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Em vídeo, órfãos sírios fazem apelo: 'Por favor, nos tirem de Aleppo'

15/12/2016 13:54 -02 | Atualizado 15/12/2016 13:54 -02

"Nós temos medo dos ataques aéreos... Por favor, nos tirem de Aleppo. Nós queremos viver como qualquer outra pessoa".

Esse emocionante apelo foi feito por um grupo de crianças que vive em um orfanato em Aleppo, na Síria. A cidade está sob ataque das tropas do governo de Bashar Al Assad, mas as maiores vítimas do conflito são os civis, encurralados em uma área de pouco menos de um quilômetro quadrado.

Nesta semana, a ONU denunciou um "colapso total da humanidade" no país, e a morte de mais de 80 pessoas, que foram executadas pelas tropas do governo. Em meio a vídeos de despedida de moradores de Aleppo, também surgiram relatos de que mulheres estariam se suicidando, temendo serem estupradas pelas tropas de Assad.

O vídeo das crianças - que aparecem todas juntas, com roupas de inverno - foi divulgado pela Aleppo Today TV, um canal independente de TV. De acordo com a NPR, 47 crianças vivem no orfanato, e estão presas na cidade.

"Claramente, em Aleppo atualmente, as crianças estão entre as vítimas mais vulneráveis do conflito. É de partir o coração, imaginar dezenas de crianças que perderam seus pais, desesperadamente querendo encontrar segurança". afirmou a porta-voz da Cruz Vermelha, Anna Nelson.

Retirada

A operação para retirar milhares de civis e combatentes do último bastião rebelde de Aleppo está em andamento nesta quinta-feira (15), apesar de um ataque a um comboio médico levado a cabo por forças pró-governo.

Enquanto ônibus e ambulâncias seguiam para o enclave sitiado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que os esforços para retirar cerca de 200 feridos, parte de um acordo mais amplo de cessar-fogo, começaram.

A Rússia, grande aliada do presidente sírio, disse que a remoção de 5.000 rebeldes sírios e seus familiares do leste de Aleppo teve início.

Mais cedo, ambulâncias que tentavam levar pessoas receberam disparos de combatentes leais ao governo sírio que feriram três pessoas, segundo o porta-voz de um serviço de resgate.

A retirada do último enclave rebelde de Aleppo irá encerrar anos de combates na cidade e marcar uma grande vitória para Assad.

"Milhares de pessoas estão necessitadas de evacuação, mas a primeira e mais urgente das coisas são os feridos, os doentes e as crianças, inclusive órfãs", disse Jan Egeland, o representante humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria.

Uma testemunha da Reuters na parte da cidade controlada pelo governo disse que colunas de fumaça negra podiam ser vistas emanando da área controlada pelos rebeldes.

Os moradores que esperam ser retirados vêm queimando os pertences que não conseguem levar consigo e que não querer deixar para ser pilhados por forças governamentais.

"Do lado de fora de cada edifício você vê uma pequena fogueira, papéis, roupas femininas", disse um local à Reuters.

Soldados russos estão se preparando para conduzir os insurgentes para fora de Aleppo, informou o Ministério da Defesa em Moscou. A Síria garantiu a segurança destes e de suas famílias, que serão levados a Idlib, cidade do noroeste sírio que Damasco não controla.

A Rússia irá usar drones (aeronaves não tripuladas) para monitorar rebeldes e parentes sendo transportados em ônibus e ambulâncias ao longo de um corredor humanitário, informou o ministério.

O acordo de retirada irá incluir a passagem segura de feridos dos vilarejos xiitas de Foua e Kefraya, próximos de Idlib, que estão sitiados pelos insurgentes, de acordo com uma unidade militar de mídia do Hezbollah, grupo libanês ligado a Assad.

Um comboio partiu para liberar os vilarejos nesta quinta-feira, relatou a mídia estatal síria.

(Com informações da Reuters)

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