NOTÍCIAS
14/12/2016 12:58 -02

Guardião dos direitos humanos, Dom Paulo Evaristo Arns morre aos 95 anos

MAURICIO LIMA via Getty Images
SAO PAULO, BRAZIL: (FILE) Brazilian Cardinal Dom Paulo Evaristo Arns seen, 06 March 2001 in Sao Paulo, Brazil. Dom Paulo, an international recognaized 'Human Rights Fighter' said 13 April 2005, that the next Pope will be elected among candidates from Europe or the USA. AFP PHOTO/Mauricio LIMA (Photo credit should read MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images)

Conhecido pela atuação na luta pelos diretos humanos e contra ditadura militar, morreu nesta quarta-feira (14) o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo, aos 95 anos.

Ele estava internado desde o fim de novembro no Hospital Santa Catarina em decorrência de uma broncopneumonia. O estado de saúde piorou e ele teve de ir para a UTI por causa de dificuldades na função renal.

Em nota, o arcebispo metropolitano, Dom Odilo Scherer, afirmou em Arns “entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”. O velório será na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Na década de 1970, Dom Evaristo Arns notabilizou-se na luta pelo fim das torturas e restabelecimento da democracia no país. Integrou o movimento "Tortura nunca mais" e foi um dos escritores do livro "Brasil nunca mais". Denunciou a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini.

Em 1972 criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e, como presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderou a publicação do “Testemunho de paz”, documento com fortes críticas ao regime militar.

Também atuou contra a invasão da PUC em 1977 e teve papel importante em favor das vítimas da ditadura na Argentina.

Entre os anos 60 e 70 foi bispo e arcebispo de São Paulo, época em que atuou Zona Norte da cidade, onde desenvolveu inúmeros projetos voltados para a população de baixa renda. Em 1985, criou a Pastoral da Infância, junto com a irmã, Zilda Arns, que morreu no terremoto de 2010 no Haiti.

Quinto de 13 filhos de imigrantes alemães, o arcebispo nasceu em 1921 em Forquilhinha, Santa Catarina. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939, e iniciou seus trabalhos como líder religioso em Petrópolis (RJ). Formou-se em teologia e filosofia e cursou Letras na Sorbonne, em Paris, onde também concluiu seu doutorado.

LEIA TAMBÉM

- Para comandante do Exército, 'malucos' defendem intervenção militar

- Intimado a explicar 'piadas' racistas, Danilo Gentili diz que investigação lembra a ditadura