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Atraso na reforma da previdência ameaça apoio a proposta e impõe derrota ao governo

13/12/2016 01:03 -02 | Atualizado 13/12/2016 01:03 -02
Ueslei Marcelino / Reuters
Brazil's President Michel Temer arrives to a news conference at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, November 27, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino

A primeira derrota do governo Michel Temer na reforma da previdência, com o adiamento da sessão que vai definir se os debates podem começar, acendeu um sinal de alerta no Planalto. A tramitação da medida reflete a situação do governo já fragilizada por causa das constantes crises e agravada com a primeira delação de executivos da Odebrecht.

Oposicionistas garantem que os debates ficaram para o próximo ano. “Se tiver reforma. Essa reforma subiu o telhado. Ela é extremamente impopular. E até a base aliada não está disposta a bancar o texto. Conseguimos mais tempo para informar a população sobre os impactos deste texto na vida das pessoas”, reagiu o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ) ao HuffPost Brasil.

Segundo ele, os próprios aliados do governo estão percebendo que neste cenário de instabilidade política vai ser difícil defender uma proposta que fixa a idade mínima para se aposentar em 65 anos e estabelece 49 anos de contribuição.

A expectativa do governo era que os debates na Câmara se encerrassem em abril e a proposta fosse aprovada no Senado ainda no primeiro semestre de 2017. Com o atraso, abre-se a possibilidade de a proposta ficar para o segundo semestre.

Insatisfação geral

Aliados do governo reclamam desde a semana passada do tom da reforma. Diferentemente da PEC do Teto, as mudanças na aposentadoria são fáceis de explicar aos eleitores e nem os mais próximos ao presidente acreditam que a população vai entender que o resultado pode ser positivo.

Da base governista, o PSB e o PTB sinalizam o desembarque. O deputado Julio Delgado (PSB-MG) afirmou que o governo estava atropelando a discussão. Para ele, o tema precisa ser amplamente debatido com a população em vez de uma votação “açodada”.

Integrantes da base governista, como o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), também demonstraram insatisfação. Rosso também defendeu o adiamento do debate da proposta. O deputado faz parte do centrão, que concentra um grupo de cerca de 200 deputados que não concordam com a maneira como vem sendo feita a relação do presidente com o Congresso.

Um dos motivos de insatisfação é a ideia de Temer de nomear o tucano Antonio Imbassahy (BA) para comandar a Secretaria de Governo. A escolha dele influencia na disputa pela presidência da Câmara e fortalece a possível reeleição do atual presidente Rodrigo Maia (RJ). Maia, entretanto, enfrenta uma resistência legal, pois ele não poderia se reeleger. Os defensores da candidatura dele destacam que o mandato atual é tampão.

Temer, por outro lado, quer ampliar o espaço do PSDB no governo para assegurar o apoio da legenda. Críticas feitas por integrantes da sigla têm abalado o já instável governo do peemedebista.

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