você não acompanhar o meio em que a gente vive, você não faz nada. Não tenho condições de pegar livro por livro para chegar a uma conclusão em uma pesquisa, por isso eu uso a tecnologia.”

A fala acima é de José Herculano da Silva, 86, aposentado que vive no Lar dos Velhinhos de Campinas, no interior de São Paulo. Ele se refere ao uso de celular e computador – ferramentas utilizadas por ele há pouco tempo para pesquisar sobre ópera, astronomia e medicina tradicional chinesa - seus assuntos prediletos.

Qualquer idoso que consiga desenvoltura ao manusear um smartphone com tela touchscreen merece os parabéns: Afinal, eles nasceram e cresceram em uma época cujo contexto tecnológico e cultural era completamente diferente.

Há muitas dificuldades no caminho do idoso que decide se integrar ao mundo tecnológico, onde os jovens marcam presença.

No entanto, ao aprender a usar essas ferramentas, os idosos se “empoderam”. "Eles se tornam pessoas mais independentes, produtivas, práticas no dia a dia e socialmente interativas", explica a terapeuta ocupacional e pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Taiuani Marquine Raymundo.

“A dificuldade que eu tive foi superada com a experiência do passado”, conta Silva, cujas referências de tecnologias são as de outrora, em entrevista ao HuffPost Brasil. “Eu aprendi fuçando, mas pedindo socorro aos amigos também. Um curso que eu fiz me ajudou.”.

Além das pesquisas feitas pelo Google, Silva usa a internet para conversar com a família e amigos pelo WhatsApp e mandar e receber emails pelo Yahoo!.

José Pires, 89, outro aposentado do LVC, adora usar a Netflix para ver séries. Recentemente, ele assistiu a The Crown e começou 24 Horas.

Pires gosta de pesquisar sobre química, ler notícias no Estadão, conversar com pessoas pelo Skype, trocar emails e ouvir música – principalmente jazz e bossa nova. Ele só se incomoda com a quantidade de “baboseiras” na internet.

“Os computadores e os celulares são para a juventude, principalmente, que consegue absorver isso tudo com facilidade”, conta.

“Quando eu era jovem, não tinha isso. Não tenho a mesma base que eles, essa é a verdade.”

Pires diz que entende bem como usar aquilo de que ele precisa, e nada além disso.

Embora tenha enfrentado dificuldades para usar os aparelhos, ele acredita na importância que essas tecnologias têm e como eles tornaram seu dia a dia mais prático.

“A internet é uma maravilha. O que você quiser, você acha", opina. “A juventude, que tem mais recursos que nós, só precisa ter mais critérios no uso.”

Já José Roberto Trolesi, 61, aposentado de São Paulo, começou a usar o smartphone faz apenas um ano. “Foi o presente de um filho, mas eu não sabia usar”, conta.

Apesar de ser o oposto de seus irmãos, que têm gosto e desenvoltura para usar computadores, ele conseguiu durante esse período aprender a “mexer razoavelmente bem”.

“Eu uso o WhatsApp, o YouTube e estou fazendo umas aulinhas de inglês com um aplicativo.”

Trolesi até hoje tem dificuldades para mexer no smartphone, fica “meio bravo” às vezes, mas já criou gosto pela coisa.

“Atualmente, é aquele negócio: se você não sabe mexer no celular, é analfabeto digital.”

A especialista da UFPR diz que a chave para isso acontecer está, principalmente, no apoio de jovens, principalmente os da família, para que idosos aprendem a usar as tecnologias atuais.

“Ensiná-los é nossa forma de retribuir o conhecimento que eles já aprenderam e passaram a nós”, diz. “Assim eles exploram mundos que, sem a tecnologia, não seria possível explorar.”

Reaproximação

Uma adorável história compartilhada recentemente nas redes sociais é exemplo de como a tecnologia pode aproximar ajudar um idoso a se aproximar da família, mesmo que à distância.

Designer de Nova York, Jin Lee fez o vídeo abaixo, no qual ele explica como seu pai, um senhor rabugento de 75 anos que mora no Brasil, voltou a desenhar para se comunicar com os netos, Arthur e Allan, que se mudaram para a Coreia. Com receio de morrer e não aproveitar a companhia das crianças tanto quanto gostaria, ele foi convencido de que poderia deixar desenhos para os netos. Hoje, o pai de Jin registra seu dia a dia em lindas aquarelas postadas no Instagram.


Muitas das artes que o pai de Jin Lee podem ser vistas como cartões de aniversário, por exemplo, além de observações sobre o cotidiano no Brasil. Veja abaixo:


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