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14/12/2016 15:50 -02

5 coisas que pessoas com insônia crônica gostariam que você soubesse

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Perguntamos a nossos leitores que sofrem de insônia crônica o que eles gostariam que as pessoas soubessem sobre sua luta. Veja o que eles nos disseram.

A insônia é o transtorno de sono mais conhecido; segundo estimativas, afeta até 10% dos americanos.

Ela se caracteriza simplesmente pela dificuldade em adormecer ou em continuar dormindo. Para quem sofre de insônia crônica, isso significa pelo menos três noites por semana com problemas de dormir, numa situação que se arrasta por pelo menos três meses consecutivos.

Mas se você nunca passou por isso, provavelmente não entende realmente a sensação de sofrer de insônia.

“São noites que se arrastam e são tremendamente angustiantes”, disse Susan Rutigliano, 32 anos, de Nova York, falando ao Huffington Post. Ela sofre de insônia desde os 17 anos de idade.

“Noites em que você fica sozinha com seus pensamentos, com o cansaço extenuante, só esperando o sol nascer para você poder se arrumar para ir ao trabalho e passar o dia inteiro se sentindo um lixo.”

Os especialistas em medicina do sono prescrevem um tipo específico de psicoterapia para ajudar as pessoas com insônia.

Existem também vários medicamentos aprovados para ajudar as pessoas com insônia (se bem que tenham uma série de efeitos colaterais desagradáveis e às vezes assustadores).

Mas isso não significa que o caminho para noites mais repousantes seja tranquilo para as pessoas que sofrem de insônia crônica, nem quer dizer que as terapias funcionem para todos.

“As pessoas podem ficar atoladas no ciclo de não dormir bem, algo que pode se prolongar por décadas se não for tratado”, disse Philip Gehrman, professor adjunto de psicologia no Programa de Medicina Comportamental do Sono da Escola Perelman de Medicina, da Universidade da Pensilvânia, falando anteriormente ao HuffPost.

Outras fatores que podem causar e/ou perpetuar a insônia incluem condições neurológicas, dor crônica, alergias, problemas gastrointestinais, ansiedade, depressão ou hábitos de sono pouco saudáveis – por exemplo, tirar sonecas em horários irregulares, dormir em horários irregulares, usar computador ou olhar para outras telas iluminadas antes de dormir, beber álcool ou cafeína em excesso perto da hora de dormir.

Perguntamos aos membros de nossa comunidade no Facebook do HuffPost Lifestyle que sofrem de insônia o que gostariam que todas as outras pessoas soubessem sobre como suas noites intranquilas afetam suas vidas. Veja o que disseram:

1. A insônia afeta todos os aspectos do cotidiano da pessoa.

“É um problema realmente deprimente”, disse Rutigiliano. “A insônia afeta todos os aspectos do nosso dia a dia.”

“Mesmo hoje, apesar de minha insônia estar de modo geral sob controle, ainda passo noites sem dormir de vez em quando. Descobri que minha melhor defesa consiste em seguir as recomendações do médico à risca e tomar a medicação CONFORME FOI RECEITADA, além de seguir uma rotina noturna relaxante na hora de dormir.”

Há noites em que poderia realmente tomar um Ambien e então sair para correr uma maratona. Susan Rutigliano

“Mas para falar a verdade, ainda há algumas noites em que eu poderia tomar um Ambien e então sair para correr uma maratona”, disse Rutigliano. “São noites em que você fica sozinha com seus pensamentos, com o cansaço extenuante, só esperando o sol nascer para você poder se arrumar para ir ao trabalho e passar o dia todo sentindo-se um lixo.”

2. Há muito poucas coisas que os insones ainda não tentaram.

“Eu queria que pessoas que nunca tiveram insônia na vida parassem de me perguntar ‘você já experimentou tomar melatonina?’, etc. e tal”, disse Jeanne Buckly ao HuffPost.

“Tenho insônia há vários anos e existem poucas coisas que eu já não tenha tentado. Em muitas noites, eu acordo, não consigo pegar no sono outra vez e então acabo lendo até conseguir adormecer de novo – geralmente mais ou menos no horário em que eu precisaria acordar.

“Com os remédios o problema fica mais controlável, mas estou criando tolerância e me preocupo com o dia em que eles não vão mais funcionar”, disse Buckley.

3. Se a pessoa ainda está dormindo ao meio-dia, não é por ser preguiçosa.

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Brianna Martinez sofre de insônia há quase cinco anos. De início ela, que tem 27 anos, queria evitar medicamentos, então experimentou tomar melatonina e chazinhos próprios para a hora de dormir. Ela deixou de usar aparelhos eletrônicos à noite, tentou tomar leite quente e experimentou várias outras estratégias para induzir o sono.

“Eu queria que todo o mundo soubesse que, quando estou dormindo ao meio-dia, não é por preguiça. É porque meu corpo desligou, exausto, cinco horas antes disso, e dormir de dia é minha única maneira de dormir um pouco”, ela disse.

Brianna optou por lidar com a insônia sem a ajuda de medicamentos. Uma estratégia que está ajudando: não dormir no mesmo quarto que seu marido.

“Minha insônia não me deixava dormir e também mantinha meu marido acordado”, ela explicou. “Eu passava a noite acordada e o despertava com a luz ou o som da televisão, por me levantar e deitar de novo, virar na cama, etc. Nós dois ficávamos de péssimo humor.”

Alguns de nossos amigos acham estranho, mas em quartos separados nós dois conseguimos dormir um pouco. Brianna Martinez

“Alguns de nossos amigos acham estranho, mas em quartos separados nós dois conseguimos dormir um pouco – e há algo de excitante em esgueirar-se para o quarto da outra pessoa no meio da noite.”

4. Imagine acordar às 2h ou 3h todas as madrugadas.

“Já tentei de tudo. Até parei de tomar vinho”, disse Valerie Clark ao HuffPost. “Mas acordo todas as manhãs às 2h ou 3h.”

“Isso afeta minha vida gravemente. Quando chega a noite estão tão exausta que preciso me deitar muito cedo para poder dormir o suficiente”, disse Clark.

“Não tenho dificuldade em pegar no sono nem em continuar dormindo – até aquele horário impróprio. É super frustrante!”

5. Eles não desejariam isso para ninguém.

O que Fay Ranshaw, 31, gostaria que todos soubessem a respeito da insônia:

“A luta constante contra nossos pensamentos sem pé nem cabeça, e como isso é frustrante! Ficar andando no seu trabalho como se estivesse dormindo em pé e ninguém dando a mínima quando você fala que faz isso porque tem dificuldade para dormir”, ela disse ao HuffPost.

“Acho que quem não tem insônia não leva o problema a sério, e isso faz você sentir que está sendo dramática demais. Isso, por sua vez, gera ansiedade! Tudo isso é algo que eu não desejaria para ninguém”, falou Renshaw, que luta contra a insônia desde os 19 anos de idade.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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