COMPORTAMENTO

Estes 5 relatos provam que a tecnologia tem outro significado para quem namora à distância

15/12/2016 16:12 -02 | Atualizado 15/12/2016 16:12 -02

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"Nunca esperava ser tão próxima de uma pessoa tão distante."

Talvez esta seja a frase mais comum entre aqueles que se dispõem a cultivar e viver um relacionamento à distância. Em outras épocas, as cartas eram os principais meios de comunicação. Quem nunca se emocionou ao receber ou ler um texto apaixonado?

Hoje, as tecnologias tornaram o diálogo imediato e o compartilhamento instantâneo, e mesmo com a pessoa do outro lado do oceano, o(a) parceiro(a) consegue se fazer presente por meio até de ligações em vídeo. Mas nem sempre foi assim.

Com a popularização da internet nos anos 2000, as redes sociais começaram a ganhar força. De lá pra cá, nós temos gastado cada vez mais horas do dia interagindo com pessoas e trocando informações.

Você lembra quando só se postavam fotos nos fotologs? Ou quando você finalmente conseguia adicionar aquela pessoa no ICQ? E depois, quantas indiretas foram feitas no subnick do MSN? Quantas chamadas de atenção você quis dar para que a resposta viesse mais rápido? Quantos scraps você simplesmente não apagou porque eram daquela pessoa? Ou quantos topos dos "depoimentos" você lutou para que permanecesse com seu testimonial?

Orkut, Facebook, Instagram, Snapchat, Viber, Messenger, Skype, Facetime, Tinder... Todos esses nomes podem te lembrar alguém ou alguma história. Mas para quem tem um relacionamento à distância elas ganham um significado especial: são esses aplicativos e redes sociais que permitem que o relacionamento dure (e aconteça, de fato). E não há nada de Black Mirrornisso.

O HuffPost Brasil ouviu cinco histórias de casais que lidam ou já lidaram com a diferença de fusos horários, quilômetros a mais e encontraram na tecnologia uma grande aliada do amor.

1. Déborah de Deus conheceu seu marido, Victor Tuba, em 2005, no MSN

Desde então, passaram por mudanças de cidades, muitos interurbanos e chamadas de vídeo até o casamento ser concretizado:

"Na minha história de vida, tanto no meu relacionamento, quanto com os meus amigos e a minha família, a tecnologia fez muita diferença. Ela realmente nos aproximou. Morei em muitas cidades e pude de alguma formar estar 'perto' dessas pessoas. Eu conheci o Victor pelo MSN em 2005. Na época, eu morava em Brasília e ele, em São Paulo. Como a gente não se conhecia pessoalmente, a gente só trocava mensagens por lá e no Orkut. Depois disso, ficamos namorando à distância por quatro anos. Nessa época o MSN já estava mais evoluído e passávamos a madrugada inteira montando quebra cabeça via vídeo. A gente combinava de se falar sempre à noite. Cheguei a levar bronca do meu pai, porque peguei o celular dele e fiz uma ligação interurbana que durou a madrugada inteira. Acho que na época a ligação custou uns 300 reais! Os celulares não tinham tanta interatividade, então a gente dependia das ligações."

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2. Davi Sant'Ana é de São Paulo e namora Felipe Fonseca há dois anos, que estuda em Florianópolis

"A gente se conheceu no Tinder, começamos a sair, e depois de seis meses a gente começou a namorar em 2014. No início de 2016 ele foi estudar em Florianópolis e foi assim que começou o nosso namoro à distância. Para mim, os principais desafios de ter um relacionamento assim é que a gente acaba não participando muito na vida do outro. A gente acaba mudando muito e não tem como acompanhar da maneira como deveria. Além da saudade que é constante. No nosso caso, a gente se fala o dia todo pelo Messenger do Facebook, eu só uso o Whatsapp de vez em quando. O Skype a gente costumava usar mais no começo.

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A tecnologia é essencial. É o jeito de acompanhar a pessoa o tempo todo. Claro que muitos casais que moram na mesma cidade acabam se falando por esses aplicativos. Mas para quem está namorando à distância essas ferramentas ganham um novo significado. Você tem que separar um tempinho para ficar online e conversar com a pessoa. É como se fosse o momento que vocês marcassem de sair. Então muda, né. Mesmo que muitos casais passem o dia conversando, eu acho que a distância cria esse significado, porque os aplicativos são a única ponte que você tem com a pessoa."

3. Ana Luisa Leão mantém um relacionamento com o francês Vincent Degura

Eles se conheceram em Portugal, passaram um final de semana inesquecível no país, e desde que ela voltou para o Brasil eles continuam com o relacionamento:

"Foi bem triste quando o fim de semana terminou. A gente achou que nunca mais ia se ver. Eu fiquei arrasada: tinha conhecido uma pessoa incrível que nunca mais veria na vida. Ele mora na França e eu no Brasil. Tinha sido tudo tão intenso e, no final, deixou um vazio enorme. A gente começou a trocar mensagens de texto via SMS mesmo porque na França eles não usam muito o WhatsApp. Mesmo muito longe a gente estava sempre conectado, mandando fotos e conversando sobre tudo. Até que ele me ligou via vídeo e aí nunca mais paramos de nos falar olhando um para o outro. Fazemos isso todos os dias há 5 meses. Eu vejo ele, ouço a voz dele e é como se ele estivesse do meu lado.

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A tecnologia ajuda muito nesse sentido. Eu estou em um engarrafamento e ele me liga. Ele está na casa dos amigos e eu consigo falar com ele e com os meninos. Eu só fico pensando que a tecnologia precisa melhorar ainda mais para facilitar a vida de outros casais. Em meio a tudo isso, a gente combinou de se ver. Ele veio para o Brasil, passamos três semanas juntos e agora eu vou para Paris ficar três semanas lá. Combinamos tudo pelo Facetime. Eu acho que se não tivesse a tecnologia, eu não mergulharia tanto de cabeça em um relacionamento como esse sem poder ouvir, ver e falar com tanta frequência. Quando você está em um relacionamento você quer a presença do outro, você quer compartilhar. Então, é importante você ter a certeza de que se eu vou mandar uma mensagem, ele vai me responder. Não é que eu vou escrever uma carta que vai demorar. A comunicação é rápida."

4. Júlia Rocha mantém um relacionamento com o espanhol Carlos Daniel* desde 2014

Para ela, as tecnologias permitem momentos que reafirmam o sentimento de que "mesmo vivendo o cotidiano separados, levamos um pouquinho do outro junto."

"Se não fosse a tecnologia nunca conseguiria ter um relacionamento à distância. Sou muito do olho no olho, e acho que se você não participa da vida de uma pessoa, vai perdendo os vínculos, a intimidade e o relacionamento acaba virando uma coisa sem sentido. E foi aí que a tecnologia me ajudou sem querer. Mesmo voltando para o Brasil, foi tão fácil e natural manter o contato, que esses vínculos só se fortaleceram. Poder falar com a pessoa sem ter hora mesmo ela estando super distante é reconfortante. Mas, ao mesmo tempo, vejo como desvantagem a dependência que passamos a ter da tecnologia. Para alguns, chega a acontecer de deixar de viver o real, de sair com amigos para ficar em frente ao computador.

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Tem que saber separar e dosar as coisas, porque querendo ou não, ao olhar em volta não estamos com a pessoa e não podemos deixar de viver por causa disso. Promover encontros, ter uma perspectiva de futuro, sim, mas não ser refém disso tudo. No meu caso, não há uma cobrança para que a gente se fale todos os dias. Às vezes ficamos dias sem nem ao menos trocar uma mensagem, mas sempre acontece naturalmente um momento de ligações super longas ou mensagens saudosas que fazem ter a certeza de que, mesmo vivendo o cotidiano separado, levamos um pouquinho do outro junto."

5. Giovanna Borges está casada há dois meses com o francês Amine Shaïmi

"Eu estava fazendo intercâmbio em Oxford e conheci o Amine, que fazia um estágio na escola em que eu estudava. Eu pensei em não investir em um cara que estava só de passagem. Mas, com a convivência, ficou claro que nós dois nos gostamos muito. Quando ele foi embora da cidade, continuamos conversando na mesma intensidade pelo Whatsapp e pelo Skype.

Nos encontramos mais duas vezes naquele período antes de eu voltar para o Brasil. A gente percebeu que a nossa relação era muito especial, mas que apesar disso tinha essa enorme distância. E aí, o que fazer com isso? Sabíamos que uma hora ia ter fim. Ele sempre falava que daria certo, mas a gente nunca tinha tido uma conversa de fato, simplesmente fazíamos o que podíamos.

A gente passou o ano de 2014 inteiro sem se ver pessoalmente, apenas trocando mensagens e fazendo ligações via vídeo. Em 2015 nos reencontramos. Este ano, eu voltei para a França e decidimos ficar juntos. Nos casamos.

Falando assim pode não parecer, mas desde que nos conhecemos em 2013 não ficamos um dia sem nos falar. Graças à tecnologia. Acho que os principais desafios são entender que você tem que confiar na pessoa e separar um tempo para se dedicar a ela. Além disso, aprender que você não vai ter a companhia dela sempre.

Eu fiz aniversário, meu cachorro morreu, fiz várias viagens e queria ele comigo. Mas não dava. O grande dilema é você se conformar com a situação que é ruim, apesar da tecnologia, e lutar para sair dessa posição. Eu me conformei que eu teria 2 anos de relacionamento à distância, o vi pessoalmente três vezes em dois anos e meio. Mas hoje estamos morando juntos e nos casamos. Foram muitas selfies, muitos vídeos e muito Skype. A tecnologia não supre a falta de beijo, abraço e sexo. Mas permite que a gente faça parte da vida da pessoa, mesmo longe."

giovana

*O nome foi alterado a pedido do personagem.

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