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Fernando Henrique Cardoso nega intenção de assumir Presidência se Michel Temer cair

12/12/2016 13:40 -02 | Atualizado 12/12/2016 13:40 -02
Paulo Whitaker / Reuters
Former Brazilian President Fernando Henrique Cardoso acknowledges the crowd in Sao Paulo August 18, 2011. Cardoso and Brazil's President Dilma Rousseff were attending a ceremony to launch a project to combat poverty in southeast Brazil. REUTERS/Paulo Whitaker (BRAZIL - Tags: POLITICS SOCIETY)

Após chamar o governo de Michel Temer de "pinguela", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) negou que esteja disposto a ocupar a Presidência da República caso o presidente deixe o cargo.

"Acho que essa hipótese (de ele próprio voltar à Presidência) foi levantada e que ela não é boa para o Brasil", afirmou ao jornal O Estado de São Paulo. A entrevista foi concedida na última quinta-feira (8), antes do vazamento da delação da Odebrecht, que atingiu diretamente Temer e a cúpula do PMDB.

Em 25 de novembro, dia da demissão do ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), FHC foi explícito ao apontar fragilidades no Executivo.

"Diante da circunstância brasileira, depois do impeachment, o que temos que fazer é atravessar o rio. Isso é uma ponte. Pode ser uma ponte frágil, uma pinguela? Tudo bem. Mas é o que tem", afirmou ao chegar a um seminário do partido em Brasília.

Ao Estadão, o ex-presidente disse que foi mal compreendido e que é preciso "transformar a pinguela em ponte, aumentando a confiança e apoiando as medidas que o governo tomar e que sejam acertadas".

"Estou dizendo que a nossa situação é estreita. Qualquer que seja o presidente, a situação é a mesma. É uma pinguela. Então, vamos criar condições para atravessar essa pinguela. Segunda afirmação que eu tenho feito: se a pinguela quebrar é pior. Porque você cai na água", afirmou.

Na avaliação de FHC, especulações sobre ele voltar à Presidência não são bem vistas porque diminuem a confiança no País. Ele também defendeu a reforma da Previdência e afirmou que "não adianta ficar solapando o futuro".

Sobre as citações de recebimento de propina a integrantes do PSDB, o tucano afirmou que "por enquanto, não dá pra dizer que as pessoas praticaram um crime". O ex-presidente disse ainda que a sobrevivência política após a Lava Jato depende de como a população irá perceber as denúncias.

O PSDB pede no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa da ex-presidente Dilma Rousseff com Temer por abuso de poder político e econômico. O julgamento deve ser finalizado no primeiro semestre de 2017.

Caso haja condenação, há possibilidade de convocação de eleições indiretas no País. A reforma eleitoral de 2015 mudou a lei para que isso só aconteça no último semestre do mandato, ou seja, a partir de julho de 2018.

A fim de aplacar a crise com o PSDB, Temer avalia nomear o líder da legenda na Câmara, deputado Antônio Imbassahy (BA) para a Secretaria de Governo, de forma a ampliar o espaço do partido no Planalto. O nome, contudo, desagrada o "Centrão", grupo de mais de 200 deputados da base aliada e de assessores do presidente.

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