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Cusparada em Bolsonaro pode afastar Jean Wyllys da Câmara por 120 dias

13/12/2016 17:57 -02 | Atualizado 13/12/2016 17:57 -02
Reprodução / Youtube

O deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) pode ser suspenso do mandato por 120 dias por ter cuspido no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na votação do impeachment de Dilma Rousseff da presidência da República.

Na ocasião, segundo Wyllys, ele foi agredido por Bolsonaro e depois reagiu com o cuspe. Além de ter sido xingado, o deputado ressalta que o agressor enalteceu o torturador de Dilma, coronel Brilhante Ustra, na votação. Defensores de Bolsonaro alegam que a ação foi premeditada.

Perícia da Polícia Civil do Distrito Federal revelou que o vídeo que mostra Wyllys dizendo que vai cuspir na cara de Bolsonaro é montagem.

Embora o relator Ricardo Izar (PP-SP) tenha começado a ler o texto que sugere o afastamento por 120 dias, houve um pedido de vista antecipado do deputado Julio Delgado (PSB-MG). Ainda não há previsão para votar o parecer.

No relatório, Izar ressalta o parecer do ex-corregedor Carlos Manato (SD-ES), embasado nas justificativas dos processos apresentados contra o deputado. No texto, Manato ressalta que o gesto foi premeditado, segundo a representação apresentada pelo ator Alexandre Frota. Destaca ainda uma comparação com o Big Brother.

“Nem o Big Brother Brasil, programa onde o deputado fez fama, admite este tipo de comportamento. Se o fato tivesse acontecido na atração, que é dirigida pela TV Globo, o participante teria sido sumariamente eliminado."

Izar enfatiza que "a conduta de cuspir em outro representante do povo, durante um dos momentos históricos ocorridos no País, ainda que em reação à alegada provocação, demonstra completo desprezo, não só ao deputado visado, mas, principalmente, ao prestígio do parlamento. O cuspe direcionado a outrem tem nítido propósito de humilhar e desrespeitar, demonstrando, assim, a torpeza de quem o faz".

O cuspe foi revidado pelo filho de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP).

Defesa

Advogado de Jean Wyllys, César Brito apresentou uma sequência de vídeos dos últimos seis anos na qual o deputado Jair Bolsonaro agride o socialista e os homossexuais. Ele ressaltou que o ato não foi premeditado, como anunciado no relatório e no processo apresentado ao conselho.

“Quanto tempo uma pessoa humana deve resistir as pressões constantes em suas vidas, a perseguição, desmoralização?”

"Dizer que o agredido passa a ser o punido e o agressor elogiado é inverter a lógica do parlamento, a lógica da vida. Comprovou-se que não foi premeditada, que há agressão, que é uma prática reiterada do deputado, que a agressão não terminara. Não terminara porque o deputado quando aqui depôs repetiu para todos o que ele pensa do deputado Jean Wyllys.”

Admissão do cuspe

Na semana passada, em sua defesa, Wyllys admitiu o cuspe e citou vários episódios nos quais foi ofendido pelo deputado.

"A primeira vez e única, espero, em que eu reagi de uma maneira talvez indelicada foi o dia que cuspi nele, mas por todo contexto que vivíamos”, disse.

O socialista contou que foi chamado de “queima rosca” e que o deputado disse a ele “tchau, querida”.

"Uma das primeira injúrias praticadas contra nós, homossexuais masculinos, é usar termos femininos para nos ofender porque a homofobia tem a mesma origem do machismo", disse. "Ao contrário dele, que acha que homossexualidade é um defeito, ao contrário dele que disse que se mudaria de um bairro se tivesse um vizinho homossexual, a minha homossexualidade é um orgulho para mim. A nossa história de vida, formação, corpos nos deram diferentes formações. A minha não é pior nem melhor que a sua", completou.

Apologia à tortura não rende punição

O deputado Jair Bolsonaro também foi alvo de um processo no Conselho de Ética pelo comportamento no dia da votação do impeachment de Dilma. A representação foi por ele ter dedicado o voto ao coronel Ustra. A acusação foi por apologia à tortura. O processo, entretanto, foi arquivado no início de novembro.

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