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13/12/2016 11:17 -02

Força-tarefa da Lava Jato acredita que Temer atua contra investigações, aponta jornal

EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian President Michel Temer delivers a speech during a ceremony with high ranking military officers at Planalto Palace in Brasilia on December 7, 2016. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato acreditam que o presidente Michel Temer tem atuado parar frear as invesgitações, informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

De acordo com o jornal, procuradores do Ministério Público Federal (MPF) consideram que o presidente apoiou iniciativas no Legislativo que visam cercear as investigações.

Na madrugada de 30 de novembro, a Câmara aprovou uma série de emendas que descaraterizam o pacote de dez medidas contra corrupção do MPF.

Os deputados retiraram a tipificação de crime de enriquecimento ilícito e a perda de bens de origem ilícita, além das barreiras às prescrição de crimes e do endurecimento da lei de improbidade.

Por outro lado, os parlamentares incluíram a responsabilização de magistrados por abuso de autoridade, incluindo suposta atuação político-partidária, além de crime de responsabilidade se cometerem irregularidades como, por exemplo, expressarem opinião sobre um processo em julgamento.

Na ocasião, a força-tarefa da Lava Jato ameaçou parar, em resposta aos parlamentares.

De acordo com a Folha, os procuradores irão trabalhar para "derreter" o governo. A delação da Odebrecht será anexada ao processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investiga irregularidades na arrecadação de recursos da chapa de Dilma Rousseff e Temer na campanha de 2014.

Uma condenação pode resultar até na cassação do mandato do atual presidente. O julgamento está previsto para o primeiro semestre de 2017.

Em depoimento, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho disse ter entregue dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral para a campanha de 2014 do peemedebista no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e conselheiro próximo do presidente. Outros 50 políticos de 11 partidos também foram citados pelo delator.

Em nota, a assessoria de Temer negou as acusações e afirmou que todas as doações feitas pela empreiteira foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesta segunda-feira (12), Temer chamou de "ilegítima" a divulgação por meio de vazamento de investigações criminais.

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