ENTRETENIMENTO

'A Bela e a Fera' e o feminismo imperfeito da Disney

Como Bela mostrou o caminho para as heroínas de hoje dos desenhos animados.

14/12/2016 14:30 -02 | Atualizado 28/03/2017 19:42 -03
COLLECTION CHRISTOPHEL ALAMO STOCK PHOTO DISNEY

Olhando do alto da montanha de Elsa e Moana, parece ridículo que Ariel e Bela pudessem ter sido consideradas independentes, duronas e feministas pelo público da Disney. Mas as coisas mudam rápido no mundo do entretenimento infantil.

Ariel e Bela são do tempo da minha infância. Tinha 10 anos quando saiu Mulan– não velha demais para assistir e adorar, mas velha o suficiente para que o filme viesse depois da minha fase de princesas.

Quando vieram A Princesa e o Sapo, Enrolados e Valente, eu já não estava na faixa etária alvejada pela Disney.

Quando estava me apaixonando pela Pequena Sereia e A Bela e a Fera, obviamente não estava comparando os filmes com Mulan ou Frozen – esses filmes ainda não tinham sido lançados. Estava os comparando com A Bela Adormecida (nhé), Cinderela (hmmm...) e A Branca de Neve (não).

É fácil, e muitas vezes válido, criticar o feminismo de filmes como A Bela e a Fera depois de algum tempo. Vinte e cinco anos depois seu lançamento, crianças ainda assistem ao filme, absorvendo mensagens de valor duvidoso, enquanto o contexto social mudou, e existem vários outros filmes com heroínas independentes e sem bagagem.

O filme é um manifesto feminista? Essa afirmação parece forçada. É uma peça de propaganda antimulheres? Não está claro.

Mas não sou imparcial. A Bela e a Fera é o único filme que lembro de ser só meu, numa fita VHS. Eu amava.

Meu pai preferia Ariel, a heroína de A Pequena Sereia (que estreou em 1989, um ano depois de eu nascer), mas eu não estava nem aí: quem poderia preferir uma sereia quieta e obcecada com meninos diante de uma camponesa inteligente e autoconfiante?

Meu lugar favorito era a biblioteca pública da minha cidade e, como minha avó pode confirmar orgulhosa, eu era uma criança teimosa e cheia de opiniões; me separar dos meus livros ou pedir para eu guardar minhas opiniões para mim era batalha perdida.

Quando Bela entra na biblioteca brilhante do palácio da Fera, com suas estantes altíssimas contendo livros para mais de uma vida inteira de leitura, minha cabeça girava com visões românticas de uma menina que cresceu e hoje em dia segue contas de Instagram como "bookshelfporn" (pornô de estantes de livros).

Em seu livro recente In Defense of the Princess: How Plastic Tiaras and Fairytale Dreams Can Inspire Strong, Smart Women (em defesa das princesas: como tiaras de plástico e sonhos de contos de fada podem inspirar mulheres fortes e inteligentes, em tradução livre), Jerramy Fine descreve sensações parecidas.

"O que me encanta nesse filme? Aquela biblioteca. Quando a Fera mostra aquelas paredes repletas de livros até o teto, meu coração palpita, como o dela. E, embora as pessoas na cidade de Bela façam piada com a sede constante dela por conhecimento, amo que ela continua sendo uma estudiosa convicta."

Alguns críticos afirmam que Bela raramente aparece lendo no filme – e que, diferentemente da versão do conto de fadas original, escrito por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont em 1756, os interesses literários de Bela tendem para a ficção frívola.

A luta feminista para tornar Bela mais que uma simples Bela

Ainda assim, essa versão de Bela, que passa mais tempo ensinando a Fera a comer mingau de colher do que curtindo aquela biblioteca cheia de livros, só apareceu graças a um esforço determinado.

Pelo menos é o que diz Linda Woolverton, que assumiu o roteiro de A Bela e a Fera em 1988 depois de várias versões de outros roteiristas, incluindo Jim Cox (Oliver e sua Turma) e Gen LaRoy (O Mundo Maravilhoso das Cores de Walt Disney).

Uma das versões, dos animadores britânicos Richard e Jill Purdum, foi descartada em 1988 porque os executivos a consideraram sombria demais. Escolhida por Jeffrey Katzenberg, na época o responsável pela área de cinema da Disney, para refazer o roteiro, Woolverton ajudou a transformar o tranquilo conto-de-fadas francês em um musical vivo, com uma heroína determinada. Bela, diz Woolverton, foi baseada em parte na personagem de Katherine Hepburn em Little Women, de 1933.

"A luta de Woolverton para transformar Bela em um novo tipo de heroína Disney foi exatamente isso – uma luta", escreveu Eliza Berman na revista Time em maio de 2016. O roteiro dela sofreu mudanças de cair o queixo:

"Em uma cena, por exemplo, Bela está pregando alfinetes em um mapa, indicando todos os lugares que gostaria de conhecer. Quando chegou a hora de fazer os storyboards, a cena tinha virado Bela na cozinha, decorando um bolo. Woolverton protestou, e chegou-se a um acordo: Bela apareceria com a cara enfiada num livro.

O passatempo era considerado passivo demais para render boa animação; é por isso que ela sempre lê andando."

Roger Allers, supervisor da história do filme, disse ao The Huffington Post que não se lembra desse conflito sobre o bolo.

"Se aconteceu, deve ter sido antes de eu me envolver com o filme", disse ele, por email. Ele viu outro motivo para as revisões no roteiro lembradas por Woolverton: "Acho que a tensão que existia entre Linda e a equipe da história tinha a ver com a experiência prévia dela de escrever sozinha, em comparação com o trabalho colaborativo que é tradição na Disney.

Lá, o roteiro, e todas as ideias visuais, tudo está sujeito a revisões, com o objetivo de se chegar à melhor maneira de contar a história. Nada é sagrado." Nem sequer um desejo idealista de mostrar uma princesa buscando realização fora da cozinha ou da lavanderia.

Algumas críticas feministas de A Bela e a Fera apontam corretamente que as meninas sem sal da cidade são um contraponto para a beleza e inteligência de Bela – a implicação é que ela seria a única mulher que valeria a pena.

"Um tema comum dos filmes de princesa da Disney é uma personagem principal isolada das outras mulheres, uma rosa em meio às ervas daninhas", observa Mari Rogers, responsável pelo Tumblr Feminist Disney, em email ao The Huffington Post.

Mas há evidências de que A Bela e a Fera na verdade fugiu um pouco desse modelo. Uma tática frequente dos filmes anteriores da Disney, até A Pequena Sereia, era colocar a heroína em oposição direta à uma vilã mais velha:

Ursula, a madrasta da Cinderela, a rainha cruel de Branca de Neve e a bruxa de A Bela Adormecida.

A adaptação de Richard e Jill Purdum para "A Bela e a Fera", que se passa na França em 1709, tem uma personagem assim – a irmã de Maurice, que, como no conto original, é um comerciante pobre. Você pode ver os storyboards animados dos primeiros 20 minutos da versão de Purdum:

Além de uma irmã mais nova para Bela, o filme mostrava sua tia odiosa, que vai morar com seu irmão Maurice, então um homem rico, para ajudá-lo a cuidar da família -- e explorá-lo financeiramente. Quando Maurice perde tudo, sua irmã fica cada vez mais descarada em suas tentativas de arrancar dinheiro de sua família e de seu irmão agora pobre.

Nessa versão, Gaston é um pretendente rico com quem a tia quer que Bela se case para ter acesso a uma nova fonte de dinheiro.

Depois de descartado esse roteiro, Woolverton pressionou por uma versão em que os interesses e as qualidades pessoais de Bela tivessem mais destaque -- e, incidentalmente, uma versão sem uma vilã padrão.

Uma bela garota circulando pela cidade com um livro de amor, livre de amigas ou parentes mulheres, não parece exatamente material de revoluções feministas – mas, para que consideremos isso um avanço, precisamos apenas comparar Bela com os rascunhos anteriores dos criadores de Disney, sem falar de outras heroínas que passam a maior parte de seus filmes dormindo, sem voz ou dedicando-se sem queixas à monotonia da vida doméstica.

A Bela da Disney não foi uma demolição dos arquétipos de princesa, mas pequenos progressos ainda são progressos.

Woolverton parece bem consciente do poder das pequenas mudanças. "Se você retratar meninas e mulheres nesses papéis que nunca vimos antes", disse ela à Time, "vira uma regra para as gerações mais novas".

Será que a Disney poderia passado diretamente de Aurora, a heroína quase sonolenta de A Bela Adormecida, para Merida de Valente ou para a corajosa Elsa de Frozen? Ou a normalização de Ariel, Bela e Mulan era necessária para fazer uma heroína mais robusta e determinada parecer não apenas normal, mas a regra?

O problema da Fera

Talvez a mensagem mais preocupante de A Bela e a Fera, para muitas críticas feministas, não esteja na própria Bela, mas sim na Fera, com sua sedução de força bruta. Em um e-mail para o The Huffington Post, a escritora Peggy Orenstein criticou "a idéia de que a mulher certa" consegue "um homem bestial, abusivo e perturbado e transformá-lo num príncipe".

Orenstein, autora de Cinderella Ate My Daughter: Dispatches From the Front Lines of a New Girlie-Girl Culture (Cinderela comeu minha filha: despachos do front de uma nova cultura de meninas-menininhas, em tradução livre), apontou que as histórias de amor de Bela e Ariel contêm lições inquietantes para as meninas sobre como as mulheres encontram parceiros e estruturam suas vidas.

O papel de Bela como anjo vitoriano da casa é "uma mensagem insidiosa para as meninas, quase tão insidiosa quanto a idéia, na versão da Disney de A Pequena Sereia, segundo a qual uma mulher desistiria da própria voz para conseguir um homem.

É um simbolismo perturbador". Rogers observa que a Disney realmente amplificou essa dinâmica no desenho animado. "No conto original, o ponto inteiro da história é que a aparência assustadora da fera não corresponde à sua atitude, que é consistentemente gentil e doce."

São dois pontos negativos para os filmes de princesa de Disney depois do seu renascimento. Esse tipo de desenho voltou a fazer sucesso após um hiato de 30 anos, provocado pela má recepção para A Bela Adormecida de 1959.

Será que essa mensagem potencialmente tóxica sobre o romance apaga os ganhos das princesas mais ambiciosas e independentes?

Rogers não mede suas palavras sobre os riscos da narrativa. "A história de amor neste filme é uma das mais perturbadoras dos filmes de princesa e bastante regressiva", escreveu ela.

'"[A Fera] é verbalmente abusiva -- e usa sua estatura para intimidá-la." Além disso, argumentou ela, "o aprisionamento adiciona uma dupla camada de choque à situação. A Fera perpetua esse conceito do 'cara legal': se você conseguir se manter na companhia de uma mulher tempo o suficiente, ou mostrar para ela o suficiente de si mesmo, a mulher acabará se apaixonando por você".

Fine, por outro lado, resiste a condenar os filmes -- incluindo a relação Bela/Fera. O romance seria um retrato da síndrome de Estocolmo entre um captor e sua vítima subjugada, ou de um ciclo de relacionamento abusivo?

"Acho isso forçado e batido", disse ela ao HuffPost por e-mail. "Porque a verdadeira história de amor neste conto é sobre duas pessoas marginalizadas que encontram consolo uma na outra."

Na Fera, Fine vê um homem que nunca teve a chance de amar e aceitar a si mesmo: "Assim como uma criança que ouve sem parar que é inútil começa a acreditar nisso, a Fera sempre foi tratada como um monstro e depois um tempo começou a agir como tal", escreveu ela. "Bela é a primeira pessoa em sua vida a enxergar além dessa imagem."

Enquanto isso, argumenta Fine, Bela tem mais agência do que simplesmente uma prisioneira vítima do pensamento distorcido. "O afeto de Bela por ele não é uma condição mental irracional; em vez disso, ele se manifesta quando ela percebe que os dois são mais parecidos do que diferentes (ambos são estranhos, compartilham os mesmos valores, o mesmo amor por livros, etc.)"

Woolverton também descarta o argumento de que a relação representa síndrome de Estocolmo. "Ela foi capturada, mas ela o transformou", disse Woolverton ao IGN no início deste ano. "Ela não virou um objeto."

Segundo a lente pró-tiara da Fine, as mensagens de empoderamento brilham em todas as narrativas de princesa (até mesmo na maldita "Bela Adormecida"). "Acredito que todos os filmes de princesa da Disney e os contos de fadas clássicos em que eles se baseiam estão capacitando as mulheres", explicou ela, "se deixarmos de vê-los com uma lente misógina e os enxergarmos como são: narrativas reais do poder feminino e do heroísmo".

A opinião de Fine sobre o romance de Bela com a Fera é um ângulo reconfortante para os fãs, e há uma lógica interna que provavelmente terá apelo junto às mulheres que cresceram com o filme -- embora, claro, aí esteja a insídia da mensagem.

"Somos apenas dois malucos esquisitos e ninguém nos entende ou ao nosso amor" é um ideal delicioso para um relacionamento, como sabe a maioria dos adolescentes; mas também pode mascarar problemas sérios. (Por que seus amigos parecem tão pouco à vontade com seu namorado?

Talvez vocês sejam dois sonhadores que encontraram compreensão apenas um no outro -- ou talvez seus amigos tenham notado que ele te trata como merda.) Essa narrativa pode nos permitir minimizar o comportamento abusivo em nome de uma história de amor única e especial.

O comportamento inicialmente chocante da Fera em relação a Bela "não deveria ser aceitável apenas porque ela 'escolheu' ficar (não que tivesse muita opção) ou porque expressou seu descontentamento com ele (e depois ele mudou)", argumenta Rogers.

Observando o envolvimento das crianças da demografia de A Bela e da Fera com esses filmes, porém, é difícil entender se as idéias prejudiciais sobre o romance realmente têm impacto. Quando eu era uma pequena fã de Bela, a Fera mal figurava na minha fantasia de princesa -- eram as estantes de livros de três andares, as lindas roupas e uma menina na tela que parecia muito parecida comigo (só que muito mais velha e com olhos do tamanho de pires) que me interessavam.

Será que a dinâmica abusiva entre Bela e a Fera tem impacto real sobre os jovens fãs?

Brittney Lee Hamilton, que trabalhou para a Disney e agora intepreta princesas para uma empresa especializada em festas, disse ao HuffPost que as meninas geralmente prestam mais atenção ao vestido e à cor do cabelo e querem mais se identificar com as heroínas do que acompanhar a história de amor.

"Elas entendem [que Bela e a Fera têm] um relacionamento romântico", disse Hamilton. Mas, em termos de saber se estão realmente analisando os detalhes da história de amor, ela está menos certa.

"Assistindo aos filmes agora, como mulher", disse Hamilton, "você vê as mensagens ... que são sobre aparência e [...] sobre por quem você se apaixona, isso é o que faz a sua vida.

Nós enxergamos isso, mas acho que as crianças, não". Ela também reconheceu que ela e seus colegas tentam rebater ativamente as mensagens prejudiciais que as crianças podem receber de filmes de princesa, como o fato de que meninas deveriam se preocupar principalmente com roupas e maquiagem, ou que encontrar e se casar com um príncipe é o objetivo final da vida.

Mas a aceitação de um romance baseado em comportamento insalubre, sem falar na idealização do amor e do casamento heterossexual, pode estar se infiltrando mesmo assim, por mais que as crianças pareçam impermeáveis ou, no mínimo, desinteressadas.

Pode significar que as narrativas da Disney não tenham impacto tão direto e claro como, digamos, o de Crepúsculo, voltado para adolescentes que estão começando descobrir seu gosto por romance.

As leitoras da saga dos jovens vampiros tendem a se derreter por um namorado como frio e carnívoro como Edward Cullen.

Mas mulheres que se referem especificamente à Fera como seu companheiro ideal são, na minha experiência, raras – embora possam cair na mesma categoria que as fãs de Edward Cullen: um filme preparando as mentes das meninas para um certo tipo de parceiro muito antes de elas terem idade para se preocupar com amor.

OK, isso é bastante específico, mas vale a pena questionar se os relacionamentos idealizados, mas abusivos, retratados no entretenimento para crianças muito jovens podem levá-las a abraçar a mesma dinâmica em seu entretenimento e em suas vidas reais, à medida que envelhecem.

Um estudo publicado este ano sugeriu que os filmes de princesa da Disney de fato têm influência sobre as meninas pequenas --

"Quanto mais as meninas do estudo se envolveram com a cultura das princesas, mais elas se comportaram de formas estereotipicamente femininas", de acordo com os pesquisadores. Quanto a efeitos positivos sobre as meninas de assistir os filmes? O estudo não identificou nenhum.

Tirando a histórias de amor dos contos de fadas

Se as crianças não se importam muito com os arcos românticos dos filmes, e os valores apresentados em seu entretenimento podem influenciar suas mentes jovens e maleáveis, surge uma pergunta óbvia: por que fazer histórias de amor para o entretenimento infantil, para começo de conversa? Além do desejo compreensível de que elas também despertem o interesse dos adultos?

Deixar as histórias de amor de fora é uma estratégia que a Disney parece ter abraçado com seus filmes recentes – até mesmo os de princesas -- como Aisha Harris, da Slate, apontou em uma recente resenha de Moana, um novo filme de animação que apresenta uma garota polinésia em uma viagem mística de autodescoberta.

"Foi Frozen, em 2013, que marcou um ponto de virada para a forma como a Disney conta – e vende -- suas histórias", escreve Harris.

Um pouco antes, Valente (2012), tinha abandonado o formato clássico de conto de fadas para contar a história de uma jovem princesa aventureira e seu relacionamento com sua mãe; em Frozen, a versão completamente livre de romance abraçou por completo Hans Christian Anderson, e o resultado foi um sucesso estrondoso.

(Mesmo que você ache que não sabe nada sobre Frozen, provavelmente sabe metade da letrade Let It Go, a música mais conhecida do filme.)

"O príncipe-charmoso-que-virou-vilão e a irmandade à frente do romance hétero pareceram revolucionários no contexto de um conto de fadas Disney ", escreve Harris.

Mas isso foi em 2013, quando o feminismo estava atingindo o mainstream. No início dos anos 1990, a imagem parecia muito diferente. "A Bela e a Fera" foi apenas o segundo filme de animação da Disney desde o flop de A Bela Adormecida, um filme sobre uma mulher que é mais bem descrita como "bonita" e "em um coma induzido por magia".

É difícil conceber, hoje, roteirista que lute para incluir no filme uma cena com uma protagonista mulher que não faça nada além de tarefas domésticas; pareceria irremediavelmente arcaico. Mérida é arqueira; Mulan e Pocahontas, apesar de todas as falhas de seus respectivos filmes, são um uma guerreira e uma mulher que ama a vida junto à natureza.

Tiana, de A Princesa e o Sapo, provavelmente vai estar na cozinha, mas só porque seu sonho é abrir um restaurante. Perguntei a Hamilton, que interpreta personagens como Ariel e Bela, qual é a personagem de maior demanda hoje em dia. Elsa, disse ela. "As personagens de Frozen dominam."

Woolverton, que chama os primeiros filmes da princesa da Disney de "reflexo da cultura" em uma entrevista com a EW, enfatizou que se preparar para escrever uma heroína mais feminista em Bela foi difícil.

"Você tem de entender que toda a idéia da heroína vítima é parte da receita, especialmente na Disney." Mas ela se diz satisfeita com como o filme. "Quero dizer, você só avançar um tanto. Olhe para todas as princesas da Disney antes dela." Bela "tem uma mente aberta e independente. Ela adora ler e explorar o exterior.

Mas mesmo assim, todos os dias era uma batalha fazer isso acontecer", afirma Woolverton. "Cada frase dela foi uma batalha."

Pequenos passos adiante

Esse tipo de abordagem incrementalista, como nos lembra uma certa eleição recente, pode ser irritante para aqueles que querem mudanças. Mudança ao longo de 25 anos parece uma concessão insuficiente -- por que não lutar por uma mudança total, de uma vez?

Ou então joguemos for a máquina de princesas da Disney princesa e construamos uma utopia de entretenimento infantil feminista em outro lugar. Mesmo quando há progresso, ele tomar a forma de um passo para frente, dois passos para trás. Retratos mais recentes de Bela, argumentou Orenstein, enfatizam sua beleza, não seu cérebro. Sobre um redesenho de 2012, ela escreveu: "Sua aparência vai de franca a flertadora, de nobre a gatona."

bela

A versão original de Bela e a princesa redesenhada em 2012.

Olhando para os últimos 25 anos da Disney, no entanto, algumas coisas ficam claras. Primeiro, um gigante de mídia experiente como a Disney é demasiadamente pervasivo e persistente para desmoronar, especialmente se estiver disposto a mudar para atingir jovens consumidores mais igualitários e socialmente consciente.

Segundo, investir em mudanças incrementais pode ser irritante no curto prazo, mas ainda produz resultados impressionantes no longo prazo.

Rogers expressou a esperança de que um filme de ação, com atores, seria capaz de melhorar o original profundamente problemático. Por um lado, sugeriu ela, seria ótimo se Bela pudesse ter interesses além de viagens e romances. "O fato de que seu pai é inventor (em uma pequena cidade provincial -- quais são as probabilidades?!) é intrigante", disse ela ao HuffPost.

A propósito: no início de novembro, Emma Watson, que interpretará Bela no filme, ofereceu um teaser sobre o retrato do personagem: "Sim", disse ela à EW, "transformamos Bela em inventora."

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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