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Como na Rio 2016, Policiamento ostensivo é aposta de combate ao terrorismo na Europa

10/12/2016 09:03 -02 | Atualizado 10/12/2016 09:03 -02
Anadolu Agency via Getty Images
BRUSSELS, BELGIUM - OCTOBER 28: Belgian soldiers are seen standing guard after the previous several terrorist attacks in Brussels, Belgium on October 28, 2016. It is decided to reducing the number of guards by the government. (Photo by Dursun Aydemir/Anadolu Agency/Getty Images)

Nove meses após os atentados terroristas no aeroporto e em uma estação de metrô de Bruxelas que deixaram pelo menos 32 mortos e 300 feridos, ainda há a sensação de que a feriada continua exposta. Os trâmites no Aeroporto Internacional de Zaventem são reflexos das sequelas do terror na Bélgica.

Barreiras de segurança reforçadas, com sistema de revista e raio-x mais rígidos, e o aviso para chegar três horas antes do embarque - uma hora a mais que o usual - mostram que a cidade ainda não voltou a normalidade. E não há nem previsão para que isso ocorra.

O que impressiona, entretanto, é o caminhar no turístico centro de Bruxelas. Lugares como a Grand-Place, a Bourse de Bruxelles (Bolsa de Valores) e ruas movimentadas como a Boulevard Anspach são repletos de policiais fortemente armados. Assim como no Rio de Janeiro, com a presença da Força Nacional, uma tropa faz a segurança dos principais pontos da cidade.

A cena já faz parte da rotina dos belgas desde março deste ano. Junto com os policias na rua, o dia a dia dos moradores de Bruxelas ganhou novos hábitos. Uma designer carioca que mora na cidade há oito nos contou ao HuffPost Brasil que a quantidade de pessoas que usavam o metrô caiu drasticamente após o atentado.

Além do transporte público, os moradores locais passaram a evitar ambientes muito cheios em horários de pico. “Não há sensação de insegurança em situações comuns, como estacionar em algum lugar tarde da noite e ir andando até a minha casa. A certeza de que é absolutamente seguro fazer isso continua. O que muda são atos corriqueiros, mas que envolvem a possibilidade de uma catástrofe grande, como algum evento ao ar livre, independentemente do horário”, disse.

Câmeras de segurança, mecanismos de identificação de faces, nova sinalização, patrulha e carros de guerra foram adicionados aos longo dos últimos meses no esquema de segurança da cidade. Isto porque a cidade é vista como um “hub” para o Estado Islâmico. As autoridades locais dizem que estão fazendo o possível para manter a população segura, mas ainda assim há um constante ar de ameaça.

Ligação com atentados na França

O ataque de março neste ano em Bruxelas teve ligação com os de Paris e Nice, ambos orquestrados pelo Estado Islâmico. Na França, a ação do Estado Islâmico deixou 130 mortos.

A Bélgica se tornou um alvo por ser um dos destinos preferidos dos jovens europeus que abandonam seus países de origem para se juntar à guerra síria e aos grupos de recrutamento terrorista, como o Sharia4Belgium.

Já a França é o país europeu de onde mais saíram jovens para se juntar ao Estado Islâmico.

*A repórter viajou à convite da GSK.

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